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As ruínas do casarão e o SS United States

Matéria publicada em 11 de agosto de 2015, 07:00 horas

 


Não podemos deixar que o passado seja destruído; Estados Unidos já têm vários navios transformados em museus

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No mês passado recebi um convite para assistir a um evento nas ruínas do Casarão dos Breves, lá em Pinheiral. Agradeci ao convite, mas não fui. Pessoalmente acho deprimente aquelas ruínas da antiga fazenda São José dos Pinheiros. Fico deprimido porque conheci aquele belo casarão quando ainda era sede do Posto Zootécnico. Antes que os incêndios acabassem com aquele local histórico deixando apenas o mato e algumas paredes prestes a desabar.
Há dez anos a Prefeitura de Pinheiral tinha um projeto de reconstruir o casarão. Não seria possível refazer o original, claro, mas a ideia era criar uma réplica com os mesmos materiais usados no século XIX. Não deu em nada. Agora colocaram umas placas e cartazes na praça em frente e pretendem transformar aquele símbolo do descaso e do abandono em uma atração turística. Acho muito difícil, afinal, os municípios vizinhos estão cheios de fazendas do ciclo do café, perfeitamente preservadas.
Em Barra do Piraí visitei uma linda, que tem até um moinho movido por uma roda de água. Quem é que vai vir a Pinheiral para ver ruínas? E teria sido tão fácil salvar aquele casarão. Bastaria terem colocado um vigia lá dentro, 24 horas, com um extintor de incêndio. Mas os reitores da Universidade Federal Fluminense e os diretores do campus Nilo Peçanha acharam que não era importante. Foram três incêndios que podiam ter sido evitados. Não foram, agora é tarde demais para fazer alguma coisa.
É impressionante como no primeiro mundo é diferente. Os Estados Unidos têm uma história tão curta quanto a brasileira, mas lá o respeito ao passado é levado aos extremos. Recentemente acompanhei pela internet os esforços para salvar o SS United States. Um transatlântico de luxo que ia ser transformado em sucata. Construído na década de 1950 o navio americano não tem nem a metade da importância histórica do casarão de Pinheiral.
Mas provocou uma mobilização intensa para que fosse salvo e transformado em museu.
Até o ex-presidente Bill Clinton entrou em ação. Em 1968 ele viajou naquele enorme navio e também não queria que fosse desmontado.

História

Com 53 mil toneladas e 300 metros de comprimento o navio foi lançado ao mar em 1950 e ficou conhecido por ter servido de cenário para vários filmes. Como “Os homens se casam com as morenas”, da Jane Russel, e “Bom Voyage”, da Disney. Apareceu também na abertura do musical West Side Story. Em 2009 foi colocado a venda pela empresa de cruzeiros que o operava e ia virar sucata. Imediatamente foi criado o Grupo para Conservação do SS United States que começou a arrecadar dinheiro para comprar o navio e transformá-lo em um museu.
O grupo enfrentou vários obstáculos. A Agência de Proteção do Meio Ambiente temia que o navio tivesse substâncias tóxicas. E exigiu a elaboração de um plano para limpá-lo. O plano foi apresentado e cumprido. Centenas de milhares de dólares foram arrecadados e o navio vai mesmo virar museu.
Não era necessário. Os Estados Unidos já tem vários navios transformados em museus. Como o encouraçado Missouri, o transatlântico inglês Queen Mary, que está em Long Beach, na Califórnia, e o porta-aviões Intrepid, ancorado no rio Hudson. Mas para os americanos o navio preto e branco é parte da história do cinema e por isso não deve ser destruído. E olhe que conservar um navio de metal, que sofre com a corrosão, é muito mais difícil do que conservar uma construção de pedra e tijolos.
Quanto ao memorial das ruínas do Casarão fica aqui um conselho. Pinheiral, no verão, tem clima chuvoso e úmido. Se deixarem aquelas placas e painéis no tempo, expostos a chuva e a umidade, eles não vão durar muito.

Jorge Luiz Calife | jorge.calife@diariodovale.com.br


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13 comentários

  1. Vergonhoso são os comentários a cima e inclusive a matéria do Sr Calife.

  2. Esse colunista é uma Piada, só escreve matéria sem fundamentos, com interesses políticos…. Tenta de todas as formas menosprezar esse governo, porque sente falta da Ditadura que dominou essa cidade por tantos anos.

    O Calife calado é um poeta.

  3. O casarão pegou fogo na década de 90 quando o Arimathea nem sonhava em ser Prefeito de Pinheiral. O Sr. não deve ter noção de quanto custa para recuperar esse casarão, falar até papagaio fala.

  4. A situação do casarão é de fato lamentável, mas não ter ido o evento lhe fez perder a oportunidade de ver os pontos positivos do Parque das Ruínas do Casarão da Fazenda São José do Pinheiro. No mesmo local, foi inaugurada uma exposição permanente (as tais placas e cartazes) sobre a história da escravidão e do jongo na cidade de Pinheiral, incentivando dessa forma o turismo de memória da região,já que fazem parte do projeto, além de Pinheiral, as cidades de Valença e Angra dos Reis. As áreas do parque pertenciam a União e somente neste ano foram passadas para o poder público municipal. Esperamos que muito mais seja feito, que a história seja resgatada, mas não podemos deixar de enxergar que esse já é um começo. Um olhar pessimista e comparações com países com histórias completamente diferentes da nossa não vão ajudar.

  5. Precisamos descobrir em quais anos esse patrimônio foi incendiado.

    Já descobrimos por um comentarista abaixo que um dos responsáveis foi o “…diretor do colégio agrícola que deixou abandonado o posto zootécnico hoje é o prefeito da cidade”

    Agora precisamos descobrir quem era o gestor da UFF na época.

    Descobrindo eles e as datas do incêndio podemos cobrar na justiça pela má gestão.

    Considerando o objetivo do Comunismo que quer destruir de nossas memórias o nosso passado, o petista como diretor do colégio agiu de acordo com os defensores das bandeiras vermelhas.

    Como garantia da notícia e comentários, eu já dei um Prnt Scrn aqui, e nem vou deixar no PC.

  6. Eu estou cansado de ouvir e ler os mesmos pensamentos que tal povo ou país é melhor do que o MEU Brasil.

    Ora, eles até são melhores, porém se nesses países MARAVILHOSOS tivessem os eleitores brasileiros, lá seria um pedaço do Brasil atual, com todos os nossos problemas. Assim como em Pinheiral tivesse eleitores americanos, hoje esse casarão dos Breves estaria intacto, e faturando muiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiito com turistas.

    Eu gostaria de contar com o jornalista, já que é memória viva desse monumento para ajudar a recuperá-lo. Vamos fazer uma ação como o “Grupo para Conservação do SS United States”.

    Ah, e não vale a desculpa de que “não somos americanos.”

  7. Calife, leio o Diário do Vale só por causa da sua coluna.

    Fico feliz em saber que nossa região pode contar com alguém com genuíno apreço pela nossa História.

    Também acho que Pinheiral, assim como Arrozal, sofre com o descaso dispensado ao seu patrimônio. Por isso me alegro com suas observações; não me sinto só.

    Sucesso pra você!

  8. O mesmo diretor do colégio agrícola que deixou abandonado o posto zootécnico hoje é o prefeito da cidade.Esta deixando abandonada também a cidade. Gosta muito é de uma maquiagem e fazer propaganda cara em jornal e TV, típico da administração do PT. Ano que vem tem eleição. Ednardo vem aí.

  9. O que ocorre nos Estados Unidos e que não foi mencionado pela reportagem é que os norte-americanos adoram criarem museus com objetivo financeiro.
    Afinal! Todo projeto de recuperação histórica tem altos custos.
    Nada lá é de graça exceto o ar atmosférico.

  10. Pois é Calife, no último fim de semana estive num evento em Pinheiral, numa fazenda a beira da estrada que liga a Vargem Alegre, e que por sinal também estava num estado degradante, mas me surpreendi com o trabalho de restauração que está sendo empregado ali. Me parece que também pertenceu aos Breves. Fica a dica para uma ótima matéria a exceção dos descasos e enrolações em Pinheiral.

  11. Pinheiral está em ruínas, cidade destruída pelo abandono.

  12. Calife, os EUA começaram a ser colonizados a muito menos tempo que o Brasil e foram uma colônia de povoamento, não de exploração, daí seu maior desenvolvimento. Mesmo a parte Sul, que era escravocrata, tinha ideais nacionalistas e patriotas… Compare SP e o Sul do Brasil com o resto do país e verás algo semelhante…

    Quanto à manutenção de construções históricas, não tome as exceções como regra. Os EUA nunca foram exemplos para tal. Eles demoliram muito mais que o Brasil. Nova Iorque por exemplo foi construída sobre escombros, poucas relíquias do passado estão preservadas. Neste aspecto, exemplos são os países do Velho Mundo, notadamente os europeus e asiáticos, além do México, Peru, Bolívia, Cuba e Argentina aqui na AL…

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