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Algo está fora da ordem mundial

Matéria publicada em 28 de fevereiro de 2020, 13:50 horas

 


Depois da transição no calendário e na cabeça, quando mudamos de 1999 para 2000, em que, ao longo do final do último século, muita expectativa havia se acumulado, era quase impossível saber se realmente as mudanças aconteceriam e como seriam elas. Porém, os ânimos se acalmaram e acabamos por perceber que absolutamente nada mudou, porquanto o que aconteceu foi que o progresso passou a caminhar a passos ainda mais largos, ofertando-nos novas e excelentes ferramentas, como celulares que fazem de tudo, inclusive, ligações!; automóveis movidos a energia elétrica; aparelhos batizados de drones, capazes de mapear do alto tudo o que suas câmeras são capazes de captar. Essas são algumas das tecnologias adotadas pelo mundo afora que buscam nos auxiliar em nosso dia a dia.
Infelizmente, inúmeras das últimas descobertas acabaram por cobrar um preço muito alto do mundo, e o pagamento parece estar sendo traduzido nas mudanças climáticas que tomaram conta do planeta, as quais trazem frio e calor de maneira desproporcional. As chuvas destruidoras que tomaram conta do Brasil em janeiro, provocando mortes e perdas de toda ordem em estados como Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo entre outros, denotam marcadamente essa nova realidade.
Neste ano bissexto de 2020, atípico com seus 366 dias, chama a atenção o aquecimento global, que é o aumento da temperatura média dos oceanos e da camada de ar próxima à superfície da Terra. Ela pode ser a consequência de causas naturais e de atividades humanas. Isso é algo que se deve, principalmente, ao aumento das emissões de gases na atmosfera, que causam o efeito estufa.
O efeito chamado de aquecimento global pode ser sentido em diferentes partes do planeta. Os cientistas observaram que o aumento da temperatura média da Terra tem elevado o nível do mar devido ao derretimento das calotas polares, podendo ocasionar, em pouco tempo, o desaparecimento de ilhas e cidades litorâneas. Existe a previsão de uma frequência bem maior de eventos extremos, como tempestades tropicais, inundações, ondas de calor, secas, nevascas, furacões, tornados e até tsunamis, trazendo graves consequências para as populações humanas e ecossistemas naturais, podendo ocasionar a extinção de espécies de animais e de plantas.
Por aqui, as mudanças do uso do solo e o desmatamento são responsáveis pela maior parte das emissões de gases, e faz do Brasil um dos líderes mundiais no agravamento do efeito estufa. A ocupação irregular e desordenada do espaço geográfico e, a total falta de planejamento, ajudam bastante a provocar as inundações que a cada ano acontecem entre dezembro e fevereiro, especialmente na região Sudeste. É fato que a remoção da vegetação que compõe o entorno dos rios intensifica o processo de assoreamento, aumentando o nível das águas.
Mas, a causa considerada principal para as enchentes é, sem dúvida, a impermeabilização do solo. Com a pavimentação das ruas e a cimentação de quintais e calçadas, a maior parte da água, que deveria se infiltrar no solo, escorre na superfície, provocando o aumento das enxurradas e a imediata elevação dos rios, além de causar outros tipos de desastres ambientais urbanos.
As fórmulas para mudar o quadro devastador que se espalha pelo mundo, como as queimadas no Brasil, na Rússia, na Ásia e na África, os terremotos que atingiram o Chile, o Equador, a Indonésia, o Peru, a China e a Turquia, e as inundações em Veneza, na França, na Índia e em Portugal, passam pelas várias maneiras de reduzir as emissões dos gases de efeito estufa e os efeitos na temperatura global. Tem-se que investir no reflorestamento e na conservação de áreas naturais, incentivar o uso de energias renováveis não convencionais, como as energias solar, eólica, da biomassa, além de pequenas hidrelétricas.
É bem verdade que ninguém muda o mundo se não consegue mudar a si mesmo. Então, cuide da saúde do planeta: não desperdice água, não jogue lixo em locais impróprios, não maltrate os animais e, muito importante, não desmate. Temos que ter em mente que, por mais que não queiramos, se nascemos no mesmo planeta e compartilhamos com os outros os mesmos efeitos, também seremos obrigados a compartilhar as consequências de sua exploração.
A educação é uma das ferramentas mais poderosas que temos para garantir a transformação social. É a partir dela que as pessoas desenvolvem o seu senso crítico, têm acesso a mais oportunidades e, normalmente, a uma qualidade de vida melhor. Afinal, quando aprendemos algo, temos a possibilidade de compartilhar e construir os saberes com outros indivíduos, e, por meio dessa difusão de conhecimentos e informações, a diferença se consolida nos desenvolvimentos social, ambiental e econômico.
Como já foi dito anteriormente, ninguém muda o mundo se não consegue mudar a si mesmo. Portanto, cuidemos da saúde do nosso planeta enquanto ainda é possível.

Educação ambiental: O efeito chamado de aquecimento global pode ser sentido em diferentes partes do planeta


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