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As sereias modernas do nado sincronizado

Matéria publicada em 13 de setembro de 2016, 08:00 horas

 


Esporte começou como balé aquático e hoje está nas Olimpíadas; mulheres que popularizaram esse esporte desafiador

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Um dos esportes mais fascinantes e bonitos das Olimpíadas é o nado sincronizado. Nossas atletas até que se esforçaram, mas não ganharam nenhuma medalha. Não importa, o importante é terem competido deixando uma série de imagens fantásticas que podemos ver e rever na internet. As moças do nado sincronizado dão vida ao mito das sereias e a modalidade que praticam começou como uma forma de dança. Era chamada de balé aquático no início do século passado e só entrou para as Olimpíadas em 1984.

Curiosamente o esporte começou com equipes tanto femininas quanto masculinas. Mas nos jogos olímpicos só se aceitam as equipes femininas. Na verdade foram as mulheres que popularizaram esse esporte desafiador. Principalmente a nadadora americana Esther Williams, que estrelou uma série de filmes nas décadas de 1940 e 1950, onde sempre ocorriam números de nado sincronizado.

Quando olhamos aquelas moças de cabeça para baixo, dentro da piscina, só com as pernas saindo da água não imaginamos o esforço envolvido. Não é só uma questão de fôlego, de conseguir prender a respiração por mais de um minuto. É preciso coordenar os movimentos com as outras integrantes da equipe, e ter a graça e a flexibilidade de uma dançarina.

Olhando as fotos subaquáticas aí ao lado percebemos que as nadadoras não usam máscaras nem óculos de mergulho. O que significa que elas precisam se mover em sincronia com as colegas sem enxergá-las nitidamente devido a refração da água.

O olho humano não foi feito para enxergar sob a água. É por isso que sem máscaras ou óculos de mergulho vemos tudo distorcido e fora de lugar dentro da água. As nadadoras aprendem a compensar isso e a se mover em sincronia como se fossem um cardume de peixes.

Medalhas

Atualmente o país que mais ganhou medalhas de ouro no nado sincronizado é a Rússia. Que conta com 10 medalhas de ouro, seguida pelos Estados Unidos, com cinco de ouro, duas de prata e duas de bronze, e o Canadá, com três de ouro e três de prata. Depois vem o Japão e a China. No Japão a natação subaquática sempre foi uma atividade feminina, com suas famosas pescadoras de pérolas. A posição do Canadá é tradicional, já que o país foi um dos primeiros a investir muito nesse esporte. E os Estados Unidos, claro, divulgaram muito a natação subaquática em filmes e seriados de televisão.

Além da Esther Williams uma nadadora americana que ficou famosa foi a mergulhadora e atriz Zale Perry. Loira e bonita, Perry foi a pioneira do mergulho subaquático nos Estados Unidos. E acabou nadando em seriados de TV como “Viagem ao fundo do mar” e “Aventuras submarinas”.

A Rússia é um fenômeno, já que se trata de um país frio, onde o esporte só pode ser praticado em piscinas aquecidas (como também é o caso do Canadá). O Brasil tem tudo para investir nesse esporte. Nossas atletas podem usar a piscina o ano inteiro sem precisar de sistema de aquecimento ou de instalações complicadas. Só falta mais divulgação e nesse aspecto temos muito a aprender com as americanas.

Mesmo quando o esporte não era parte das Olimpíadas as americanas já faziam demonstrações e percorriam o país se exibindo em todo o tipo de evento. Em 1933 a americana Katherine Curtis organizou uma equipe de nado sincronizado, chamada “As sereias modernas da Kay Curtis” que nadavam em um enorme tanque de vidro. Elas se exibiram na Expo Chicago onde surgiu o termo “nado sincronizado”.

Nos Jogos do Rio de Janeiro as medalhas de ouro ficaram com a equipe da Rússia. E a prata foi das chinesas e japonesas.

 

Fôlego: Nadadoras precisam agir em sincronia (Foto: Divulgação)

Fôlego: Nadadoras precisam agir em sincronia (Foto: Divulgação)

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br


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Um comentário

  1. Avatar

    A conveniência sincronizada: o país sacudido pela cassação do golpista Cunha e o Donald Trump do Brejo vem falar de nado sincronizado. É… viva a liberdade de expressão…

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