quarta-feira, 1 de abril de 2020

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Ano novo, vida nova?

Matéria publicada em 10 de janeiro de 2020, 07:00 horas

 


Todos os anos, sempre quando se aproximam os últimos dias do mês de dezembro, é quase inevitável não dizermos a frase “Ano novo, vida nova”. Um clichê que é repetido à exaustão na tentativa de incensarmos o próximo ano, que não tarda, para que ele chegue trazendo boas e duradouras novidades.
Entra ano, sai ano, e mais ou menos lá pelo meio de dezembro muitos investem todas as suas energias para que a dieta faça, finalmente, efeito e consigam emagrecer. Já em alguns casos, não muitos, o pensamento é para que se possam ganhar alguns quilinhos. E são muitos planos para a noite de Natal, imaginando-se os presentes e, sobretudo, a roupa a ser usada. Quanto à ceia, o mínimo que se espera é que seja farta. Imediatamente, o pensamento voa para idealizar o ano novo; na passagem do ano, há de se vestir uma roupa branca ou dourada. Há quem ache isso uma tolice, e inaugura o ano vestido de preto. Cada um com seu cada um.
Essa história de mudar de ano coloca muita gente em uma euforia desmedida ou em uma depressão descabida. No fim de ano bate o “complexo do período perfeito”. Ele que chega envolto em sentimentos de toda ordem, e nos obriga a ser feliz de qualquer jeito. Ao mesmo tempo em que ficamos felizes por entrar em uma nova fase de nossas vidas, mesmo que isso signifique a passagem rápida do tempo, sentimos, por esse motivo e tantos outros, uma melancolia de proporções absurdas. Pensamentos estranhos vindos muitas vezes do passado servem para assaltar o presente.
Para muitos, é um momento de encruzilhada, uma vez que representa o fechamento de um ciclo; para outros, é um verdadeiro calvário; fazem ansiosamente a contagem regressiva esperando a hora de tudo acabar e poder voltar à velha e “doce” rotina. É justamente nesse instante que fazemos um levantamento do que conquistamos ao longo do ano, e chegamos à conclusão que não foi algo tão significativo quanto esperávamos; aí, então, a tristeza ganha espaço e se instala.
Porém, o fato de alguns planos não terem se concretizado acaba por gerar esperanças de concluí-los no futuro. No final de cada ano, não é somente o momento presente que pode causar certas aflições. Algumas experiências rememoradas também podem exercer uma enorme influência sobre a forma de como nos sentimos. Lembranças, como a de um parente já falecido; outro que não poderá vir para a ceia; ou saudades recolhidas ajudam a desencadear lembranças que emocionam, gerando uma tristeza quase que inevitável.
O que podemos fazer nessas datas tão marcantes é canalizar as emoções e trazer para perto de nós boas lembranças cujas lágrimas não nos faça sofrer. Estar ao lado de pessoas queridas rindo e fazendo rir, é por demais agradável, e certamente faz com que esses momentos transcorram da melhor maneira possível e não nos cause dor, porque ele não é para isso.
Muitas vezes, o final do ano serve para promover em nós todo o tipo de avaliação. De forma visceral, surgem as cobranças e até um sentimento de culpa, coisas que não servem para nada. É fato que temos de conhecer os nossos limites, e o autoconhecimento ajuda bastante a evitar esses embates incômodos.

Renovar

As comemorações no Natal e na passagem de ano, servem mais do que startar dores e saudades, elas nos permite renovar. É o momento de superar todo tipo de problemas, sejam eles do passado ou do presente, e deixar da melhor maneira possível, que o tão falado “espírito natalino” nos envolva e proteja.
A melancolia de fim de ano pode ser canalizada de forma positiva e utilizada para que se reveja o que cada um quer de sua vida. Será que o ano foi desperdiçado e não se buscaram novas oportunidades dentro ou fora de casa? Esse pode ser um bom momento para ser aprender a lidar de forma diferente com a própria vida, mesmo porque ela não é uma receita de bolo que já vem prontinha. Portanto, vale fazer uma revisão cuidadosa de cada momento vivido, sem medo e, muito menos, culpa.
Nesse caso, cada um tem de buscar a sua forma de se encontrar para poder encontrar os outros, e assim, sem culpa ou medo, comemorar o Natal, o Ano Novo e tudo o mais está reservado para o próximo ano, seja ele bom ou não, e tudo deve ser vivido de maneira equilibrada e feliz; afinal, convenhamos tristeza e opressão não combinam com evolução. Pode até parecer lugar-comum; contudo, será o seu olhar o responsável por mudar tudo a sua volta. E como diz a letra da música composta pelo meu querido amigo Paulo Sergio Valle: “Hoje a festa é sua, hoje a festa é nossa, é de quem quiser, quem vier.” Então, vamos em frente!

Sem lágrimas: O que podemos fazer nessas datas tão marcantes é canalizar as emoções e trazer para perto de nós boas lembranças


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