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Apreendedorismo e o trabalhador do futuro

Matéria publicada em 15 de outubro de 2019, 09:01 horas

 


 

Prever o futuro é sempre tarefa complexa, ainda mais em um mundo de transformações tecnológicas aceleradas. Há menos de 20 anos seria difícil imaginar drones, redes sociais ou que teríamos um super computador no bolso da calça. Não havia ainda Orkut, nem selfie, nem “nuvem”, nem nude.
O futuro não é mais como era antigamente, disse Renato Russo em uma de suas célebres canções.
Carros voadores não existem ainda no nosso dia a dia, mas já estão em testes sob a forma de drones tripulados. Robôs já ocupam postos em indústrias e no atendimento a clientes. E muito mais está vindo por aí.
Mas num mundo com cada vez mais tecnologia e automação, qual será o papel que caberá aos trabalhadores de carne e osso? Quem terá emprego e dinheiro para consumir tanta tecnologia?
Não há como prever com exatidão a configuração desse novo mercado de trabalho, porque existem muitas tendências simultâneas, que criam o novo destruindo o que havia no lugar.
Nossa tendência é projetar o futuro utilizando a régua do passado, o que é tão perigoso quanto querer dirigir olhando apenas o espelho retrovisor. As mudanças assustam, porque perdemos as certezas que ajudam a nos orientar pelos labirintos do mundo, mas as mudanças são inevitáveis.
A sensação que temos é que todos os empregos serão dizimados, mas o mais provável é que tenhamos uma migração de matriz econômica, como já ocorreu no passado, quando os países passaram de uma economia agrária à industrial, e mais recentemente quando passaram para uma economia baseada no setor de serviços.
A gente precisa se manter relevante, com capacidade de criar e de se reinventar e é o CONHECIMENTO que nos torna relevantes.
Existem três tendências que são inevitáveis:
– A gente vai viver cada vez mais.
– A gente vai aposentar cada vez mais tarde.
– A tecnologia vai matar profissões antigas e criar novas.
Qual a consequência disso tudo? Teremos que aprender para sempre.
Tão importante quanto o empreendedorismo é o apreendedorismo, a capacidade de aprender constantemente e apreender o conhecimento que flutua à nossa volta.
O que serve hoje não vai servir amanhã, e meus 20 anos de experiência talvez sejam na verdade 19 anos de defasagem, se não fui capaz de aprender continuamente.
Na Idade Média os médicos europeus recomendavam que seus pacientes não tomasssem banho, porque na teoria deles as camadas de sujeira protegiam nosso corpo. Ao tomar banho os seus poros abririam e você se tornaria suscetível a adquirir doenças.
A peste negra, causada por ratos, ou seja, por falta de higiene, matou quase um terço da população de alguns países europeus.
Alguns séculos depois, cientistas mais estudiosos começaram a descobrir a existência de bactérias e micróbios, e a importância da higiene.
A gente não pode parar de aprender, nunca.
Se você não quiser ficar pra trás, você tem que aprender pra sempre.
Educação continuada é a compreensão de que num mundo em que tudo muda, você só não se torna obsoleto se continuar aprendendo, adquirindo novos conhecimentos e se reinventando. É preciso que você tenha a mente aberta para esse novo mundo, de mudança constante.
O conceito de Educação continuada é atitudinal também. Não se trata apenas de adquirir novos conhecimentos e habilidades, mas também de estrar aberto ao novo, de encarar novas formas de fazer as coisas e eventualmente de desaprender o que você sempre fez, mas que não serve mais.
E tem uma coisa que é o seguinte: o sarrafo vai ficando cada vez mais alto, e o que era diferencial vai ficando padrão. Por exemplo: ter uma faculdade era um diferencial algumas décadas atrás. Hoje em dia, como um percentual cada vez maior faz faculdade, isso já não diferencia tanto o seu currículo, principalmente nos postos gerenciais, então é preciso ter pós, MBA, mestrado…
E o caminho é esse mesmo, pra frente é que se anda. A gente tem que encarar o aprendizado com alegria de aprendiz. Aprender e evoluir é uma coisa boa.
E a Educação continuada não quer dizer apenas a Educação acadêmica formal, que você faz a cada ciclo de X anos, numa pós ou num mestrado. Você tem que estar antenado constantemente, ler livros, artigos, fazer cursos livres, assistir a debates na internet. Se manter ativo, questionador, consumir pontos de vistas diferentes do seu também.
Aprender não tem que ser uma coisa chata, como já foi durante muito tempo pra muita gente.
Aprender é legal. Chato mesmo é ser ignorante.

 

Alexandre Correa Lima é professor da FGV, escritor e palestrante corporativo. Ele está no YouTube, no Facebook, no Linkedin, no Instagram, no SPC e no Serasa. E não está no Tinder porque sua mulher não deixa.


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