A interminável crise brasileira - Diário do Vale
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A interminável crise brasileira

Matéria publicada em 26 de maio de 2017, 07:00 horas

 


Relação entre políticos e empresário compromete nossa democracia; presidente da República, como de costume, nega tudo

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Ser jornalista no Brasil é uma maravilha. Toda semana temos uma crise ou um escândalo diferente para comentar. Infelizmente esse clima de crise permanente, bom para o jornalismo, é muito ruim para a economia e para o país de um modo geral. Semana passada uma gravação feita nos subterrâneos do palácio do Jaburu fez o dólar disparar e a bolsa de valores despencar. O novo escândalo envolve deputados com malas de dinheiro e uma possível mesada para calar o Eduardo Cunha. O presidente da República, como de costume, nega tudo, mas já enfrenta a grande probabilidade de não terminar seu curto governo.

A situação anda tão ruim que acabei sendo otimista, mesmo sem ter essa intenção. Há duas semanas meu irmão estava deprimido, preocupado com os efeitos das novas leis trabalhistas e da tão falada reforma da previdência. Na ocasião tentei animá-lo dizendo: “Não esquente a cabeça com isso. Esse governo do Temer só vai durar mais um ano e o próximo presidente pode mudar tudo. Principalmente se for o Lula, que vai fazer de tudo para voltar em 2018”.

Eu nem podia imaginar, há 15 dias, que o governo Temer podia acabar antes de seis meses. A nova estratégia do palácio do Planalto é desqualificar a gravação feita pelo dono da JBS (Friboi), Joesley Batista. Temer já contratou um perito para dizer que a gravação foi montada e que não serve como prova. Mas a mala de dinheiro encontrada com o deputado Rodrigo Loures, homem de confiança do presidente, não foi montagem e vai ser muito difícil sumir com essa evidência.

A pergunta que muita gente faz é como foi que chegamos a essa situação. O que a Operação Lava Jato e todas essas operações da polícia federal fizeram foi explicitar um quadro de corrupção institucionalizada que sempre existiu. Só que antes ficava tudo escondido embaixo dos panos, ou nos subterrâneos dos palácios como o famoso Jaburu de Brasília. No Brasil as campanhas políticas custam muito dinheiro. Para conseguir se eleger o político brasileiro precisa fazer alianças com empresários, que financiam todo aquele aparato de programas de televisão, viagens e comícios.

É claro que os empresários não financiam os políticos a troco de nada. Eles querem receber de volta o que investiram através de contratos superfaturados para suas empresas. E com isso o político brasileiro deixa de agir em nome do povo, que o elegeu e vira um agente dos empresários. Vejam o caso dos irmãos Batista, algozes do Michel Temer. Com ajuda generosa do BNDES, durante os governos Lula e Dilma eles transformaram um frigorífico desconhecido em uma poderosa multinacional. Dona da marca Friboi que vivia sendo apregoada por astros de novelas na televisão.

É claro que essa ajuda do governo era uma contrapartida pelo financiamento que a empresa deu, através de caixa 1 e caixa 2, para as campanhas de inúmeros deputados, senadores, e até presidentes. A tal mala de dinheiro, encontrada nas mãos do deputado Rodrigo Loures, segundo os delatores, seria parte de uma mesada generosa, uma gorda aposentadoria que a JBS teria prometido ao presidente da República. Aquele mesmo presidente que quer obrigar o cidadão brasileiro a trabalhar durante 45 anos para conseguir uma aposentadoria comum, que não chega nem perto dos 500 mil reais contidos na mala.

Com isso nossa classe política encontra-se totalmente desacreditada e vai ser difícil, muito difícil, encontrar candidatos não comprometidos com todos esses escândalos, para disputar a próxima eleição. No Brasil o eleitor vive tão desmotivado que precisa ser obrigado a votar. Levado como gado para as zonas eleitorais. E o resultado desse voto obrigatório, exercido por uma população ignorante e desmotivada são esses políticos corrompidos que vemos nos noticiários.

Para sair dessa eterna crise precisamos não só de novos políticos, mas de eleitores conscientes. Algo que não se consegue de uma hora para outra.

Epicentro: Novo terremoto começou no palácio do Jaburu

Epicentro: Novo terremoto começou no palácio do Jaburu

 

JORGE LUIZ CALIFE | [email protected]


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Um comentário

  1. Discordo de um ponto do artigo: a corrupção sempre existiu no Brasil, mas nos níveis que vimos nos últimos anos, esta é criação do PT. Não, não é só o fato dos escândalos estarem sendo apurados e de antigamente estarem debaixo do tapete. O que a operação Lava Jato está revelando é a corrupção elevada a estado de arte, aperfeiçoada em 13 anos de desastre econômico e moral. Este é o maior escândalo de corrupção já registrado na história do ocidente, cujos desdobramentos levaram o país à maior depressão econômica da história do país. Algum petista duvida? Pode pesquisar na internet e confirme com os próprios olhos que nunca o PIB diminuiu por 3 anos consecutivos, nem mesmo na crise de 1929. Enquanto formos dominados por esta hegemonia intelectual de esquerda, que idolatra o socialismo e o desenvolvimentismo; enquanto confiarmos no Estado como a solução de todos os nossos problemas; o Brasil não corre o menor risco de dar certo. A mudança começa no panorama intelectual, mais liberdade econômica e menos Estado, que só serve para roubar do mais pobre para dar aos mais ricos, seja através de crédito subsidiado para megaempresários, aposentadorias generosas para ricos servidores públicos, universidades gratuitas para filhos de ricos, etc – ou através do roubo puro e simples.

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