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A ilha, os coelhos e a pandemia

Matéria publicada em 3 de julho de 2020, 14:59 horas

 


Epidemiologistas alertaram inutilmente sobre o perigo de epidemias globais

Pode-se afirmar que a atual pandemia da Covid-19 é uma tragédia que foi amplamente prevista e anunciada. Há anos que os epidemiologistas vinham dizendo que o nosso planeta estava com as condições ideais para a propagação de doenças. Temos uma superpopulação que não para de crescer e um sistema de linhas aéreas que permitem viagens rápidas para qualquer ponto do planeta. O sujeito viaja para a Ásia, contrai um vírus novo, embarca num avião e no dia seguinte se encontra nas Américas. Espalhando a doença pelos quatro cantos do planeta. É uma das mazelas da chamada “aldeia global”.

Lucrécio, o filósofo romano do século 1, já dizia que “a religião nasce do medo e da ignorância”. E tempo de pandemia é uma época perfeita para que o povão ressuscite velhos medos e crenças. Pessoas menos informadas falam em profecias bíblicas, apocalipse e ira dos deuses. Como se estivéssemos no século 14 e não no vinte e um. Não é preciso invocar a ira dos deuses para entender como chegamos a situação atual. Existe uma experiência clássica de ecologia que explica perfeitamente o que está acontecendo no mundo.

Escolhe-se uma ilha isolada, coberta de grama e vegetação. E nesta ilha são soltos uns três casais de coelhos. Com grama e vegetação abundantes os coelhos começam a ter filhotes. Em dois meses dos seis coelhos iniciais surgem sessenta. Um semestre depois já são duzentos. E depois de um ano a população da ilha vai chegar a centenas de coelhos devido a inexistência de inimigos naturais.

Então duas coisas vão acontecer: Aquela superpopulação de coelhos vai comer toda a vegetação da ilha e vai começar a morrer de fome. E a massa de fezes e sujeira produzida por aquelas centenas de coelhos criará a ambiente ideal para o desenvolvimento de vírus e bactérias. Produzindo doenças que eliminarão aquela multidão de coelhos, baixando os níveis até reequilibrar o ecossistema.

Agora vamos transferir esse exemplo teórico para a Terra. A nossa ilha no céu. Só na China já vivem 1,6 bilhões de pessoas. Nos Estados Unidos a população chega a 700 milhões. E no mundo inteiro a população humana atinge a cifra de 7,2 bilhões de habitantes. Uma massa de gente produzindo toneladas de fezes e de urina por dia. Emporcalhando rios, lagos, oceanos. Até o papa Francisco já disse, há alguns anos, que “as pessoas precisam parar de ter filhos como coelhos”. As florestas são destruídas para ceder espaço para fazendas de soja e gado. Para produzir alimentos para os bilhões. E o resultado é a proliferação de vírus e bactérias, como na nossa ilha imaginária dos coelhos. É um mecanismo natural de equilíbrio. Ainda que o Covid-19, com sua mortalidade de 6% não seja suficiente para reduzir a população a níveis que o meio-ambiente possa suportar. O que vai gerar novas pandemias no futuro.

Não é coincidência que nos últimos 60 anos já tivemos cinco pandemias vindas da China. O país mais populoso, onde as pessoas comem tudo o que encontram, até cachorros. Em 1958 tivemos a gripe de Hong Kong, que matou um milhão de pessoas no mundo inteiro. Em 1969 foi a gripe asiática, que matou mais um milhão. No ano 2000 tivemos o SARS ou síndrome respiratória aguda e em 2009 a gripe suína, do vírus H1N1 que foi contida porque o vírus já era bem conhecido e só matou 6 mil pessoas. E agora, uma década depois, o desastre do covid-19.

Aqui no Brasil, onde nem o governo respeita o meio ambiente, temos tido uma epidemia por ano: Dengue, chikungunya, zika, febre amarela e agora o coronavírus.

No lugar de ficar culpando os deuses é hora de começarmos a olhar para o mundo onde vivemos. E repensarmos nossa relação com a natureza.

 

Superpopulação: Estamos nos reproduzindo como coelhos


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8 comentários

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    Carlinha falou tudo. Quanto ao Guto se não é ironia, ele dever ser parte do gado da direita de Volta Redonda. O Calife foi de uma felicidade total em seu texto.

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      Os próprios dirigentes dos países europeus eram ingênuos como você, contudo, agora, depois do COVID-19, eles sabem da culpa da China e Vão forçar a diplomacia de seus países na busca do endurecimento nas negociaçoes comerciais com o país asiático!

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    A população dos EUA é de 320 milhões.

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    Não sei se o tal de Guto escreve suas bobagens por pura brincadeira ou se é estúpido de fato.Gostaria que alguém me ajudasse a decifrar este enigma. Se for por estupidez, ele é muito pobre em massa encefálica coitado.

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    Virei fã de Lucrécio, é isso mesmo. Somos tentados a culpar terceiros. A responsabilidade de cada pessoa some. Natural no nosso país. Nós comportamos como criancinhas, a culpa é sempre do coleguinha. Estamos atolados nessa terra de que não dá certo, não atoa. E agora, essa pandemia só desnudou uma característica forte do brasileiro. Somos egoístas. Cada um por si deveria ser o lema da bandeira do Brasil. Ou talvez, desordem e retrocesso.

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    Os comunistas da China desmatam a floresta e invadem o habitat de animais selvagens, acabando com a natureza e aproximando as pessoas de morcegos, que geram os vírus indesejáveis! Contudo os jornais brasileiros não vêem o desflorestamento intenso ocorrido na China, estão ‘cegos’ para essa situação contra os direitos humanos!
    Os comunistas do século passado comiam criançinhas, agora comem morcego também!
    O que dizer dos comunistas chineses que foram responsáveis pela pandemia do Covid-19 se espalhar no mundo inteiro, pois demoraram mais de um mês para avisar ao mundo sobre o vírus?!
    Como diria o jornalista Boris Casoy: “Isso é uma vergonha!”…

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    Estamos vivendo um tempo parecido com os filmes e séries de fim do mundo, onde o inimigo mais perigoso não é o vírus ou uma catástrofe. O inimigo é o próprio homem com seu egoísmo e falta de empatia.

    Como resumiu bem uma bad influencer: “F*&%$-se a vida!” Subentendido que a blogueira se refere às dos outros..

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