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A Superlua que nós não vimos

Matéria publicada em 18 de novembro de 2016, 07:00 horas

 


Chuvas e céu nublado impediram observação do fenômeno; outra lua igual só em 2034

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Meus vizinhos ficaram frustrados porque não viram a superlua. Tiveram que se contentar com as imagens transmitidas pela televisão de outros locais mais ensolarados. A maior lua cheia dos últimos 68 anos brilhou nos céus do mundo na noite da última segunda-feira. Mas aqui na região sudeste fomos brindados com a maior chuvarada dos últimos anos. Choveu sem parar de domingo a terça-feira e não dava para ver nem uma estrelinha no céu, quanto mais uma lua cheia gigante.

Uma pena, já que outra lua igual só em 2034. Tarde demais para a minha vizinha que tem mais de 70 anos. Como a televisão explicou muito bem, a órbita da Lua tem uma forma oval (elíptica como dizem os astrônomos) e a superlua acontece quando a lua cheia coincide com o ponto mais próximo da órbita. Quando a lua está no perigeu (ou perilúnio se o leitor quiser ser pedante) da sua órbita. O que aconteceu na segunda-feira foi que a lua estava neste ponto mais baixo de sua órbita, a apenas 356 mil quilômetros da Terra. Normalmente ela fica a 384 mil quilômetros de distância.

Em consequência desta distância mínima ela ficou 14% maior e 30% mais brilhante, segundo dados da agência espacial americana Nasa. No Sul Fluminense as nuvens estavam tão densas que não deu nem para ver o luar iluminando o céu encoberto. Mas na terça-feira o tempo abriu por volta das 21h e a lua apareceu, já no início de sua fase minguante. Ainda parecia bem grande porque não estava tão distante assim do ponto mais próximo de sua órbita. Órbita que ela leva 29 dias para percorrer.

Observação

Sempre que o tempo ruim estraga algum espetáculo celeste, como um eclipse lunar, lembro-me do meu amigo Ronaldo Mourão. Que foi diretor do Observatório Nacional do Rio de Janeiro. No século passado o Observatório Nacional foi o centro da pesquisa astronômica no Brasil. Mas o crescimento da cidade em volta do prédio, que fica no bairro de São Cristovão, trouxe a poluição luminosa, impedindo qualquer trabalho sério de observação.

Nos anos de 1970 o observatório comprou um telescópio novo, um refletor com 1,60 de diâmetro e procurou um lugar melhor para instalá-lo. Ronaldo Mourão defendia a instalação do telescópio nos Andes, perto dos observatórios europeu e americano que existem por lá. Mas foi voto vencido e o novo telescópio foi instalado no Pico dos Dias, em Brasópolis, Minas Gerais, onde chove quase tanto quanto aqui na nossa região.

Inaugurado em 1980 o observatório sempre sofreu com a grande quantidade de dias nublados. Que impede que o telescópio seja usado por boa parte do ano. Por causa da discussão Mourão virou “persona non grata” na comunidade astronômica brasileira. Mas ele tinha razão e hoje, a maioria dos astrônomos brasileiros faz suas observações em La Silla, nos Andes chilenos. Onde o céu é sempre claro e nunca chove.

De qualquer forma não fiquem desapontados caros leitores. A lua cheia normal tem todo mês e se vocês observarem o nascimento da lua, quando ela aparece sobre as montanhas no horizonte, a refração da luz pela atmosfera faz com que ela apareça maior, como se fosse uma superlua. Aqui mesmo, em Pinheiral, já vi umas luas cheias espetaculares, quando ela aparece vermelha como o planeta Marte, surgindo no horizonte.

Para os românticos não faz diferença nenhuma se é superlua ou lua normal. Para os astrônomos amadores a lua cheia é a pior época que existe para observar a Lua. Porque o sol está batendo direto na superfície do satélite natural da Terra e todas as sombras e detalhes desaparecem. Mas voltarei ao assunto na segunda-feira.

Bela: Perto do horizonte a lua parece ainda maior

Bela: Perto do horizonte a lua parece ainda maior

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br


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3 comentários

  1. Avatar

    Ah Calife,embora suas matérias sejam sempre entediantes,eu faço questão de ler para aproveitar a oportunidade de me alegrar com as coisas hilárias que encontro nelas, do tipo: noites “ensolaradas” ou as idosas que provavelmente não viverão por mais de 90 anos(tá sabendo muito héim) e também pra saber como vai as suas observações pela cidade.Kkkkkkkk

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    Ensolarados??? Hum… explique melhor!!!

  3. Avatar

    Se ela aparecesse quadrada ou de cor verde-azulada, aí sim seria um fenômeno notável e intrigante… Nesse caso da “Super Lua”, a maioria das pessoas sequer notaria a diferença se ninguém comentasse…

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