quarta-feira, 13 de novembro de 2019

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Agir mais, pensar menos

Matéria publicada em 13 de abril de 2019, 11:28 horas

 


Tic-tac, tic-tac, tic-tac… A vida moderna não para, a fluidez das coisas, das relações, as cobranças e todas as nossas atividades são estressantes. Quando olhamos, ainda, à nossa volta e verificamos que não podemos controlar nada, absolutamente nada, basta olhar as chuvas desta semana em nosso Estado. Isso tudo aumenta de forma demasiada o nosso senso de urgência, a nossa ansiedade. Será que nós estamos lidando de forma mais adequada com a ansiedade? Será que temos a capacidade de ajudar aos que estão a nossa volta? Vamos aos números.
Segundo um relatório divulgado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil é o país com a maior taxa de pessoas com transtornos de ansiedade no mundo e o quinto em casos de depressão. 9,3% da população manifesta algum quadro de ansiedade. Essa disfunção engloba várias outras, como ataques de pânico, transtorno obsessivo-compulsivo, fobias e estresse pós-traumático.
O transtorno de ansiedade é marcado por sintomas como a dificuldade de concentração, problemas no sono e preocupação excessiva. Segundo André Brunoni, psiquiatra do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), esses sintomas podem levar ao quadro depressivo, caracterizado pelos sintomas do transtorno acrescido de alterações no humor, como apatia, solidão, tristeza, além do isolamento social e dores sem justificativa física.
A diferença entre uma preocupação normal e a ansiedade muitas vezes está na intensidade dos sintomas e sinais. Até pensando nisso, a Associação Americana de Depressão e Ansiedade listou exemplos de como uma pessoa com esse transtorno psiquiátrico se comporta frente a situações comuns no dia a dia, em comparação com outra sem ele.

Preocupações
Sem ansiedade: ficar preocupado com o pagamento das contas do mês, com o risco de ser demitido, com o término de um relacionamento amoroso…
Com ansiedade: Pensar constantemente que essas possibilidades (falta de dinheiro, demissão, fim de um relacionamento amoroso, entre outros) vão ocorrer a qualquer segundo.

Medos
Sem ansiedade: medo realista de algum objeto, lugar ou situação que podem ferir ou matar.
Com ansiedade: temor irracional de algo que, na verdade, não representa grande perigo.

Traumas
Sem ansiedade: se sentir triste ou não conseguir dormir direito depois de passar por um evento traumático.
Com ansiedade: pesadelos recorrentes e incapacidade de tirar da cabeça essa sensação desagradável.

Festas e reuniões
Sem ansiedade: se sentir estranho ou ligeiramente desconfortável em ocasiões sociais, como festas e reuniões.
Com ansiedade: fugir dessas situações a todo custo pelo medo de ser julgado, constrangido ou humilhado por estranhos.

Provas ou apresentações no trabalho
Sem ansiedade: ficar nervoso ou suar bastante durante uma prova ou uma apresentação no trabalho.
Com ansiedade: dificuldades para respirar ou falar e ficar com o coração acelerado, a ponto de não cumprir a tarefa.
“Quando nos preocupamos com algo que pode vir a acontecer, tomamos uma série de medidas para resolver previamente aquela situação”, diz o psiquiatra Antonio Egidio Nardi, professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
O transtorno começa quando essa emoção passa do ponto. Em vez de mover para frente, o nervosismo exagerado deixa o indivíduo travado, impede que ele faça suas tarefas e atrapalha os seus compromissos. “Isso lesa a autonomia e prejudica a realização de atividades simples e corriqueiras”, caracteriza o médico Antônio Geraldo da Silva, diretor da Associação Brasileira de Psiquiatria.
Sair de casa torna-se um martírio. Entregar o trabalho no prazo é praticamente missão impossível. Convites para festas e encontros viram alvo de desculpas. A concentração some, os lápis são mordidos, as unhas, roídas… e a qualidade de vida cai ladeira abaixo.
“Infelizmente, persiste um preconceito com os transtornos mentais na nossa sociedade. Para muitos, o psiquiatra segue como o ‘médico de loucos’”, lamenta Nardi. Já passou da hora de revermos nossos conceitos para tratar de procurar, cada vez mais, saúde e qualidade de vida. E isso passa efetivamente pela educação. Se uma tudo é uma questão de preparação para os desafios da vida, quanto melhor preparados, melhor temos as chances de nos sairmos bem. Então vale a pergunta: Como lidamos com nossa ansiedade? Como lidamos com os nossos desafios futuros? Como preparamos nossos filhos, colaboradores, alunos para entender e trabalhar os possíveis gatilhos que disparam a ansiedade? Gosto muito da frase do Epíteto – “ocupe-se daquilo que está ao alcance de suas mãos”. Essa máxima nos dimensiona no espaço e tempo para atuarmos de forma relevante em nossas vidas.
As doenças que abalam a mente devem ser abordadas com o mesmo respeito e seriedade de diabetes, câncer ou qualquer outra moléstia do corpo. Se você sentir alterações de humor ou se estiver de alguma maneira incomodado com pensamentos que não saem da sua cabeça, procure um profissional. A avaliação com base em um questionário respondido no consultório já ajuda a flagrar a ansiedade e nortear a abordagem terapêutica.
Entender que existe ajuda com ferramentas efetivas para controlar os problemas que nos prejudicam é um passo importante para lidarmos com as dificuldades. Entender que existe saída pode ser o primeiro passo para que encontremos ajuda em nosso cotidiano. O que precisa ser feito hoje? Agir no que é relevante e está ao nosso alcance é uma prática poderosa para minimizar nossa ansiedade, assim como a dos nossos filhos, amigos, alunos. Pois, “o amanhã, a Deus pertence”, já nos ensina o ditado popular.

O que temos para fazer hoje?

TMJ!
Raphael Haussman. É professor, Coach, consultor e apaixonado por educação e desenvolvimento humano e, ainda, pai da Raphaela e do Theo.

Nosso dicionário:

Ansiedade: Termo geral para vários distúrbios que causam nervosismo, medo, apreensão e preocupação. Indicador de doença somente quando os sentimentos se tornam excessivos, obsessivos e interferirem na vida cotidiana.
Depressão: Doença psiquiátrica, crônica e recorrente, que produz uma alteração do humor caracterizada por uma tristeza profunda, sem fim, associada a sentimentos de dor.
Ditado popular: Frase do popular, com um texto mínimo de autor desconhecido baseia-se em senso comum de um determinado meio cultural.
Epíteto: Termo utilizado para qualificar, caracterizar algo ou alguém.
Fluidez: Propriedade ou particularidade do que flui; espontaneidade ou naturalidade; fluência.
Humor: Um estado de ânimo cuja intensidade representa o grau de disposição e de bem-estar psicológico e emocional de um indivíduo.
Martírio: Está relacionado a um grande sofrimento ou tormenta pessoal.
Saúde: Se trata de um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doenças.


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3 comentários

  1. Avatar

    Há alguns anos atrás, durante o II governo Dilma, a população brasileira estava muito ansiosa, batendo panelas nas janelas dos edifícios e casas; piscando a luz da casa várias vezes; saiam nas ruas gritando “fora Dilma!” usando a camisa da seleção brasileira!
    Foram mais de 6 milhões de ansiosos, mas foi bom para o Brasil, pois a ansiedade acabou quando a praga que estava levando o Brasil no caminho da Venezuela foi deposta, e hoje, mesmo não tendo um governo dos sonhos, temos a garantia de que não terminaremos como a Venezuela!

  2. Avatar
    Eu era feliz e não sabia

    Já fui ansiosa, hoje não tenho tempo para sofrer por antecipação.
    Mal consigo fazer metade de meus afazeres.
    Vou fazendo, fazendo, fazendo.
    O bom é que a ansiedade acabou…
    Bons tempos.
    Agora não sou ansiosa sou só exausta e estressada.

  3. Avatar

    Se for mulher aí tudo piora.
    Pois apesar da mulher trabalhar fora, pouco se mudou.
    Quem cuida da educação dos filhos pequenos , auxiliando nos estudos é a mulher…
    Vejo nos grupos as mães a noite após o trabalho fazendo isso.
    Quem leva as crianças no médico e dentista é a mãe.
    Homem de cabelo branco é tido como charme, já na mulher é desleixo.
    A mulher fica fazendo mil coisas ao mesmo tempo…
    Por isso mulheres são mais ansiosas, mais cobranças, mais afazeres, mais responsabilidades…

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