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Capa / Ciência – Por Jorge Calife / A Grande Mancha Vermelha de Júpiter é uma fonte de calor

A Grande Mancha Vermelha de Júpiter é uma fonte de calor

Matéria publicada em 11 de agosto de 2016, 14:05 horas

 


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Pesquisadores da universidade de Boston descobriram que a Grande Mancha Vermelha de Júpiter está aquecendo o planeta. O estudo, patrocinado pela agência espacial Nasa, foi realizado pela equipe do Centro de Física Espacial da Universidade de Boston e publicado no último número da revista Nature. Os pesquisadores usaram o telescópio infravermelho do Monte Mauna Kea, no Havaí, para medir as temperaturas acima do imenso furacão. A Mancha Vermelha é um redemoinho três vezes maior do que o nosso planeta que gira com ventos de 400 quilômetros horários.

Usando um espectrômetro acoplado ao telescópio eles registraram temperaturas de 1.330 graus centígrados, 300 graus mais quente do que o resto da atmosfera joviana. Júpiter se encontra a meio bilhão de quilômetros de distância da Terra e devia ser bem frio. Mas o planeta tem suas próprias fontes de calor interno. E uma delas é o imenso furacão que uiva em sua atmosfera desde o século XVII. A Grande Mancha Vermelha de Júpiter será estudada pela nave Juno, que entrou em órbita do planeta gigante no mês passado. A Juno tem um radiômetro de micro-ondas capaz de medir as temperaturas nas camadas internas de Júpiter. Com ele a equipe da Nasa poderá sondar as profundezas do imenso furacão.

A pesquisa da Universidade de Boston concluiu que a mancha emite ondas acústicas e ondas gravitacionais que aquecem a atmosfera acima dela. Em pequena escala um fenômeno semelhante já foi observado acima da cordilheira dos Andes aqui na Terra. E explica porque a atmosfera jupiteriana é mais quente do que o normal.

Desde que foi observada pela primeira vez, pelo astrônomo Giovanni Cassini em 1665, que a mancha vermelha intriga os cientistas. Até o século passado se acreditava que Júpiter tinha uma superfície sólida e alguns astrônomos antigos sugeriram que a mancha fosse um imenso vulcão. Hoje sabemos que Júpiter é um planeta gasoso, com uma atmosfera turbulenta com milhares de quilômetros de profundidade. Perto do núcleo do planeta a pressão é tão intensa que os gases se tornam líquidos e depois sólidos.

Sonda

Em 1995 a nave Galileu deixou cair uma sonda, de paraquedas, na atmosfera de Júpiter. Mas os instrumentos foram esmagados pela pressão antes que o engenho descesse até as camadas internas. O único meio de estudar de perto a atmosfera joviana seria usando balões. No conto “Encontro com Medusa” o escritor Arthur C. Clarke imaginou um intrépido cyborg do futuro pilotando uma sonda balão na atmosfera joviana. O herói da ficção, capitão Howard Falcon, ficou longe da turbulência provocada pela mancha vermelha.

Mais recentemente o filme “O Destino de Júpiter” imaginou uma fábrica extraterrestre flutuante estacionada no olho do furacão. Mas é pouco provável que qualquer estrutura sólida resistisse as condições dentro da mancha vermelha. Além dos ventos os instrumentos teriam que enfrentar relâmpagos milhares de vezes mais potentes do que os existentes na Terra. Um relâmpago jupiteriano libera energia suficiente para destruir uma cidade.

Altas temperaturas também foram registradas nos polos de Júpiter, mas lá o aquecimento é provocado pela ação das auroras. Júpiter é o maior planeta do sistema solar e o seu volume seria capaz de conter 1.300 planetas iguais a Terra. Alguns astrônomos e escritores de ficção científica já sonharam com a descoberta de vida na atmosfera de Júpiter. Carl Sagan imaginou seres cheio de gás hidrogênio, como balões vivos, flutuando entre as imensas nuvens.

Todavia, se existe vida no sistema Joviano é mais provável que ela seja encontrada na lua Europa, que tem um oceano de água líquida coberto por uma capa de gelo. Além das temperaturas e dos ventos violentos, Júpiter é cercado por cinturões de radiação mortal fazendo dele um mundo proibido aos seres humanos.

 Calor: Ondas acústicas e gravitacionais aquecem a atmosfera


Calor: Ondas acústicas e gravitacionais aquecem a atmosfera

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br


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Um comentário

  1. SR. CALIFE! RESIDO EM PINHEIRAL, MAIS PRECISAMENTE NO “CAFUNDÓ”, E SENDO UM LEITOR ASSIDUO DE SUAS COLUNAS EM MATÉRIAS CIENTÍFICAS, GOSTARIA QUE V. PUBLICASSE UM ARTIGO ONDE SE PUDESSEM SELECIONAR OS MELHORES LUGARES PARA OBSERVAÇÃO DO CÉU NOTURNO, TOTALMENTE LIVRE DA QUALQUER POLUIÇÃO, PARA OBSERVAÇÃO DO CÉU EM TODO O SEU ESPLENDOR CÓSMICO. É MEU DESEJO DE HÁ MUITO TEMPO, E, POR ISSO, RECORRO À SUA AJUDA.

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