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A vida e a morte das estrelas

Matéria publicada em 3 de novembro de 2016, 07:10 horas

 


Telescópio fotografa trigêmeas recém-nascidas e o coração da estrela morta

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Na semana passada, como bem se recordam, a sonda espacial europeia Schiaparelli se espatifou ao tentar um pouso suave no planeta Marte. Até hoje só a agência espacial americana Nasa conseguiu pousar naves em Marte. E para reafirmar sua superioridade a Nasa usou seu satélite Orbitador de Observação de Marte para fotografar a pequena cratera negra, deixada pelo impacto da Schiaparelli. Que sofreu uma pane nos retrofoguetes nos momentos finais da descida.

Mas a vida continua, aqui e no espaço sideral. No Chile a equipe do telescópio ALMA, situado no deserto de Atacama, conseguiu fotografar três estrelas recém-nascidas. As trigêmeas acabaram de emergir da nuvem de gás onde se formaram. O sistema de estrelas bebês fica na constelação do Perseu e se encontra a 750 anos-luz da Terra. A observação das trigêmeas ajuda os cientistas a refinarem suas teorias sobre a formação das estrelas. Que nascem de discos de gás e poeira produzidos pela contração das nebulosas.

Depois que nascem as estrelas brilham durante centenas de milhões de anos e depois morrem, quando se esgota seu combustível de hidrogênio. Nos Estados Unidos a equipe do telescópio espacial Hubble fotografou o coração de uma estrela morta, que ainda pulsa, milhares de anos depois da explosão que despedaçou o corpo da estrela original.

Trata-se de núcleo da nebulosa do Caranguejo, uma nuvem de gás produzida pela explosão de uma estrela gigante, observada por astrônomos chineses no ano de 1054. Ela fica na constelação do Touro, ali perto dos chifres do animal, e se encontra a 6500 anos-luz da Terra. O que é ótimo para nós, já que a essa distância a descarga de energia emitida pela explosão chegou aqui atenuada. Uma supernova mais próxima poderia destruir a camada de ozônio da Terra provocando uma grande extinção.

Quando a estrela explodiu seu corpo se espalhou pelo espaço formando uma grande nuvem de gás esverdeado. O núcleo da estrela, seu coração, colapsou formando uma bola de nêutrons do tamanho de uma cidade. O pulsar da nebulosa do Caranguejo. Esta bola de nêutrons gira 30 vezes em um segundo produzindo um campo elétrico de trilhões de volts. A rotação produz ondas de choque que se espalham pela nuvem de gás.

Nosso Sol terá um destino semelhante daqui um bilhão de anos. Quando seu combustível de hidrogênio acabar o Sol vai começar a inchar, engolindo os planetas Mercúrio, Vênus e a Terra. E se transformar em uma imensa nuvem de gás semelhante a nebulosa do Caranguejo. Todavia, a massa do Sol não é suficiente para produzir uma explosão igual a da supernova de 1054, que podia ser vista a olho nu, durante o dia, apesar de estar situada a mais de seis mil anos-luz de distância.

No caso do Sol, seu coração se transformará em uma estrela anã branca, do tamanho da Terra, capaz de continuar brilhando durante milhões de anos. A essa altura a Terra terá perdido seus oceanos e sua atmosfera e será um mundo calcinado, orbitando um sol morto e encolhido. Se a estrela que produziu a nebulosa do Caranguejo fosse um pouco maior, ela teria criado um buraco negro ao explodir. Um objeto sem dimensão, com uma gravidade tão forte que acaba por dobrar o tempo e o espaço.

A foto da nebulosa verde, envolvendo o coração da estrela morta foi divulgada pela equipe do telescópio Hubble para comemorar a data do Halloween. Afinal, um cadáver estelar com um coração que ainda pulsa mostra que o céu também tem o seu lado macabro.

 Nasceram: As três estrelas emergem da nebulosa onde nasceram


Nasceram: As três estrelas emergem da nebulosa onde nasceram

 

 Sinistra: A nebulosa verde contém o coração da estrela morta


Sinistra: A nebulosa verde contém o coração da estrela morta

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br


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