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A lucrativa morte dos super-heróis

Matéria publicada em 3 de maio de 2019, 10:39 horas

 


Morrendo e ressuscitando eles ajudam a vender revistas e filmes milionários

Supergirl: Sua morte também foi temporária

“Os super-heróis morrem e ninguém se importa”, ninguém se importa porque é tudo uma jogada de marketing. Os fãs de quadrinhos e de cinema correm para ver a batalha final de fulano ou fulana, a Marvel e a DC Comics ganham um monte de dinheiro com isso. Depois eles ressuscitam o herói morto em outro filme ou história em quadrinhos, que também rende um monte de dinheiro. Foi assim com o Superman, a Supermoça e agora com alguns dos personagens dos Vingadores.
Todos eles são marcas que rendem dinheiro de muitas maneiras, como através de camisetas, jogos, bonequinhos, máscaras e etc. Nenhuma editora ou estúdio de cinema vai eliminar um personagem, como o Homem Aranha, que rende uma fortuna em filmes e produtos franquiados. Ele pode morrer temporariamente para alavancar o interesse em algum filme, como o último Vingadores, mas logo esta de volta através de um reboot ou algum outro recurso como o velho clichê da viagem no tempo.
O primeiro escritor que tentou “matar” definitivamente um personagem de sucesso foi Arthur Conan Doyle. Ele estava saturado com o sucesso do detetive Sherlock Holmes, seu herói mais popular. Na verdade o escritor gostava mais de outro personagem, o professor Challenger. Um dia Doyle escreveu a última aventura do Sherlock. Onde o detetive morria despencando nas cataratas de Niágara junto com seu arqui-inimigo. Mas o público exigiu sua volta e Doyle arranjou um jeito do herói aparecer são e salvo do outro lado do rio.
Outro caso conhecido foi o da Supermoça, a loira prima do Super Homem. Na década de 1980 a DC Comics tinha um diretor que detestava a loirinha e resolveu elimina-la de uma vez por todas. O roteirista Marv Wolfman tinha bolado uma história épica, a “Crise nas infinitas Terras” onde heróis menos populares, como a Supergirl e o Flash morreriam lutando contra um supervilão.
A série de revistas foi um sucesso e um dos números mais vendidos foi o da morte da Supermoça. Com a capa onde seu primo mais famoso aparecia carregando nos braços o corpo da heroína abatida. No final da “crise” o Universo da DC foi reescrito. E a Super moça não só tinha morrido como nunca existira na nova linha de tempo, mas os fãs e os próprios roteiristas se recusaram a esquecê-la. E começaram a criar histórias onde a loira vivia em uma realidade alternativa ou viajava no tempo desde o passado para o futuro. No final a editora desistiu e ressuscitou a personagem, junto com o Flash, aí por volta de 2004. Desde então o casal deletado nos anos 80 tem estrelado series de TV de sucesso.
O Super Homem também morreu, tanto nos quadrinhos quanto no cinema. Para ressuscitar rapidamente alguns anos depois. Com o recurso da viagem no tempo é possível mudar tudo o que aconteceu em filmes e histórias anteriores e nenhum desfecho é definitivo. Foi o caso da primeira serie do Planeta dos Macacos. Charlton Heston, astro do primeiro filme, era contra continuações. E só concordou em filmar “De volta ao planeta dos macacos” se o planeta explodisse no final matando todos os personagens. O roteirista obedeceu. Mas o filme foi um sucesso e a Fox exigiu uma continuação.
O roteirista Paul Dehn foi o primeiro a apelar para o recurso da viagem no tempo. Ele colocou três macacos dentro de uma nave, fugindo da explosão do planeta. E viajando de volta para 1970 onde eles alteram a história. Salvando seu mundo no futuro.


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2 comentários

  1. Avatar

    As pessoas adoram viver ao som da ficção, a exemplo das fantasias religiosas. Isto, parece, dá-lhes a sensação de que a existência humana pertence à mesma categoria ilusória. Aliás, o super-heroi, na verdade, não morre; mesmo porque ele não existe.

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