terça-feira, 11 de dezembro de 2018

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A eleição que nunca acaba

Matéria publicada em 11 de novembro de 2018, 09:15 horas

 


Cidadão já votou, resultado já saiu, mas esquerdistas e bolsomínions continuam a encher o saco alheio nas redes sociais

O país vai continuar dividido e militantes vão continuar a encher nossa paciência nas redes sociais

Dia 28 de outubro, este colunista decidiu assistir a uma maratona da série preferida antes de dormir, após a cobertura do segundo das eleições para presidente e governador. A intenção era ficar longe das redes sociais por algumas horas até que os vencedores parassem de comemorar, e os perdedores, de reclamar. No dia 29, a expectativa era de que os vídeos de gente levando tombo e as fotos de bichinhos fofinhos e mulheres de pouca roupa voltassem a dominar as redes sociais.
Vã esperança. Lá estavam os bolsomínions e os esquerdistas, tão chatos quanto só eles mesmos sabem ser. Primeiro, os esquerdistas falavam de resistência, como se o Brasil fosse a França de 1940. Dava pra imaginar, pelo que eles falavam, que alguma petista charmosa iria montar uma sessão de “Lula, o filho do Brasil” pro Bolsonaro e seu ministério e depois tacar fogo no cinema. Só que, como não há mais filmes em celuloide para alastrar o incêndio, como na época em que se passa “Bastardos inglórios”, entre mortos e feridos, todos se salvariam.

Esperanças perdidas

Depois, quando começaram a aparecer as primeiras críticas aos ministros anunciados pelo presidente eleito, foi a hora de seus apoiadores começarem a reclamar que os esquerdistas estavam “torcendo contra” o governo. Será que os bolsomínions queriam mesmo que petistas, psolistas e integrantes do PC do B torcessem pelo sucesso do inimigo que os derrotou? Seria muita inocência supor que isso aconteceria.
Está na cara que vai haver críticas – justas e injustas – ao futuro governo. Sempre foi assim e sempre será. Mesmo em regimes parlamentaristas, que montam os chamados “gabinetes de coalizão”, sempre existe quem fique de fora e acabe na oposição. E a tal oposição construtiva, que discute ideias mas apoia as ações do governo que ela considera benéficas, é o tipo de coisa que está muito longe da realidade brasileira.
Aqui, se o governo distribuir comida de graça para toda a população, a oposição vai torcer pra que a comida estrague, ou pior, procurar alguém que, no meio de milhões de beneficiados, tenha recebido algo estragado. Se não acharem, é bem capaz de alguém tentar estragar alguma comida, só pra deixar o governo mal.
Por isso mesmo é que não faltam pessoas para sabotarem ações governamentais. Digamos que o governo incentive a compra de carros para aumentar a arrecadação e gerar empregos nas montadoras. A oposição vai lançar uma campanha para que as pessoas só andem de bicicleta, porque é melhor pro meio ambiente. Já se o governo incentivar o uso da bicicleta, a oposição vai fazer de tudo pra que as pessoas dirijam automóveis, porque é mais rápido, mais cômodo e não cansa.

O navio, de novo

Este colunista já contou uma história como essa. Se um navio tivesse comandante eleito, a oposição torceria pra ele atingir um iceberg, mesmo com o risco de morrer junto com os outros passageiros e tripulantes.
É uma coisa boa? Não, não é. Mas é resultado direto de um traço da cultura brasileira que precisa ser mudado: nós discutimos política como se estivéssemos discutindo futebol e levamos o futebol tão (ou mais) a sério do que a política.
Nada é mais parecido com uma discussão sobre futebol na segunda-feira do que a discussão sobre política depois das eleições.
Frases como “se fulano tivesse ido pro segundo turno o resultado seria diferente” e “mas fulano se valeu de uma ampla campanha de divulgação de mentiras pelo whatsapp” se parecem demais com “se o centroavante não estivesse contundido ele teria feito o gol da vitória” ou com “o bandeirinha não marcou um impedimento claro no lance que resultou no gol do adversário”.
São reclamações de quem já sabe que não há como mudar o resultado, mas não se conforma com o placar.

Só um desastre para nos unir

O colunista acredita que só um desastre nacional poderia fazer o milagre de unir militantes de esquerda e direita, depois de uma eleição tão polarizada.
Aquela conversinha de “terminou a disputa, agora vamos nos unir para fazer um país melhor” não vai funcionar. O vencedor está falando isso para um cara que ele xingou, e que ele derrotou.
Um desastre nacional, como uma catástrofe climática de proporções apocalípticas, um desastre ambiental gigantesco ou coisa que o valha, talvez conseguisse fazer com que as pessoas deixassem suas diferenças de lado e trabalhassem juntas.
Mas se for pra ser assim, o colunista prefere que as militâncias continuem discutindo pelas redes sociais.


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17 comentários

  1. Se for ter postura de bolsomínion 24h e aceitar tudo como gado o país estará perdido.
    O bolsonaro já nomeou ministro caixa 2, nomeou a raínha do veneno, nomeou vendedor de travesseio, nomeou ex ministro da Dilma que estocava vento. E só não extinguiu o ministério do meio ambiente e do trabalho graças a oposição conciente (inclusive de eleitores do bolsonaro) que apesar de terem votado com raiva contra o PT possuem ao menos senso crítico para exercer cidadania e não dar carta branca para um presidente destrambelhado. A história mostra que o Brasil não pode dar carta branca para nenhum presidente.

  2. PSDB mineiro, Doriana , Azambuja, governador gaúcho , Aecio, Anastasia ,Aloysio 500,todos apoiaram o capitão, você é mal informado ou um mentiroso contumaz.

  3. Entendi que o colunista se referiu aos seguidores que são Bolsonaro para o que der e vier. Bolsominion pode até ser um direitista (aqueles que entendem o que é isso), mas a grande maioria dos direitistas não é de bolsominions.

  4. Só achei extremamente deselegante usar-se o termo “bolsomínion” para designar os direitistas, afinal os esquerdistas foram chamados, simplesmente, de esquerdistas… Colunista que se preze não deve escrever como leitor…

    • Paulo Moreira

      Usei o termo para me referir ao “fã-clube” de Bolsonaro, o que é diferente de quem simplesmente votou nele. E “Bolsomínion” não é ofensa.

    • Ele aplicou so a direita ratao você usou a esquerda a direita e deu o golpe baixo deixou o infeliz a pedir arrego. Não baixem a cabeça para COMEDOR de arroz com feijão.

  5. Por isso, vc é colunista de um minúsculo jornal do o interior do estado; e, com certeza, com esses comentários, vai aposentar nele.
    Que matéria sem graça, já começa chamando os eleitores do Bolsonaro, de Bolso Minions. Isso é o que os “da esquerda” usam. Vc está fazendo exatamente o que eles fazem.

  6. Mão Santa ex guru intelectual

    Sempre citando o PSDB com simpatia,tu és enrustidinho ,seus bandidinhos de estimação foram de ralo .Como você sempre fala a favor de empresário e se diz liberal,abre o seu negocinho e seja feliz,para de ser amargurado.

    • Haddad pediu o apoio do PSDB no segundo turno, especificamente do FHC! Haddad não entendeu que os bandidinhos de estimação foram de ralo…

  7. Observador Político

    Dos 147 milhões de eleitores aptos a votar, quase 90 milhões (61%) não votaram no candidato eleito. Foram votos nulos, em branco, abstenções e os que votaram no candidato derrotado. O petista teve 31 milhões de votos no 1°. turno e 47 milhões no segundo, ou seja, 16 milhões escolheram o Haddad no 2°. turno apenas por considerarem que o Bolsonaro era a pior opção. Soma os que não votaram em nenhum dos dois e teremos 59 milhões que não estão com o PT, mas podem se opor ao futuro governo. Claro que não serão todos, assim como é possível que muitos que votaram no presidente eleito acabem se arrependendo ou que são apenas anti-petistas ou anti-socialistas, não necessariamente bolsonaristas.
    Em tempo: sem considerar os 5 milhões que tiveram seus direitos de votar cancelados por falta do cadastramento biométrico.

  8. O PT já foi para a justiça para tentar impedir a posse do Sérgio Moro, judicializando a política, fazendo aquilo que eles denunciam quando os outros fazem…. E, eu tenho uma memória implacável, o Lula quis ser Ministro da Dilma, aberração que deixou os gringos horrorizados!
    O que mais deixou os nórdicos impressionados foi o fato de que logo após as eleições, o Haddad não desejou sorte para o Bolsonaro, não disse nada, e falou que ia resistir, isso revela a extrema vileza da alma de um partido que não sabe perder, mas só sabe ganhar!!! Mesmo que ganhar seja roubar bilhões do erário público, como vimos recentemente no país!!! É a famosa Lei de Gerson… Única lei que o PT obedece!!!
    Lula, logo depois de ser eleito continuou por dois anos fazendo a caveira de FHC, dizendo que tinha recebido uma “herança maldita” de FHC, no entanto, Haddad no segundo turno ficou pedindo insistentemente que FHC declarasse voto nele, o que não aconteceu!
    Os petistas continuam a fazer propaganda política, dizendo que o Bolsonaro é nazista, no entanto, o povo de Israel celebrou a vitória de Bolsonaro, todo israelita queria a vitória do “nazista” Bolsonaro”!!!
    No entanto, quem mais falou mal de Israel, quem mais votou contra Israel na ONU foram os petistas Lula-Dilma…. O horror que eles sentem contra Israel é tão grande, que sempre o PT ficou ao lado dos palestinos, mesmos os homem-bomba que explodem ônibus com criancinhas saindo da escola em Israel são respeitados e amados pelos petistas, que acham que os homens-bomba tem um ideal a cumprir!!!
    O PT vai continuar a falar mal do Bolsonaro nos Blogs sujos; na revista “Carta Capeta”; nas entrevistas em rádios e televisões; e, também, aqui nesse espaço, onde eles se sentem livres para mentir, contar meias verdades, etc…, pois o bom gosto e o comedimento não é coisa de todos!
    Eu espero que, hoje, a população brasileira esteja mais consciente politicamente, e que nunca mais vote num partido de esquerda, pois como bem diz um Provérbio Americano: “Those who fail to learn from the past are doomed to repeat it”, ou seja, “Aqueles que falham em aprender do passado estão condenados a repeti-lo”…

    • Mirian leitão do DV, tens tomado seus remédios nos horários certos? Povo de Israel? criancinha em ônibus? Desse texto a única coisa que concordo com você é o final. Estamos trazendo para o presente os fantasmas do passado. Alguém precisa avisar para essa caricatura que a eleição já acabou. Ele precisa começar a pensar no que vai fazer. Entendo que se em 26 anos não apresentou nada de produtivo, em quatro é mais dificil , mas ele foi eleito para mudar. Já deve ter se arrependido de terem levado à sério a brincadeira de ser candidato.

  9. Tudo bem, mas o primeiro a ter que dar o exemplo é o eleito. Avisa para o futuro presidente que a campanha eleitoral acabou e que ele agora vai ser um estadista (assim esperamos) e, portanto, pode parar de ficar cuidando de coisas menores nas redes sociais e delegar poderes para quem vai cuidar dos assuntos menos importantes no momento. Por exemplo: um bom futuro líder de governo e um eficiente porta voz já ajudariam bastante.

  10. Nacionalista de buteco

    Somos expropriados há 518 anos,sempre fomos uma colônia de exploração , às vezes em menor escala , outras vezes em larga.Os colonizadores sempre criam diferenças na população para melhorar as suas conquistas,otario é aquele que acha que somos donos do nosso próprio nariz.

    • Concordo em número e gênero. esses meninos rabugentos e revoltados falam mal
      do PT mas todos eles se beneficiaram das medidas governamentais do mesmo,´pois
      nós trabalhadores não temos onde cair morto , estamos vendendo o almoço para com
      prar a janta e agora com esse novo menino que foi eleito não teremos nem almoço
      para vender.kkkkkk

    • O “cosme” só se esqueceu que o Partido dos Trabalhadores (PT) tirou 14000000 de empregos do cidadão brasileiro, devido à corrupção generalizada no governo + a incompetência impressionante na administração do erário público, como a compra de Pasadena nos EUA, que não valiam nem 50 milhões e foi comprada pela Dilma Roussef por 1 bilhão!!!!

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