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Capa / Ciência – Por Jorge Calife / As grandes cavernas da Lua

As grandes cavernas da Lua

Matéria publicada em 8 de agosto de 2019, 08:00 horas

 


Cientistas acham que túneis subterrâneos podem servir de base no futuro

Lua: Robôs vão explorar cavernas

A sonda espacial Raguya, da Agência Espacial Japonesa, descobriu uma enorme caverna na superfície da Lua. Ela fica na região de Marius Hills, no lado da Lua voltado para a Terra, e pode servir de base para os futuros projetos de colonização da Lua. A caverna em Marius Hills tem uma entrada com 50 metros de largura e se liga a um túnel da lava que pode ter mais de 50 quilômetros de comprimento. É um mundo novo e totalmente inexplorado. Outra caverna semelhante foi localizada no lado oculto da lua, no mar Ingenii, pela sonda indiana Chandrayaan 1.
Diferente das crateras lunares, que são rasas e foram formadas pelo impacto de meteoritos, as cavernas são tubos de lava. Trata-se de imensos túneis escavados por erupções vulcânicas no passado. Esse tipo de estrutura existe nas regiões vulcânicas da Terra, como o Havaí. Mas na Lua, onde a gravidade é um sexto menor do que na Terra, os tubos de lava podem atingir dimensões gigantescas.
Já existem projetos para explorar este mundo subterrâneo com robôs e drones. Recentemente o Instututo SETI, uma organização privada de exploração espacial, fez um teste na Islândia. Usando um drone a equipe do SETI explorou um túnel de lava chamado Lofthellir. Num ensaio para o que os futuros exploradores poderão fazer quando retomarem as viagens para a Lua, no ano de 2024.
Um dos maiores obstáculos à colonização da Lua é que o nosso satélite natural não tem atmosfera nem campo magnético. O que significa que sua superfície é bombardeada o tempo todo pela radiação cósmica e pelas tempestades de partículas atômicas produzidas pelo Sol. Uma caverna seria um abrigo interessante para uma base lunar, porque as grossas paredes de rocha bloqueariam a radiação e os meteoritos. O problema é que essas cavernas são escuras, inexploradas e extremamente frias.
Durante as missões Apollo, que levaram várias tripulações para caminhar na Lua, entre os anos de 1969 e 1972, os astronautas evitavam ficar na sombra. Porque as sombras lunares são incrivelmente geladas devido à ausência de atmosfera. Dentro delas a temperatura cai a menos de 150 graus negativos, o que ultrapassava a capacidade de isolamento das primeiras roupas espaciais. É por isso que a exploração inicial das cavernas lunares deverá ser feita por robôs e drones que resistem ao frio intenso.
Se os robôs descobrirem que esses túneis são sólidos e seguros para a habitação será possível construir módulos aquecidos eletricamente dentro deles. Eletricidade é o que não falta na Lua onde o Sol brilha 14 dias seguidos. Uma fazenda de painéis solares, instalada na superfície lunar, poderia produzir energia elétrica farta para aquecer uma base instalada dentro das cavernas.
A existência de imensas cavernas na Lua é outra coisa que foi prevista pelos romances e filmes de ficção científica. Em 1901, no início do século 20, o escritor britânico H.G.Wells imaginou uma viagem a Lua a bordo de uma cápsula esférica movida a antigravidade. Em “Os primeiros homens na Lua” que virou filme em 1964, os exploradores encontram uma civilização de seres semelhantes a insetos dentro de imensas cavernas no subsolo da Lua.
Em 1969, na época da Apollo 11, o jornalista brasileiro Roberto Pereira imaginou astronautas do futuro desaparecendo misteriosamente nos grandes abismos lunares na ficção “O mistério das crateras da Lua”. Na vida real ninguém espera encontrar vida na Lua. Mas as cavernas lunares podem ter depósitos de gelo que seriam muito úteis para os futuros exploradores de Selene.


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4 comentários

  1. Avatar

    Boas novas para os futuros colonos da Lua!

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    Estas cavernas seriam ótimas para abrigar a familícia bolsolixo , seus generais vagabundos e seus seguidores. E deixarem o planeta Terra melhor.

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