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A mudança climática e a tormenta de Porto Alegre

Matéria publicada em 4 de fevereiro de 2016, 17:42 horas

 


Meteorologistas ainda não sabem o que atingiu a cidade; cerca de três mil árvores foram derrubadas

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Os meteorologistas continuam perplexos com a tormenta que arrasou Porto Alegre. Ventos de 120 quilômetros horários varreram a capital gaúcha na noite do último dia 29 de janeiro. Três mil árvores foram derrubadas em toda a cidade e os postes que sustentam a rede elétrica foram para o chão. Três dias depois da tempestade cerca de 12 mil imóveis continuavam sem luz e a prefeitura estima que vai levar semanas para consertar os estragos, que danificaram vários hospitais e emergências da cidade.

Os moradores estão atônitos. Nunca tinham visto uma tempestade com ventos tão violentos. Ouvidos pelo Jornal Nacional os meteorologistas não conseguiram precisar o que foi que atingiu a cidade naquela noite de sexta-feira. Falaram em tornado, microexplosão e microcélula. A televisão mostrou árvores enormes, como um eucalipto, que o vento arrancou pela raiz. Pela extensão dos estragos já podemos ver que não foi um tornado. Os tornados atingem uma área estreita, eles formam uma trilha de destruição que poderia atingir vários bairros, mas não afetaria uma cidade inteira.

A microexplosão é outro fenômeno localizado. Ele é um vento vertical, de cima para baixo, que ocorre embaixo de nuvens cumulus nimbus. As cumulus nimbus são aquelas nuvens de tempestade que parecem uma bigorna no horizonte. Elas atingem alturas muito grandes, chegando a 12, 13 mil metros de altura. Como o ar nessa altitude é muito frio as cumulus nimbus podem produzir chuvas de granizo, que não foram registradas em Porto Alegre.

A microexplosão acontece quando os ventos dentro da cumulus nimbus sopram para baixo em alta velocidade. Eles são muito perigosos para a aviação porque podem derrubar um grande avião de carreira. Vários desastres aéreos nos Estados Unidos foram atribuídos a microexplosões que aconteceram perto das cabeceiras das pistas dos aeroportos.

Todavia, como o tornado, a microexplosão é um fenômeno localizado que atinge uma área de menos de quatro quilômetros de diâmetro e não poderia derrubar postes, telhados e árvores em uma cidade inteira. Alguns especialistas imaginam que vários tornados tenham se formado por cima do Rio Guaíba e avançado sobre a cidade. Como a cidade não tem radares meteorológicos não foi possível registrar o fenômeno.

Temperatura

O que se sabe vem de imagens dos satélites meteorológicos. Eles mostram uma forte tempestade sobre a cidade, formada quando uma massa de ar quente colidiu com uma massa de ar frio. Naquela sexta-feira a temperatura em Porto Alegre tinha chegado aos 40 graus centígrados. Uma temperatura comum no verão do Rio de Janeiro, não de Porto Alegre. Desde 1992, quando o Rio de Janeiro sediou uma das primeiras conferências mundiais sobre o clima, a RioEco92, que os cientistas têm avisado sobre o aumento das tempestades violentas. O Brasil era um país que não conhecia tornados, furacões e outros ventos extremos. Em 2004 tivemos o Catarina, o primeiro furacão a se formar no Atlântico Sul. Ele atingiu a costa de Santa Catarina e provocou um pânico semelhante ao de sexta-feira passada.

De lá para cá várias cidades do interior de São Paulo e do Paraná foram arrasadas por tornados. O que está de pleno acordo com a teoria do aquecimento global. À medida que a temperatura média do planeta sobe, os oceanos se aquecem. O que aumenta a intensidade e a frequência das tempestades.

Faz cinco anos que uma supertormenta atingiu nosso estado, matando mais de mil pessoas na região serrana.

Vivemos as consequências de uma civilização viciada em combustíveis fósseis. Apesar de todo o investimento em fontes alternativas de energia ainda queimamos petróleo e gás natural para mover automóveis, caminhões, trens e aviões. E o resultado são esses fenômenos de clima extremo, cada vez mais frequentes.

Devastação: Árvores gigantes tombaram com a força do vento (Foto: Arquivo)

Devastação: Árvores gigantes tombaram com a força do vento (Foto: Arquivo)

 

 

MARIO SÉRGIO| mariosergio@diariodovale.com.br


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2 comentários

  1. Avatar

    >>>>>>>> EXISTEM VARIOS TIPOS DE HERBICIDAS QUAIS SE PULVERIZAM AS CULTURAS ENTRE FRUTAS E CEREAIS E OUTROS…. MAS EXISTE UNS HERBICIDAS QUE QUANDO PULVERIZADO EM CERTAS CULTURAS MATAM TODAS ERVAS DITAS DANINHAS DEIXANDO SOMENTE A CULTURA ESCOLHIDAS NO PLANTIO A VONTADE PARA PRODUZIR FRUTOS APARENTANDO AGRADABILIDADE AOS OLHOS …… ESTE TIPO DE CULTURA PODEM TALVEZ TRAZER DANOS AO MEIO AMBIENTE EM GERAL…. A NATUREZA VIVE DE TROCA ENTRE MAR FLORESTAS .. ROCHA DO VENTO ETC TRAZENDO OS GASES ORIUNDO DE SERES QUAIS VIVEM E MORREM E TRAZEM PARA A TERRA ENRIQUECENDO-A E POSTERIORMENTE LEVANDO ESTE DE NOVO AO MAR REFAZENDO CONSECUTIVAMENTE O CICLO….. HAVEMOS DE OBSERVAR ISTO…. PORQUE TALVEZ ESTA A RESPOSTA

  2. Avatar

    Curioso é que a zona mais afetada pelas tormentas tem sido o Sul do país, ponto de convergência da Corrente do Brasil, quente, com a massa de ar que chega da Patagônia, fria… Na mesma latitude, só que no Hemisfério Norte, temos a Corrente do Golfo se chocando com a massa de ar ártica, provocando os prejuízos que todos conhecem… O que pode ter acontecido é que as mudanças climáticas trouxeram eventos que antes aconteciam em alto-mar para o continente, e muitas dessas mudanças nada ou pouco tem a ver com a intervenção humana no planeta, que é mutante e cíclico desde sempre…

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