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As emoções na balança

Matéria publicada em 18 de outubro de 2019, 06:10 horas

 


É fato que as emoções – certamente as que nos deprimem e nos desestabilizam – são capazes de provocar todo o tipo de doença: da depressão ao câncer, e, para conseguirmos sair dessa roda-viva, depois que estivermos nocauteados, não será algo muito fácil.
Quando as emoções nos fragilizam e nos colocam em situação de risco, a saída será possível somente com a ajuda médica; não é algo simples de se vencer, e descobrir as causas que nos levaram à derrota, mesmo que temporária. Vai depender de um socorro bem maior do que uma boa dose de pensamentos positivos.
O mundo em que vivemos está repleto de surpresas, muitas delas ruins. Elas nos machucam invariavelmente devido à exposição de toda ordem. Viver não é, definitivamente, uma tarefa simples.
Vivemos em um país bem diferente daquele da música cantada por Jorge Ben Jor: “Moro num país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza”. Nesse contexto, há muita cenografia. Na verdade, vivemos no corre-corre, pelo menos aqueles que moram nos grandes centros. Estamos divididos em mil tarefas ao longo da semana, e somos obrigados, literalmente, a dar conta de cada uma delas, para o nosso bem e o do próximo. Tudo está interligado: estamos em uma grande cadeia sem grades.
Sendo assim, as emoções nos deixam no meio desse vaivém, um legado às vezes muito caro; mesmo que a luz vermelha do alerta nos acorde para o perigo, nem sempre damos atenção para esse chamado do nosso corpo.
A psicologia define emoções como uma enorme gama de fenômenos. São sentimentos, sensações, pensamentos, impulsos, entre outros, que, quando somados – ou até mesmo individualmente -, acabam por atrapalhar a nossa caminhada. Não que isso seja algo nocivo no nosso dia a dia, mas, se não for bem administrado, pode nos derrubar sem a menor cerimônia.
Muita coisa surge e acaba por nos confundir no contexto relacional, ou seja, algo que acontece fora de nosso controle. Conceitos que nos qualificam – para o bem ou para o mal, ou que imaginamos que pensam e sentem a nosso respeito – acabam por nos influenciar e nos neutralizar. E assim ficamos praticamente vendidos para essas forças que minam nossas vontades. A partir daí, abre-se a porta para os medos e, consequentemente, para as doenças.
Pode até não parecer, mas somos uma grande esponja: recebemos diariamente milhões de dados e informações de toda ordem que nos chegam do ambiente externo. Muitas dessas informações, boas ou ruins, nós não conseguimos administrar, e acabamos por descartar o que é bom e somatizando o que é ruim, queimando despudoradamente assim nossas resistências.

Emoções

Um estudo publicado pela revista científica “Proceedings of the National Academy of Sciences” analisou a reação de centenas de homens e mulheres e concluiu que temos 28 tipos de emoções: admiração, adoração, apreciação, estética, diversão, ansiedade, temor, estranheza, tédio, calma, confusão, desejo, nojo, dor empática, encantamento, inveja, excitação, medo, horror, interesse, alegria, nostalgia, romance, tristeza, satisfação, desejo sexual, simpatia e, por fim, triunfo.
Todas essas emoções somadas ou sentidas de forma individual nos levam a viver uma vida feliz ou não. Elas nos possibilitam caminhar ou ficar estático, à mercê do que elas podem provocar em nós se não tivermos controle sobre elas.
Sabemos que tudo isso é primitivo e universal. As emoções nascem conosco e estão presentes em todas as culturas, embora a forma como se manifestam pode variar de povo para povo, de pessoa para pessoa. Mas isso não torna o desafio decifrável, pois as emoções continuam a desafiar cientistas e filósofos, leigos e sábios.
Certas emoções podem fazer disparar nosso coração de alegria ou de medo. Decifrar esse código pode realmente nos dar as verdadeiras respostas. Porque a compreensão das emoções que se colocam na grande balança das nossas vidas é a chave que abre a porta para o tratamento e o controle, dos distúrbios da ansiedade e da dependência química.
As emoções têm de ser entendidas como um processo integrado: diante de um estímulo, fazemos associações cognitivas e julgamentos racionais, e a partir daí começa a ser definido o sentimento.
Aprender a lidar com essa balança nos fará melhores e mais equilibrados, mais conhecedores de nossos medos e necessidades, e nos tornará capazes de sermos dominantes e menos dominados. A vida é curta. Viver como escravos da balança das emoções é uma forma péssima de cumprirmos a nossa trajetória por essas plagas.

 

À flor da pele: Mundo em que vivemos está repleto de surpresas


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Um comentário

  1. Avatar

    Dos 28 tipos de emoções conclusivos da revista científica, o ENCANTAMENTO os eleitores precisam estar atentos nas campanhas eleitorais. O melhor é se afastar estrategicamente para não pegar o VÍRUS DO ENCANTAMENTO dos politiqueiros. É super importante estar ligado nos candidatos que estão concorrendo, mas saia fora pq será fisgado, com toda a certeza.

    Depois vem a decepção do voto. Aí entra a nutrição de outras emoções citadas: tristeza, nojo, horror, dor empática.

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