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A festa do livro

Matéria publicada em 7 de junho de 2019, 08:35 horas

 


Não é de hoje que a tecnologia tem avançado de maneira avassaladora nos mais variados segmentos, e sempre nos surpreendendo, apresentando no dia a dia novidades que nos causam verdadeiro espanto.
Mas existe algo que ao longo dos anos tem sofrido mudanças, mas as suas características permanecem as mesmas: o livro. Mudam-se o tipo de papel de capa e do miolo, criam-se novas maneiras de costurar os cadernos e novas formas de fazer a impressão, lançando-se mão de máquinas que trabalham sob comandos muitas vezes feitos a distancia. Quando nos lembramos que há bem pouco tempo ainda usávamos pequenas letras moldadas em chumbo que necessitavam ser perfiladas para formar uma palavra, sentimo-nos particularmente impressionados com essa velocidade. São inúmeras as transformações que enriqueceram um produto que mantém hoje o mesmo aspecto de tempos passados.
A crise sofrida gravemente por grandes redes de livrarias como Saraiva e Cultura, em que a primeira, sob recuperação judicial, tem uma dívida de R$ 675 milhões e a segunda, R$ 285 milhões, quase nos fez acreditar que era o fim de tudo. Porém, por mais que nossas possibilidades de leitura – tanto intelectual quanto monetária – sejam medíocres em relação a outros países, é fato que o brasileiro lê, não a quantidade que deveria, mas percebe-se que aos poucos vai aumentando a soma de livros comprados em livrarias, feiras e bienais.
É buscando dar a volta por cima que as feiras e bienais resolveram mostrar, mais do que nunca, em 2019, ao que vieram.
Entre as dezenas de eventos literários espalhados pelo país, por aqui temos, na nossa circunvizinhança, a FLIVA – Feira Literária de Valença, que terminou no último final de semana. Hoje, sexta-feira, está em plena realização a quinta versão da FLIR – Feira do Livro de Resende, que mostra, com todas as letras o seu fôlego. Em julho, no dia 6, teremos a Leiturar, em Barra Mansa, e, logo a seguir, a FLIP – Feira Literária Internacional de Paraty. Em agosto, começando no dia 30 e indo até 8 de setembro, o Rio de Janeiro recebe a Bienal Internacional do Livro, no pavilhão do Riocentro; e, em novembro, será a vez da FLINIT – Feira Literária de Niterói.
Tudo isso é a prova cabal de que o livro resiste, que ainda se vende livro e se lê no Brasil, pois eventos como os citados têem muito para mostrar, porquanto apresentam atrações nacionais e internacionais, sendo capazes de atrair milhões de pessoas.
Ao longo das últimas quatro décadas, mapeei cada um desses eventos, fazendo orgulhosamente parte deles e de muitos outros pelo país. Sempre tive a certeza de que o livro, em sua vasta cadeia de produção, mesmo com todas as dificuldades para que chegue às mãos dos leitores, é indiscutivelmente um produto imprescindível, simplesmente pelo fato de ser capaz de aprimorar nosso pensamento ao oferecer uma série de possibilidades e de novas perspectivas em relação ao mundo, fazendo-nos compreender e, consequentemente, respeitar todos os pontos de vista. Assim, além de todas essas inúmeras vantagens, ele também nos faz viajar de maneira única, pontuando cada momento com descobertas e emoção.
Mais do que um objeto transportável, composto por páginas encadernadas e muitas vezes repletas de fotos ou ilustrações, o livro é um produto intelectual, criado para promover o conhecimento, possibilitando ao leitor um valioso aprendizado. Das tábuas de argila e pedra, passando pelos papiros e os pergaminhos, até chegarmos à forma que conhecemos hoje, muitas histórias aconteceram e foram eternizadas nesses importantes espaços de saber.
Hoje convivemos com o livro de papel e já estamos vendo a chegada dos livros eletrônicos, os e-books, efeito inequívoco de uma nova era de inevitáveis transformações. Trata-se de um convívio harmonioso, exatamente como aconteceu entre o Rádio e a TV, quando está última chegou somando som e imagem.
Portanto, deixo aqui o convite: visite as livrarias, vá às feiras e bienais, conheça de perto livros e escritores, viva esse momento em que você é quem decide o que comprar e o que ler. Hoje, amanhã e domingo, estarei na FLIR, em Resende, esperando por você, para dividirmos esse momento repleto de magia e realidade.


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