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A destruição do Brasil em suaves prestações

Matéria publicada em 5 de maio de 2017, 14:03 horas

 


Desmatamento na Amazônia bateu recorde em 2016; meio ambiente vem sendo degradado e destruído em um processo que não para

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O Brasil anda sofrendo um processo de degradação total que lança sérias dúvidas sobre o futuro do país. Fala-se muito na crise econômica e na crise moral, mas junto com elas vêm outras crises. A crise na saúde, a crise na segurança e a crise ambiental. O meio ambiente no nosso país vem sendo degradado e destruído em um processo que não para e surpreende os especialistas a cada ano que passa. Dados recentes, divulgados pelo Observatório do Clima e pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, mostram um crescimento de 30% no desmatamento só na Amazônia no ano de 2016.

Em outros biomas a destruição também foi intensa. O pantanal perdeu 13% de suas matas. E os manguezais da costa brasileira perderam 20% de sua área nos últimos dezessete anos. Assim, além de um país falido, a geração atual vai legar uma terra arrasada para as gerações futuras. O Brasil assinou o acordo climático de Paris onde prometeu zerar o desmatamento até 2030. Promessa vazia a julgar pelos dados mais recentes. Assentamentos e projetos agropecuários continuam a derrubar a floresta em um processo acelerado. Só no ano passado foi destruída uma área equivalente a seis estados do Rio de Janeiro.

O resultado, além de comprometer o futuro do país, pesa no nosso bolso. A floresta amazônica é responsável por uma parte das chuvas que caem aqui na região sudeste, que tem sofrido secas constantes nos últimos anos. Com a redução das chuvas o governo aciona as usinas termoelétricas e a conta de luz vai para a bandeira vermelha. Ou seja, no final pagamos a conta. Os madeireiros, os pecuaristas e os carvoeiros acabam com a floresta e nós pagamos mais caro pelos reservatórios secos e a falta de chuva.

O aniquilamento de uma das maiores florestas tropicais do mundo começou nos governos militares. Os milicos achavam que a Amazônia tinha que ser ocupada, ou seria invadida pelos americanos. Daí começaram a abrir a rodovia transamazônica e assentar colonos no antigo “inferno verde”. A televisão mostrava tratores derrubando árvores gigantescas como se isso fosse uma coisa maravilhosa. Mas as famílias de agricultores que foram para lá logo descobriram que o solo da floresta é pobre. Sem as árvores as chuvas carregavam a camada de solo fértil em um processo de desertificação. E só ficava o barro.

Sem poder plantar os colonos se voltavam para a fabricação de carvão. Derrubando as árvores para alimentar os fornos e aumentando o processo de degradação do solo. Com a democracia a coisa só piorou. O Ibama finge que fiscaliza, o governo protege seus amigos pecuaristas e a indústria da madeira paga multas irrisórias e continua a destruir a floresta. Ajudada pelos novos assentamentos e fazendas.

O mangue é outro bioma que vai sendo destruído em um processo acelerado em nosso país. O Brasil tinha a segunda maior área de mangue do mundo. Agora ela reduziu para 23% no Paraná, 21% na Bahia e 14% em Alagoas, segundo as fotos de satélite examinadas pelo observatório do clima. A culpa pela destruição dos mangues é a expansão do turismo e dos projetos imobiliários. Novos hotéis e condomínios pipocam na costa brasileira às custas dos mangues, que são aterrados.

Acontece que o mangue é o local de reprodução de 80% das espécies marinhas. A maioria dos moluscos comestíveis se reproduz lá. Sem os mangues vai faltar peixe na nossa mesa. Espécies exóticas como o peixe boi e o cavalo marinho também vão desaparecer. E as nossas autoridades incompetentes não estão nem aí para isso.

A frase “não verás país nenhum igual a esse” soa como um coro grego na tragédia brasileira. Enquanto escrevo essas linhas, em uma tarde de terça-feira, os bandidos “tocam o terror” lá no Rio de Janeiro. Que já foi a “cidade maravilhosa”. Realmente “não verás país nenhum igual a este”.

Ameaçado: Aves marinhas também precisam dos manguezais

Ameaçado: Aves marinhas também precisam dos manguezais

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br


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6 comentários

  1. Avatar

    HAHAHAHA!!!!! SABIA QUE O DV NÃO IRIA PUBLICAR MEU COMENTÁRIO…

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    Tudo que depende da fiscalização do governo não funciona, se for do governo do PT então…

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    Já estava esperando ele falar que a culpa disto tudo é do PT, ou da Dilma, ou do Lula, ou de todos eles.

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    Pagador de impostos

    Particularmente, aqui em VR, quanto à questão ambiental (que não se resume apenas às emissões da CSN), vamos aguardar e cobrar uma postura mais coerente com o assunto por parte do atual governo, cujo prefeito, é do PV (partido verde).

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    Al Fatah, o Emir Cicutiano

    Matas perde-se por um lado, mas ganha-se por outro. Há muitas regiões sendo reflorestadas, mesmo aqui no Sudeste, mas isso ninguém fala. Por exemplo, aquele grande terreno no Aero, antes um pasto, acabou que, por desleixo, medrou árvores e se tornou um pulmão improvisado no coração de VR. Muitos morros outrora “pelados” estão ganhando cobertura arbórea, vários deles de forma espontânea. A própria natureza se regenera… Quanto às mudanças climáticas, o Planeta Terra sempre as sofreu, mesmo sem a intervenção humana. É um planeta vivo, cíclico, em constante mutação…

    Agora vai lá na Europa, EUA, Índia, Japão, China. Veja o que eles fizeram (e muitos continuam fazendo) com a natureza deles… Óbvio que temos que nos preocupar com o que acontece aqui, mas ninguém tem moral para cobrar nada do Brasil…

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