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A roupa e as mulheres no espaço

Matéria publicada em 2 de abril de 2019, 07:49 horas

 


Passeio espacial feminino foi cancelado por falta de traje adequado

 

Mudança: Hague (direita) substituiu McClain (centro)

A agência espacial americana, NASA, teve que cancelar um feito inédito devido a um problema com o vestuário feminino. Sexta-feira passada, duas mulheres astronautas deviam ter saído da Estação Espacial Internacional para trocar uma bateria no lado externo. Mas a astronauta Anne McClain teve que ser substituída por um homem, devido à falta de trajes espaciais de tamanho médio. Atualmente só existe um em condições de funcionamento na ISS, por medida de segurança os astronautas trabalham em duplas quando realizam consertos do lado de fora da estação espacial. A NASA pretendia ter uma dupla de mulheres passeando no espaço, McClain e sua colega Christina Koch, mas desistiu devido ao problema com os trajes.

O vestiário usado na ISS é chamado de MEU, sigla em inglês de Unidade Extraveicular Móvel. Feito com peças padronizadas, que incluem as calças que chegam até na cintura, o torso, que cobre o peito e as costas, com os braços, o capacete, as luvas e as botas. Quando esse traje foi projetado, no início da década de 1980, existiam poucas mulheres no programa espacial. Por isso que a maioria deles foi confeccionado de tamanho grande, para acomodar os homens altos e corpulentos que costumam entrar para o corpo de astronautas. Os trajes menores, adequados para as mulheres, são mais escassos.

Atualmente só existem dois trajes de tamanho médio, adequados para as dimensões femininas na ISS, mas um deles não se encontra em condições de uso. A NASA queria dar o traje menor para Christina e colocar Anne McClain num traje grande. Mas ela percebeu que não ficaria confortável. Uma caminhada no espaço pode durar horas e é preciso que o astronauta se ajuste bem dentro do traje. Se a roupa for muito grande e folgada o usuário não consegue enxergar direito o painel de instrumentos que fica pregado no peito. E controla coisas como a refrigeração do traje.

Anne McClain explicou o problema para o centro de controle e foi substituída pelo astronauta Nick Hague.  Ex-piloto de helicópteros, Anne McClain faz sua primeira viagem ao espaço e exerce as funções de engenheira. Desde o início das viagens espaciais, há 60 anos, que as mulheres enfrentam obstáculos para participar da maior aventura da humanidade. Durante as primeiras missões tripuladas da NASA, o projeto Mercury, um grupo de mulheres aviadoras passou em todos os testes físicos, mas teve negado seu acesso ao espaço. Com isso a antiga União Soviética entrou para a história ao enviar a primeira mulher da história para uma missão espacial. A paraquedista Valentina Tereskhova.

A repercussão mundial provocada pelo voo de Valentina levou os lideres do programa soviético a planejar uma missão com três mulheres a bordo de uma nave Voskhod. Mas o projeto foi cancelado depois que o Voskhod 2 apresentou problemas durante o voo com os cosmonautas Alexei Leonov e Pavel Belyaiev. Mesmo assim a primeira mulher a sair de uma nave e passear no espaço foi uma russa, Svetlana Savitskaya, em 1984, a bordo de uma antiga estação espacial Salyut.

Na semana passada o vice-presidente americano Mike Pence deu instruções a NASA para que antecipe o retorno das viagens a Lua. Ele quer americanos andando na Lua já em 2024 e não em 2028, como estava planejado. Será mais uma oportunidade para as mulheres fazerem história. Na época das missões Apollo, entre 1969 e 1972, só havia homens no programa espacial americano. Até hoje nenhuma mulher andou pela superfície poeirenta da Lua, o que pode mudar se as missões forem retomadas em 2024. Afinal há várias mulheres sendo treinadas para pilotar a nova espaçonave Orion.

Espera-se que até lá já tenham resolvido o problema com as roupas.


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