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A era de ouro da aviação

Matéria publicada em 12 de março de 2019, 08:18 horas

 


DC-3 tinha leitos para os passageiros dormirem nos voos noturnos

No mês passado relembrei aqui neste espaço a época dos navios aéreos, os grandes dirigíveis de passageiros. Uma época que acabou no final dos anos 30, depois que o Hindenburg pegou fogo nos Estados Unidos. Com o fim dos zepelins as empresas voltaram a investir no “mais pesado que o ar” como meio de transporte. A Segunda Guerra Mundial promoveu a construção de pistas de pouso no mundo inteiro e deixou como legado uma frota imensa de aviões de transporte. Aeronaves como o C-47 da Douglas e o Curtis Commander, que as empresas podiam adquirir a preços baixos e modificar para o transporte de passageiros.

O C-47 era a versão militar do DC-3, que até hoje é considerado o melhor avião que já existiu.

O DC-3 surgiu de um telefonema dado pelo presidente da American Airlines para o dono da Douglas Aircraft, o lendário Donald Douglas. A fábrica Douglas tinha lançado o DC-2 em 1934, um avião revolucionário, todo feito de alumínio, com trem de pouso retrátil e uma performance notável. No mesmo ano um DC-2 chegou em segundo lugar na corrida aérea Londres-Melbourne superando vários aviões de corrida experimentais. A American Airlines queria um avião assim para os voos noturnos através dos Estados Unidos. A empresa oferecia um serviço de aviões com leitos baseado nos lentos biplanos Curtis Condor. Que estavam ficando obsoletos. O problema é que o DC-2 tinha uma cabine muito estreita para colocar leitos lado a lado.

C.J.Smith, o diretor da American Airlines, convenceu Donald Douglas a criar uma versão mais larga do DC-2 assumindo o compromisso de comprar vinte aeronaves do novo modelo. E assim surgiu o DC-3 que fez o seu voo inaugural em dezembro de 1935. O sucesso foi tão grande que logo as principais linhas aéreas americanas estavam usando o novo avião. Quando estourou a Segunda Guerra Mundial o DC-3 serviu de base para o transporte C-47, que levou paraquedistas para a tomada da Normandia no famoso Dia D. E foi usado na ponte aérea que forneceu suprimentos para as forças chinesas que lutavam contra os japoneses. Uma missão que exigia voos a grande altura por cima da cordilheira do Himalaia.

Hollywood logo se rendeu ao charme do DC-3 e o avião apareceu no clássico de Frank Capra, “Horizonte Perdido”. É num DC-3 que os personagens do filme voam para o mítico paraíso de Shangri-La. Para os padrões atuais o DC-3 era um avião lento, com uma velocidade de cruzeiro em torno de 330 quilômetros horários. Mas tinha a vantagem de poder operar em pistas curtas, feitas de terra batida. E com isso conquistou o mundo, voando para lugares remotos da África, América do Sul e Austrália.

No Brasil o DC-3 foi muito usado na década de 1950 para voos regionais. Empresas como a Cruzeiro do Sul e a Real Aerovias tinham frotas de DC-3 que decolavam do aeroporto Santos Dumont no Rio de Janeiro. Naquela época viajar de avião era um luxo e as empresas forneciam refeições sofisticadas a bordo nos voos de maior duração. Na Amazônia o DC-3 foi usado pelo Correio Aéreo Nacional, levando remédios e correspondência para comunidades isoladas no meio da selva.

A partir da década de 1950 inúmeras fábricas de aviões tentaram criar um sucessor para o DC-3. O mais bem sucedido foi o turboélice Fokker F-27, que era mais rápido do que o DC-3 mas não conseguia igualar sua performance. E o aviãozinho de Donald Douglas virou uma lenda celebrada em filmes e histórias em quadrinhos. Indiana Jones voou num DC-3 e até o Tarzã apareceu pegando carona num avião desses em uma graphic novel dos anos de 1990.

Hoje o DC-3 repousa em vários museus de aviação do mundo inteiro. E algumas empresas de turismo ainda oferecem passeios nos poucos exemplares que mantem a capacidade de voar.


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Um comentário

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    Ótima matéria,muito bacana a história da aviação

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