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A Olimpíada das capivaras

Matéria publicada em 23 de agosto de 2016, 07:30 horas

 


Animais assombram e assustam os estrangeiros no campo de golfe; maioria não se incomodou com elas

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Yes, nós temos capivaras! E os gringos que vieram ao Rio de Janeiro para as Olimpíadas descobriram isso sem qualquer preparação. Os roedores vivem em uma área de proteção ambiental em Marapendi, onde fica o campo de golfe da Rio 2016. Entre uma tacada e outra os golfistas acabaram cercados pelas capivaras. Sem saber o que era eles comentaram que pareciam “hamsters gigantes”. O jornal Los Angeles Times explicou aos seus leitores que elas são “criaturas estranhas, do tamanho de um porco”. Outro site de notícias definiu a capivara como “um cruzamento entre um esquilo e um porco”.

A maioria dos golfistas estrangeiros não se incomodou com elas. Tanto que o britânico Justin Rose conseguiu um feito inédito, o “hole in one”. Quando o golfista consegue acertar a bola no buraco com uma única tacada. Há mais de cem anos que o golfe não participava dos Jogos Olímpicos. Ele esteve presente na Olimpíada de Paris, em 1900, e nos jogos de Saint Louis em 1904. A volta foi no Rio de Janeiro, em um campo cheio de capivaras.

A reação dos estrangeiros diante das capivaras brasileiras rendeu um material muito interessante sobre a psicologia humana diante do desconhecido. Alguns adoraram a visão dos bichos e disseram que iriam ao golfe olímpico só para ver as capivaras. Mas outros ficaram com medo. Um americano postou o seguinte comentário na internet: “Não sei como esses caras podem jogar golfe cercados de capivaras. Eu já as vi pessoalmente e elas são aterrorizantes”.

É um caso que devia ser estudado pela Nasa. Se os americanos acham as capivaras “aterrorizantes” como eles vão reagir quando fizermos contato com criaturas de outro planeta? Principalmente se o alienígena tiver uma aparência assustadora, como no filme “Super 8” ou no novo filme da Amy Adams, cujo trailer está passando na internet. Podemos começar uma guerra interestelar motivada apenas pelo medo, pela incapacidade de aceitar o que é diferente. O que teria consequências desastrosas para a humanidade. Afinal, o dia em que extraterrestres desembarcarem na Terra vai ser como a descoberta da América. Só que os índios seremos nós.

Contato

Pessoalmente já tive vários contatos imediatos com as “aterrorizantes capivaras”. Elas são comuns lá em Pinheiral, tanto na margem do Rio Paraíba quanto no Cachimbal. Geralmente são inofensivas, e se afastam quando alguém se aproxima. A menos que estejam com filhotes. Em dezembro de 2012 o meu cachorro, o Branco, quase morreu depois de ser atacado por capivaras. Não vi o ataque e não sei qual foi o motivo. Mas o Branco chegou em casa com ferimentos profundos no corpo todo, característicos daqueles dentes dianteiros da capivara.

O problema é que o dente da capivara é cheio de bactérias. Todos os ferimentos do Branco infeccionaram, mesmo depois de limpos com água oxigenada e rifocina.

O quadro foi se agravando e depois de alguns dias meu amigo não conseguia mais comer nem beber água. A salvação foi um antibiótico potente, que o veterinário administrou junto com o soro. Depois desse incidente o Branco aprendeu a lição e não se envolveu mais com os roedores do Paraíba.

Outra capivara avançou na direção do meu vizinho, que teve que recuar. Mas a agressividade delas não é típica. As capivaras de Marapendi estão acostumadas com a presença dos seres humanos e nem se incomodaram com os golfistas e seus tacos. Um jornal canadense saiu em defesa delas dizendo que “eram os golfistas que estavam visitando as capivaras e não o contrário”. O fato é que a Olimpíada terminou e não houve nenhum incidente.

Foi um exemplo de como devemos lidar com formas de vida estranhas e desconhecidas. Que pode ser muito importante no futuro da nossa espécie.

 

Capivara: Golfistas tiveram uma experiência diferente (Foto: Arquivo)

Capivara: Golfistas tiveram uma experiência diferente (Foto: Arquivo)

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br


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3 comentários

  1. Avatar

    GOSTEI DO CORTE DE CABELO ANOS 20 CALIFE.

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    Se uma capivara assusta, imagine se fossem ratões-do-banhado, que só existem em SP e no Sul do país. É uma capivara com rabo…

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    Os jogadores deram sorte. Melhor serem visitados pelas capivaras do que pelos traficantes.

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