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A triste novela do programa espacial brasileiro

Matéria publicada em 22 de março de 2019, 08:49 horas

 


Acordo assinado por Bolsonaro ainda precisa ser chancelado pelo Congresso

VLS – O foguete brasileiro que explodiu em 2003

A história frustrada das ambições espaciais brasileiras teve um novo capítulo na segunda-feira passada. Em visita aos Estados Unidos, o presidente Jair Bolsonaro e sua comitiva assinaram o Acordo de Salvaguardas Tecnológicas. Ele visa a permitir o uso comercial da base espacial de Alcântara no Maranhão em projetos com a tecnologia dos Estados Unidos. Mas para entrar em vigor o acordo precisa ser aprovado pelo Congresso Nacional o que é a parte mais difícil. Vale lembrar que este mesmo acordo já foi assinado no ano 2000 pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, na época em que George W.Bush era presidente dos Estados Unidos. Mas foi barrado na época pelo Congresso Nacional que achou que ele “feria a soberania nacional”.
A base de Alcântara foi construída para ser o local de lançamento do foguete brasileiro VLS, um dos projetos do “Brasil Grande” oriundos da ditadura militar. Os militares sonhavam com o Brasil ganhando status de potência nuclear e para isso criaram três metas. A construção de um submarino, de uma bomba nuclear e de um foguete lançador de satélites. Um projeto que enfrentou a oposição dos Estados Unidos que sempre deixaram claro que não querem que o Brasil domine esse tipo de tecnologia. O projeto da bomba atômica brasileira foi denunciado e encerrado pelo governo do presidente Collor de Melo. Que tapou um buraco escavado na Serra do Cachimbo onde seria detonado o artefato nuclear brasileiro. O projeto do submarino nuclear vem se arrastando há quatro décadas e agora esta marcado para 2030. O Veículo Lançador de Satélites foi o que mais se aproximou da realidade, com resultados trágicos.
Os dois primeiros protótipos foram lançados durante o governo Collor, mas falharam. O terceiro estágio não conseguiu orbitar a carga útil e caiu no oceano Atlântico. O programa se arrastava com uma verba insuficiente de 30 milhões de reais por ano. Em 2003 o terceiro protótipo tinha acabado de ser montado, no hangar de Alcântara quando aconteceu a tragédia. O primeiro estágio entrou em ignição e o resultado foi uma enorme explosão que matou 21 técnicos que participavam do projeto. E o Brasil ficou com uma base de lançamentos sem ter um foguete para usa-la.
Durante os governos do presidente Lula, o Brasil assinou um acordo de cooperação com a Ucrânia, para lançar de Alcântara o foguete espacial Ciclone. Um lançador de satélites baseado num antigo míssil nuclear soviético. Um enorme cais foi construído para receber os navios que trariam os foguetes. Mas a Ucrânia acabou desistindo do acordo. Documentos secretos da embaixada americana no Brasil revelam que o governo dos EUA pressionou a Ucrânia para que não transferisse a tecnologia de foguetes para o Brasil.
Outra ambição brasileira frustrada foi à participação do nosso país no projeto da Estação Espacial Internacional. Um acordo foi assinado em 1997 que previa o envio de um astronauta brasileiro para a ISS. Desde que o Brasil contribuísse com peças no valor de 120 milhões de dólares para o projeto internacional. O astronauta Marcos Pontes foi treinado para a missão no Centro Espacial de Houston. Mas a Agência Espacial Brasileira não conseguiu produzir as peças exigidas pelo acordo. E em 2002 o Brasil foi expulso do consórcio internacional da ISS.
Marcos Pontes acabou decolando num foguete russo em 2006, depois do governo Lula pagar 10 milhões de dólares a agência russa Roscosmos pelo voo. E virou “o astronauta brasileiro, primeiro e único”.
O projeto VLS foi substituído em 2005 pelo projeto “Cruzeiro do Sul” que prevê a construção de pequenos foguetes capazes de orbitar mini-satélites numa parceria com a Rússia. O que certamente enfrentará a oposição da Casa Branca.


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9 comentários

  1. Avatar

    Devido ao preconceito do PT contra empresários e empresas de tecnologia, não houve no Brasil a parceria entre empresas privadas e Universidades Públicas, ou seja, enquanto nos EUA há o incentivo de que empresas privadas façam parcerias com Universidades Públicas no setor de ensino e pesquisa, aqui, no Brasil, o PT chamava empresário de bandido e a Universidade Pública estava proibida de abrir espaço para a colobaração das empresas privadas!
    Como tudo o que é feito pelo PT é para prejudicar o Brasil, vimos que nossa pesquisa científica e em particular a pesquisa espacial ficou parada nos últimos 20 anos no Brasil!
    Enquanto Israel vai lançar seu foguete para a Lua e se tornar o quarto país à chegar à Lua, o único foguete que o Brasil tem pode chegar até o Lu(l)a e não a Lua…, não resolveria o problema científico brasileiro, mas ajudaria a economizar dinheiro público no quesito segurança pública!
    O que dizer da estupidez de Lula que em 1998 foi contra a idéia de FHC de cobrar mensalidade dos estudantes de medicina nas Universidades Públicas, dizendo que isso seria privatizar a Universidade?!
    Como diria o cientista judeu Einstein: “Há duas coisas infinitas: o Universo e a estupidez humana….”

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    Não sei pra que o Brasil tem Forças Armadas, na Guerra do Paraguai quase perdeu se não fosse a ajuda da Argentina e do Uruguai, e dos escravos que foram os grandes heróis; alás o Duque de Caxias era ladrão de cavalos, “trouxe” milhares do Paraguai. Os pracinhas da FEB foram voluntários civis e convocados reservistas do serviço militar; portanto não eram do quadro permanente do Exército , foram totalmente despreparados e se saíram bem. Se Brasil entra em uma guerra, vai passar vergonha, então por que gastar tanto dinheiro com isso? Investe no povo, muita saúde pública boa, educação gratuita e boa até o ensino superior, transporte , etc.

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    COMENTÁRIO DE UM ZUMBI PETISTA.

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    Antonio Carlos Peludo

    Parabens Senhor Evaldo Campos, so quem vive o cotidiano de onde se trabalha sabe seus problemas

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    Essa base de lançamento de foguetes poderia ter sido usada em todas as passagens de ano, aí ela não teria ficado tão ociosa. Inclusive o reveillon de Copacabana poderia ser feito lá, não me perguntem como. Perguntem ao Guto que faz comentários malucos aqui no DV. Ele tem boas idéias no cogumelo dele, ele equacionará a questão com o uso das Forças Armadas .

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