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A insegurança sobre quatro rodas

Matéria publicada em 22 de novembro de 2016, 07:30 horas

 


Acidentes com ônibus estão virando rotina em todo o Brasil; em Volta Redonda ônibus perdeu o controle e invadiu uma passarela

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Segunda-feira passada saí da redação e encontrei o trânsito mais engarrafado do que de costume. O motivo estava em cima daquele viaduto que liga o Centro de Volta Redonda ao bairro do Aterrado. Um grande ônibus amarelo encontrava-se montado em cima da passarela de pedestres. O motorista perdera o controle ao fazer a curva e por pouco não matou muita gente. Aquela passarela vive cheia, principalmente no final da tarde, e o saldo de nove feridos poderia ter sido muito maior.

Tirando os carros de passeio, os ônibus são o meio de transporte mais inseguro que existe. É difícil passar uma semana sem que um desses coletivos não vire notícia, tombando ou colidindo com alguma coisa em nossas estradas. Em junho passado, como todos se lembram, dezoito estudantes universitários, da fina flor da nossa juventude, morreram em Bertioga quando uma dessas arapucas sobre quatro rodas tombou em uma rodovia.

Se compararmos com outros meios de transporte vamos constatar que os ônibus batem recordes de insegurança. É preciso esperar uns dez anos para acontecer um grande naufrágio com vítimas nos oceanos da Terra. Acidentes graves com aviões acontecem na média de um por ano. Idem os trens de passageiros, que são menos seguros do que os aviões, mas mesmo assim sofrem uma média de um descarrilamento a cada dois, três anos. Os ônibus batem e tombam toda semana.

Parte dessa insegurança vem do modo como esses veículos são conduzidos no Brasil e em outros países do terceiro mundo. Na Inglaterra, onde os motoristas passam por provas e treinamento rigoroso, os acidentes com ônibus são bem mais raros. Isso não acontece no Brasil. Nossos departamentos de trânsito multam em mais de trezentos reais os motoristas de carros que forem flagrados falando ao celular enquanto dirigem. Mas toleram que as empresas coloquem os motoristas exercendo dupla função de cobrador e motorista até em ônibus intermunicipais.

Outro dia uma passageira do ônibus resolveu pagar a passagem com o coletivo em movimento, ali na reta de Três Poços. E o motorista não sabia se olhava para a estrada ou para o troco da passageira. Gostaria que os nossos peritos em segurança do trânsito me explicassem porque falar ao celular é perigoso e conferir o troco de uma passagem com o veículo em movimento não é. É uma daquelas coisas insólitas que os estrangeiros não entendem no nosso país.

Situação

O tal do “cartãozinho do idoso” é outra coisa que um visitante não vai entender. Quarta-feira passada um senhor de uns 80 anos de idade, de bengala, tremendo com sintomas de mal de Parkinson, tentou entrar pela porta traseira de um ônibus ali em frente ao shopping da Vila. O motorista fechou a porta na cara dele, porque o idoso não tinha o “cartão do idoso”. É uma situação kafkiana. Não bastam as rugas no rosto, o corpo vergado pelos anos, a artrite e os tremores. Se não tiver o cartãozinho não é idoso.

No dia seguinte o trocador tentou barrar outro senhor de 75 anos que embarcara pela traseira. O idoso puxou do bolso um estatuto federal, que faculta o acesso as pessoas com mais de 70 anos e ameaçou chamar a polícia. Alegando que uma lei municipal não pode se sobrepor a uma lei federal. A discussão durou uns dez minutos, o homem se recusou a descer e a viagem prosseguiu.

Levando em conta o índice de segurança dos nossos coletivos deviam pagar um seguro de vida para os idosos que viajam neles. Não colocar obstáculos ao direito que eles têm de ir e vir. Mas isso é uma questão a ser decidida pelos nossos juristas. Que andam mais preocupados com outras coisas.

Da minha parte sempre viajo na parte traseira dos ônibus. E faço como nos aviões, memorizo a posição das portas de emergência sempre que embarco.

 

Acidente: Só a sorte evitou uma tragédia (Foto: Paulo Dimas)

Acidente: Só a sorte evitou uma tragédia (Foto: Paulo Dimas)

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br

 


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6 comentários

  1. Avatar

    O Calife pegou pesado, pois ando de ônibus desde sempre e só apenas duas vezes ônibus em que eu estava sofreu algum acidente e mesmo assim de leve, então acredito que se fosse tão inseguro era pra haver muitos mais acidentes já que tenho mais de 35 anos correto ? Este calife parece meio lesado não ?

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    E os demagogos querem que deixemos os carros na garagem a fim de desfrutarmos as delícias do transporte coletivo! Só quem não pode ou não tem juízo para sujeitar-se a tal martírio! A começar pelo prazer que as pessoas atualmente tem em ser grosseiras nos mínimos detalhes! Até para sair de um elevador tem que ser ágil, senão os brasileirinhos que estão esperando te esmagam lá no fundo! No ônibus então, se você não for firme, a onda humana te leva até a descer no ponto errado… As roletas hoje em dia parecem gaiolas, portais para o matadouro! A delicadeza da condução é outro primor! Tem que agarrar aquelas alças senão vai cair no colo de alguém… Enfim, podemos traçar o esboço de um slogan: Descubra a vida selvagem! Use o transporte coletivo!

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    Os motoristas de ônibus dirigem como se tivessem com a sogra dentro

    os pedestres desfilam na rua, nem olham pro lado. Acham que são vagalumes. coitados, no dia que forem atropelados por uma bicicleta vão parar de ser otários

    motoristas não dão setas quando devem

    cada um dirige pra si.

    fora que o secretario de transito de VR tb é um mala… não arruma a cidade

    no dia que pensarem no coletivo estas barbaridades acabam.

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    Coxinha de cidade-operária

    “Insegurança sobre quatro rodas”. Felizmente, a maior parte dos ônibus possui seis…

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      Vc já ouviu falar de figura de linguagem e licença poética?… Vc entra nos textos do cara com a deliberada intenção de espezinha-lo, coisa de gente mofina, de mal com a vida… Nem o chama mais de “Trump do Brejo”, certamente não por respeito mas sim para não associa-lo com o agora homem mais poderoso do mundo…

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    Você tem razão, Calife, mas seria interessante levantar uma estatística mostrando a quantidade de sinistros pela quantidade de usuários transportados. Todos sabemos que os ônibus transportam uma quantidade infinitamente maior de passageiros, com uma quantidade igualmente maior de viagens… Eu particularmente me sinto mais confortável num ônibus que num avião, talvez por ser um animal terrestre, mas sentir não é o mesmo que estar…

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