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A primeira mulher na Lua e a computação gráfica da Nova Zelândia

Matéria publicada em 6 de março de 2015, 06:27 horas

 


Curta metragem da heroína Connie Radar faz sucesso nos festivais

mulhernalua

Sucesso: Computação gráfica criou a Lua e as espaçonaves (Foto: Divulgação)

Um pequeno curta metragem, criado por estudantes de computação gráfica da Nova Zelândia está fazendo sucesso na internet e nos festivais de cinema. É “Over The Moon” do diretor James Cunningham que dá vida a uma obscura heroína dos quadrinhos. A doutora Connie Radar, Phd, a primeira mulher a pisar na Lua. Uma criação do desenhista de quadrinhos Karl Willis que era conhecida apenas pelos frequentadores do blog do autor. Até ganhar vida e formas na pele da atriz Anna Jullienne que parece perfeita para o papel.

O filme tem sete minutos e quatorze segundos de duração e sua produção mobilizou 15 alunos da Media Design School neozelandesa. Sob a orientação de Cunningham os estudantes trabalharam 23 semanas, cerca de 18 mil horas, para criar as naves e os cenários espaciais. Que depois foram acrescentadas as imagens dos atores, filmadas diante da tela verde. O esforço valeu a pena e o curta metragem já concorreu a vários prêmios, foi mostrado na Comic Con de San Diego, no Festival de Curta Metragem de Aspen no Colorado, no SCI FI Festival de Londres e no SCI FI Film Festival da Austrália.

Não há dúvida de que os estudantes da Media Design School estão com um futuro garantido no mundo do cinema. E o criador da obscura Connie Radar não vai mais ter problemas para vender as divertidas tiras da personagem para jornais do mundo inteiro. Connie Radar é uma história em quadrinhos de um futurismo retrô, bem humorada e passada em um mundo alternativo, onde todos aqueles sonhos dos anos de 1950 tornaram-se realidade.

A heroína feminista é uma jovem cientista e astronauta que viaja pelo sistema solar com seu robô Julius. Um enorme boneco de lata cuja cabeça é um cérebro dentro de um aquário de vidro. Connie construiu Julius e sua colorida espaçonave que parece uma mistura de foguete com um bombardeiro B-29 da Segunda Guerra Mundial. Pela cronologia da história ela desceu na Lua em 1957, no ano em que os russos lançaram o Sputnik e ficou morando lá com seu robô.

O filme salta para 1969 e mostra Connie em guerra contra os astronautas da Apollo. Homens que querem descer na Lua em nome do presidente Richard Nixon. Depois de uma batalha espacial a nave da heroína é danificada e ela precisa pedir ajuda aos astronautas. Típicos cowboys do espaço que tomam posse do satélite natural da Terra plantam a bandeira dos Estados Unidos e depois partem para fazer um churrasco.

“Over The Moon” é uma aula para todos os jovens que sonham em aprender a arte dos efeitos especiais e entrar para o mundo mágico dos filmes do primeiro mundo. Com os computadores e recursos modernos é possível produzir um filme curto, com um visual hollywoodiano, mostrar na internet e chamar a atenção dos grandes estúdios. Foi assim que diretores de cinema hoje famosos, como Peter Jackson e Neill Blomkamp começaram. Não é a toa que a Nova Zelândia é o país sede de um dos maiores estúdios de efeitos especiais e computação gráfica do planeta, o Weta, que foi criado para produzir os efeitos da trilogia do Senhor dos Anéis.

O Brasil ainda está engatinhando nessa tecnologia por falta de incentivos e de estímulos. Tenho um amigo, no Rio de Janeiro, que há décadas sonha em produzir um filme de computação gráfica e participar de festivais de cinema. Já mandei para ele uma cópia do “Over The Moon” com um comentário: Esse é o caminho, não adianta sonhar com longas metragens de custo milionário. Faça como os estudantes da Nova Zelândia, crie um curta-metragem divertido e bonitinho e mostre na internet. E a porta de entrada para o primeiro mundo.

Quanto a aventura espacial da doutora Connie, ela pode ser vista no Youtube e no site do Space.Com.

 Jorge Luiz Calife

jorge.calife@diariodovale.com.br

 

 


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