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A verdadeira receita do sucesso

Matéria publicada em 1 de novembro de 2019, 14:54 horas

 


“Um livro, uma caneta, uma criança e um professor podem mudar o mundo”. Uma frase simples, porém, obstinada, foi dita por uma jovem ativista paquistanesa: Malala Yoisafzai. Sua fala foi capaz de marcar a realidade de milhões de crianças e jovens pelo mundo e pontuar a enorme carência que se espraia pelo planeta quando o assunto é Educação.
É inegável que a Educação é o ponto de partida de tudo, mas, infelizmente, essa não é a visão e muito menos a realidade, vista ou não vista, pelos olhos míopes dos governantes, os quais são incapazes de alcançar essa necessidade quase orgânica de um povo em pleno crescimento.
Malala Yousafzai, a jovem e perseverante autora da frase que abre esta crônica, quase perdeu a vida por querer ir para a escola. Quando tinha dez anos viu sua cidade ser controlada por um grupo extremista chamado Talibã. Eles proibiram a música e a dança, baniram as mulheres das ruas e determinaram que somente os meninos poderiam estudar. Em 9 de outubro de 2012, quando voltava de ônibus da escola, sofreu um atentado a tiros. Poucos acreditaram que ela sobreviveria. Não apenas sobreviveu, como é a mais jovem ganhadora do prêmio Nobel da Paz. Ela é um grande exemplo de como uma pessoa corajosa e determinada pode mudar o mundo.
Aqui, no Brasil, a Educação começou com a chegada dos portugueses, quando os padres assumiram o papel de catequistas e professores dos índios. Assim, a história tem seu início marcada pela relação estabelecida entre religião e letramento, até que os jesuítas foram expulsos do país em 1759 por ordem do Marquês de Pombal, primeiro-ministro português na época. Somente muitos anos depois, a responsabilidade da Educação coube ao Estado. Mas, os professores não eram preparados para lecionar. Tornavam-se professores as pessoas que tinham simplesmente recebido alguma instrução, as quais eram, em sua maioria, padres.
A democratização da Educação foi finalmente alavancada em 1920. Anísio Teixeira foi importante no combate à restrição da Educação a uma minoria, bem como à relação da Educação com a religião.
Um dos maiores problemas é que o Brasil não investe na Educação de forma adequada. Estima-se que 27% dos brasileiros são analfabetos funcionais (sabem ler, mas não conseguem compreender o sentido daquilo que leem).
Desse total, 4% dos estudantes do ensino superior são considerados analfabetos funcionais.
O ensino ofertado em nossas escolas públicas não tem conseguido dar conta dos aspectos básicos e primordiais da aprendizagem, como aquisição de leitura e escrita, por exemplo. Os alunos chegam ao final do ensino médio sem compreender o que leem e sem saber fazer uma redação ou ainda sem conseguir resolver um problema simples de Matemática. Sendo assim, todas as outras áreas do conhecimento ficam comprometidas, uma vez que ele nem sabe escrever e nem compreende o que lê.

Educação deveria ser prioridade

O Brasil não é um país que leva a Educação a sério. Se a Educação fosse realmente prioridade, teríamos professores de ensino fundamental e de ensino médio com salários dignificantes. O governo teria de investir não menos do que 10% do PIB em Educação. Hoje são investidos aproximadamente 4%. Professores deveriam ser contratados para dedicação exclusiva de oito horas diárias e 40 horas semanais, quatro horas seriam em sala de aula; duas horas, na preparação de aulas; e as outras duas horas em treinamento, em conversas com outros professores para troca de experiências, em diálogos com a equipe profissional que haveria em toda escola.
Lamentavelmente a frase dita por Malala ainda terá que ser exaustivamente repetida para que possa fazer verdadeiro efeito nas mentes daqueles que se comprometeram a cuidar desse nosso imenso país – mas que, sem dúvida, ainda não aprenderam essa lição tão fundamental.

Lição: Frase dita por Malala ainda terá que ser exaustivamente repetida (Foto: Ilustração)

 


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