A espaçonave que desceu no Jardim do Méier, no Rio

Por Diário do Vale

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Há 53 anos, no dia 20 de fevereiro de 1962, o astronauta americano John Glenn Jr. deu três voltas em torno da Terra em uma nave do tamanho de um fusca. A Friendship 7 (Amizade 7). Na ocasião dois russos, Yuri Gagarin e Gherman Titov, já tinham orbitado a Terra. Mas o voo do americano foi mais emocionante, transmitido pelas rádios e televisões do mundo inteiro. Os russos faziam tudo em segredo e nem divulgavam fotos de seus foguetes e espaçonaves. Os americanos mostravam tudo e iam além. Depois de sua viagem pelo espaço a nave foi colocada em um avião de carga e exibida em vários países do mundo. Incluindo no Rio de Janeiro onde ficou vários dias no Jardim do Méier, um subúrbio do Rio de Janeiro, em maio de 1962.

Eu tinha dez anos naquela época e já era apaixonado pelas coisas do céu. Foi à primeira vez na minha vida em que pude chegar perto de uma astronave. E não era uma nave qualquer, ela tinha estado no espaço e ainda apresentava as marcas do calor durante a reentrada na atmosfera. O russo Gagarin tinha sido o primeiro, mas ninguém podia ver nem uma foto da sua espaçonave. Já a nave do americano, o terceiro homem a orbitar a Terra, estava lá, em uma praça da zona norte do Rio de Janeiro, e podíamos até olhar pela janela para admirar o painel de controle. O mais impressionante era o tamanho. A Amizade 7, uma nave da série Mercury, tinha três metros de comprimento por um metro e oitenta de largura. O espaço interno da cabine era de 2,8 metros cúbicos e o único tripulante não poderia nem ficar em pé. E nesse espaço exíguo o engenheiro Max Faget, projetista da Nasa, tinha conseguido espremer o máximo de tecnologia. O painel de instrumentos tinha 120 botões e mostradores. Durante a exibição no Jardim do Méier o assento não estava vazio. A Nasa colocara um boneco com uma réplica do traje usado pelo astronauta, o que era uma atração a parte. Os russos usavam uma roupa espacial de tecido vermelho, claro. Já os cavaleiros do céu americanos vestiam um traje de alumínio prateado e cintilante com um capacete plástico branco.

A corrida espacial estava no auge e tanto americanos como soviéticos davam um significado político as missões espaciais. Quem tivesse sucesso lá em cima mostraria que seu sistema político, o capitalismo ou o comunismo, era o mais bem sucedido. Daí o esforço publicitário para mostrar os resultados ao mundo. E foi nessa guerra de propaganda que os soviéticos perderam feio para os americanos. Um ano depois da exibição da Amizade 7 no Jardim do Méier os soviéticos promoveram uma exposição colossal no antigo pavilhão de São Cristóvão, também na zona norte do Rio. Na parte de astronáutica tinha muitas fotos do Gagarin e do Titov, mas nada da espaçonave. A Vostok russa só seria mostrada ao mundo em 1967, durante o salão aeroespacial de Paris, mas a essa altura os russos já tinham perdido a corrida para a Lua.

Amizade 7: Do Jardim do Méier para o Smithsonian  Foto: Divulg ação

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Amizade 7: Do Jardim do Méier para o Smithsonian
Foto: Divulgação

Gemini

A vitória americana começou com o projeto Gemini, em 1965. As Geminis, de dois tripulantes, bateram todos os recordes de permanência no espaço. E uma delas, a Gemini 5, também foi trazida para o Rio de Janeiro, para uma exposição montada no passeio público, ali perto da Cinelândia. A Gemini era bem maior que a Mercury, do tamanho de uma van, e servia para testar as manobras que seriam efetuadas durante a viagem para a Lua. No Rio de Janeiro a Gemini ficou protegida por uma tenda, ao contrário da Amizade 7, exibida a céu aberto. Depois de passar pela nave e observar seu interior podíamos admirar um diorama com uma reprodução da face da Lua e uma miniatura do módulo de comando da espaçonave Apollo. O ano era 1966 e primeira missão lunar se encontrava ainda três anos no futuro. Mas ninguém duvidava de que seria realizada, pelos americanos, ou pelos russos.

Hoje em dia, para ver a Amizade 7 ou a Gemini, de perto só indo no museu Smithsonian, em Washington. Mas naquela semana mágica, de maio de 1962, elas estavam ao alcance da mão, nas praças do Rio de Janeiro.

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