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Armstrong, o futuro e os cachorros

Matéria publicada em 29 de março de 2019, 09:37 horas

 


Daqui a 50 mil anos, quem se lembrará de nós?

Cidade: O futuro é dos cachorros e dos robôs.

J.G Ballard foi um escritor britânico famoso pelo romance “O Império do Sol”, transformado em filme pelo cineasta Steven Spielberg. Ele morreu em 2009 e em uma de suas últimas entrevistas comentou sobre a importância das viagens espaciais para o futuro da humanidade. E mencionou Neil Armstrong, o primeiro homem a pisar na Lua em 1969. “Neil Armstrong pode muito bem ser a única pessoa da nossa época que será lembrada daqui a 50 mil anos” disse Ballard ao jornal Daily Telegraph.

Ballard gostava de pensar no futuro a longo prazo. 50 mil anos é um bocado de tempo. Nenhuma civilização humana durou mais do que uns três mil anos. Daqui a 500 séculos a humanidade pode muito bem ter se tornado extinta, sendo substituída por alguma outra espécie mais inteligente. A maioria dos grandes cientistas acha que só sobreviveremos, a longo prazo, se nos tornarmos uma civilização espacial. Com colônias em outros planetas e sistemas solares. Só assim não estaremos mais sujeitos aos cataclismas que assolam o nosso planeta periodicamente.

O físico Freeman Dyson acha que a busca pela imortalidade pode moldar o futuro da nossa espécie. Na pré-história o tempo de vida médio de um ser humano era de 30 anos. Sem remédios ou cuidados de higiene ninguém vivia muito mais do que três décadas. Hoje, com a medicina, os antibióticos e as vacinas são comuns pessoas chegando aos 80 anos com saúde. Passar dos cem anos é muito difícil, mas Dyson acha que é possível se reconstruirmos nossos corpos pela engenharia genética. E nos associarmos às máquinas virando os famosos ciborgues dos filmes de ficção científica.

Em seu livro “Infinito em todas as direções” Dyson imaginou uma civilização de ciborgues imortais vivendo no espaço, em árvores geneticamente modificadas. As trepadeiras de cometas, que cresceriam no núcleo gelado desses astros errantes. Uma civilização assim poderia se espalhar pela galáxia e continuar existindo muito tempo depois da vida na Terra se tornar impossível.

Se os humanos emigrarem para o espaço sideral, ou se tornarem extintos, o que será do planeta Terra? Mesmo que mudanças climáticas ou catástrofes tornem a Terra inviável para uma civilização como a nossa, outros seres podem evoluir e tomar o nosso lugar. Afinal a Terra já foi o lar dos dinossauros durante centenas de milhões de anos. Depois do homem, quem herdará a Terra? Talvez uma espécie que já exista em nossa época e que aguarde apenas um salto evolutivo para dominar o planeta.

No clássico da ficção científica “Cidade”, do escritor americano Clifford Simak, o futuro é dos cachorros e das formigas. Simak imaginou um futuro, daqui a milhares de anos, onde a espécie humana é apenas uma lembrança que vai se apagando no passado. Os cães adquiriram uma inteligência quase igual a humana e herdaram muita coisa que os humanos deixaram para trás quando emigraram para as estrelas. Incluindo robôs com inteligência artificial que convivem pacificamente com eles. Os robôs executam aquelas tarefas que os cachorros, por sua constituição física não podem fazer.

A civilização dos cachorros é pacífica e bucólica. Eles vivem em casas construídas pelos robôs, se aquecendo perto de lareiras nas noites frias de inverno. Mas enfrentam uma ameaça: As formigas que estão adquirindo algum tipo de inteligência coletiva. Preocupados os cachorros despertam o último homem, que restou em nosso planeta, e que foi congelado e preservado como uma relíquia do passado. E perguntam a ele o que devem fazer para se livrarem das formigas. O homem recomenda que usem inseticidas.

O problema é que os cachorros não conhecem química e não podem fazer inseticida.


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