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A religião e o ódio contra aqueles que são diferentes

Matéria publicada em 4 de outubro de 2016, 13:58 horas

 


Terrorismo moderno é só a última face de uma prática muito antiga; melhoramos muito, apesar das religiões e dos livros sagrados

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No dia 17 de setembro passado várias bombas de fabricação caseira explodiram na cidade de Nova York, que já viu atentados bem mais destruidores. Uma bomba feita de cano detonou no Seaside Park. Outro artefato, feito com uma panela de pressão, explodiu na Rua 23 do bairro Chelsea ferindo 33 pessoas. Vinte e quatro tiveram que ser hospitalizadas. A polícia logo prendeu o autor dos atentados, o imigrante afegão Ahmad Khan Raham e no bloco de anotações do terrorista encontrou a frase “matar os kuffar”. Kuffar se refere aos que não acreditam, os infiéis.

Raham era simpatizante da rede terrorista Al Quaeda. Cujo falecido líder, Osama bin Laden defendia a guerra santa contra aqueles que pensam diferente. Infelizmente esse tipo de concepção, que condena a morte do outro, aquele que não segue nossa religião, não é um fenômeno moderno, nem isolado. Não está restrito aos grupos terroristas islâmicos. Aparece também nos grupos neonazistas e nos grupos homofóbicos. Até nas escolas o bullying é motivado pelo ódio contra aqueles que não são como nós. Contra aqueles que são diferentes.

É uma prática antiga na história humana. O falecido Carl Sagan escreveu horrorizado sobre os massacres descritos na Bíblia, que falam do extermínio de outros povos que viviam na “terra prometida”. Tudo executado sem remorso por supostos “homens de Deus”. Peço licença para reproduzir aqui as palavras de Sagan no capítulo 16 de seu “best seller” “O mundo assombrado por demônios”:

“Em José e na segunda metade de Números, celebra-se o assassinato em massa de homens, mulheres, crianças e animais domésticos em inúmeras cidades por toda a terra de Canaã. Jericó é arrasada num kheren, uma guerra santa. Não se consegue tirar da Sagrada Escritura nem um vestígio de sentimento de culpa, nem um resmungo de inquietação patriarcal ou divina com essas campanhas de extermínio. Em vez disso José “destruiu tudo o que respirava, como o Senhor Deus de Israel havia ordenado” (José 10:40)”.

Ou seja, aquilo que Osama bin Laden chamada de jihad, também era prática comum entre o povo de Israel. Está na Bíblia, que boa parte da humanidade usa como exemplo para a conduta e o comportamento humano. Mas os massacres e os genocídios não são um crime que mancha a história apenas de judeus, cristãos e muçulmanos. Também faz parte da história de outros povos.

Um estudo antropológico que examinou as crenças religiosas de dezenas de povos do nosso pobre planeta descobriu um dado interessante. Aqueles que acreditam em deuses que moram no céu são os mais cruéis e intolerantes que os outros, com aqueles que pensam diferente. E podemos incluir aí nesse saco os maias da antiga América do Sul, que arrancavam o coração de seus prisioneiros em altares para saciar a sede de sangue de seus deuses celestiais.

Em seu livro “Deus não é grande” Richard Dawkins apresenta uma explicação para esse comportamento bestial.

“Deus não criou o homem a sua própria imagem, foi o contrário”. De fato a maioria das religiões imagina um Criador com base nos reis e déspotas da antiguidade. Daí a intolerância e os crimes cometidos em nome deste Deus cruel, que precisa ser bajulado e adorado como um Faraó ou um imperador da antiguidade. “As consequências disso são a profusão de deuses e de religiões, e as guerras entre e no interior dos credos que retardam o desenvolvimento da civilização”.

Melhoramos muito, apesar das religiões e dos livros sagrados. Matar as hereges e os infiéis já é considerado crime na maioria das sociedades civilizadas. Mas de vez em quando, aqui e ali, a intolerância homicida ainda ergue a sua face cruel.

 

 11 de setembro: O massacre daqueles que pensam diferente


11 de setembro: O massacre daqueles que pensam diferente

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br


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6 comentários

  1. Avatar

    Esse cara não sabe neda de Cristianismo, o Cristão verdadeiro não tem ódio, tem amor, não acusa, antes perdoa, mas sabe que tem a obrigação de falar a todos sobre o evangelho de Jesus Cristo, da salvação e da conquista da vida eterna, isso é ordenança do próprio Jesus, mas escute quem quiser.

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    Esse planeta seria impossível sem um grande arquiteto por trás, Deus seja louvado!!

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      Com todo o respeito, Sábio, presumo que este arquiteto errou vergonhosamente nos seus cálculos, para que tanta coisa tenha dado errado.

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    PREZADO COLUNISTA CALIFE! DEVO PARABENIZÁ-LO PELO TEXTO ACIMA, NÃO SÓ PELA OBJETIVIDADE DOS FATOS, COMO TAMBÉM PELA CITAÇÃO DE DOIS GRANDES CIENTISTAS: CARL SAGAN E RICHARD DAWKINS, VALENDO MENCIONAR QUE ESTE ÚLTIMO NÃO É O AUTOR DO EXCELENTE LIVRO “DEUS NÃO É GRANDE”, E, SIM, CHRISTOPHER HITCHENS. PORÉM, ISTO NÃO LHE TIRA O MÉRITO DO ENSAIO. POR FIM, TENDO EU CONSCIÊNCIA DE QUE O RELIGIOSO-CRIACIONISTA É, POR NATUREZA, DOTADO DE UMA MENTE ABSURDA, HAJA VISTA O AVANÇO DA CIÊNCIA NO MUNDO MODERNO, A QUAL DERRUBA, DE FORMA CRUEL, QUALQUER CRENÇA EM SERES DIVINOS E MISERICORDIOSOS, ACONSELHO, SE ME PERMITEM OS CRÉDULOS, A TER CONTATO COM “O PÁLIDO PONTO AZUL” DE CARL SAGAN (YOU TUBE).

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    Querer comparar bulyng , criminalização de opinião e ódio muçulmano com outras religiões não é justo.é relativismo achar que todos são iguais e fazem a mesma coisa.

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    CARO JORGE CALIFE, LAMENTO TE DIZER, POIS TE VEJO MUITO CULTO, PORÉM, DE BÍBLIA O NOBRE COLUNISTA NÃO ENTENDE NADA. A BÍBLIA LIDA SEM O ESPÍRITO SANTO É UM LIVRO DE HISTÓRIA APENAS, COMO OUTRO QUALQUER, E LEVA A ESSE TIPO DE ENTENDIMENTO. COM A REVELAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO É A BOCA DE DEUS. A CIÊNCIA DO MUNDO É LOUCURA DIANTE DE DEUS. O TEMA CENTRAL DA BÍBLIA É O AMOR. QUEM AMA CUMPRE A LEI DE DEUS.

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