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A guerra e a perspectiva cósmica

Matéria publicada em 1 de março de 2019, 07:21 horas

 


Estado de beligerância continua a ser mantido em pleno século 21

Ponto: A Terra vista de Saturno.

“Alô, alô marciano, aqui quem fala é da Terra. Pra variar, estamos em guerra”. Era o que dizia a Elis Regina numa canção que foi sucesso na sexta década do século passado. É curioso porque o planeta vermelho, o quarto mundo a partir do Sol, sempre foi associado com Marte, o deus da guerra dos romanos. Mas na verdade quem vive em guerra são os habitantes do planeta azul, o terceiro a partir do Sol. O sucesso da Elis Regina já fez cinquenta anos, mas o planeta Terra não mudou. No final da segunda década do século 21 continuamos em guerra.
Tem a guerra civil da Síria, que anda esquecida nos noticiários, mas ainda não acabou. Tem a guerra no Iêmen, que como a da Síria envolve forças apoiadas pelos dois rivais islâmicos da região. O Irã xiita e a Arábia Saudita sunita. Em seu livro “Homo Deus” o futurólogo israelense, Yuval Harari, disse que “a guerra ficou obsoleta”. Ele não deve assistir aos noticiários da TV do seu país. Que cobrem esses conflitos e as constantes escaramuças entre israelenses e os palestinos da faixa da Gaza.
Longe de ter ficado obsoleta, a guerra está mais atual do que nunca. Depois de um breve namoro no final da União Soviética, russos e americanos voltam a se armar e a trocar ameaças. Num programa recente, a TV estatal russa listou os alvos prioritários dos misseis nucleares do seu país em caso de uma guerra com os Estados Unidos. E demonstrou que anda desatualizada ao colocar na lista três bases militares que já foram desativadas há muito tempo. Os russos andam querendo reativar até o projeto do bombardeio orbital FOBS, testado na década de 1960.
O FOBS consiste em colocar ogivas nucleares em uma trajetória orbital e desorbita-las acima de seus alvos. O que viola o tratado internacional que proíbe a colocação de armas nucleares no espaço. Infelizmente parece que Putin e Donald Trump não dão muita importância a tratados. Recentemente Trump tirou os Estados Unidos do tratado INF, que proibia os mísseis de alcance médio. Trump alega que se retirou do tratado porque ele já foi violado pelos russos.
Putin respondeu ameaçando os Estados Unidos com um novo tipo de mísseis hipersônicos.
Segundo os analistas políticos, as ameaças de Putin seriam uma tentativa de levar os Estados Unidos a renegociarem o tratado. Infelizmente elas colocam o mundo de volta aos tempos da guerra fria, quando a humanidade inteira era refém da União Soviética e dos Estados Unidos em suas ameaças de destruição mútua.
Aqui na nossa América Latina a situação também esta longe de ser pacífica. Tropas da Venezuela e opositores do regime de Nicolas Maduro andam se enfrentando na fronteira, com mais de vinte mortos até agora. Isso mostra que apesar de todo o progresso técnico, dos celulares e das redes de comunicação internacional, a humanidade não evoluiu nada nos últimos cinquenta anos. A perspectiva cósmica trazida pela exploração espacial ainda é ignorada pelos principais líderes do planeta.
É sempre bom lembrar o célebre discurso do pálido ponto azul, escrito pelo astrônomo Carl Sagan depois de ver as imagens da Terra transmitidas pela sonda Voyager. A Terra reduzida a um ponto de luz na imensidão do espaço.
“Olhe para aquele ponto de luz. Somos nós. Naquele pontinho estão todos aqueles que você ama, todos aqueles a quem conhece, todos aqueles de quem ouviu falar, todos aqueles que vivem ou já viveram. Ele é a soma de nossas alegrias e sofrimentos. Lá viveram todos os heróis e todos os covardes. Os criadores e os destruidores de civilizações. Reis e plebeus, todos os professores de moral e os políticos corruptos. Todas as celebridades e líderes supremos, cada santo e pecador da nossa história viveu naquele ponto de luz.
Pense nos rios de sangue derramados por generais e imperadores para que pudessem se tornar senhores momentâneos de uma fração daquele ponto de luz. Pense em todas as nossas ilusões de grandeza e de auto importância que são desafiadas por aquele ponto de luz”.
Sagan morreu em 1996 sem realizar seu sonho de contactar outras civilizações do espaço. Talvez porque extraterrestres inteligentes não tenham interesse algum em seres tão primitivos como nós.


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2 comentários

  1. Avatar

    O homem, assim como os outros animais de bando, tem o instinto de formar alianças, de pertencer a algum grupo, mas também o espírito da beligerância, de ter um inimigo… Os esportes são uma forma que a civilização encontrou de canalizar esse instinto. O serviço militar nunca foi algo desejado pela população comum, desde sempre, mas, uma vez lá, o guerreiro tem dificuldades em retornar à vida civil, pacata…

    Como diz um velho provérbio, dá-se um boi pra se evitar uma briga, mas ganhar uma boiada não basta para dela sair…

  2. Avatar

    Interessante observar que a imagem tirada da Terra pela Voyager a milhões de Kms, um pontinho azul, a Terra é azul disse o cosmonauta Gagárin em suas andanças no espaço acima de nós na década de 60. Tenho livros e enciclopédias dessa época, a década de 60 durante a Corrida Espacial que mostram a única imagen da Terra tirada a mais de 20 mil kms lá na década de 60 durante as missões Apollo e a mesma imagen que é a única passou por photoshop inúmeras vezes que dá para duvidar que nosso pequeno planeta azul tenha apenas essa imagem de um pequeno pontinho azul e nenhuma imagem nova feita por engenhos recém colocados no espaço para nos mostrar como a Terra de fato é e não manipulada em programas de edição de imagens com uma fotogarfia e apenas uma fotografia tirada a mais de 50 anos.

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