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As trapalhadas do Oscar

Matéria publicada em 24 de março de 2017, 07:20 horas

 


Prêmio já ignorou grandes filmes e cineastas célebres; erro na entrega deste ano foi provocado pela mania dos celulares

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No mês passado o musical “La La Land – Cantando Estações” entrou para a história do cinema ao receber o Oscar de Melhor Filme do ano por aproximadamente um minuto e 32 segundos. Depois, os produtores do espetáculo perceberam um erro, tomaram a estatueta da mão do diretor do filme e a entregaram para o drama “Moonlight: Sob a Luz do Luar”. Foi a maior trapalhada da história do prêmio, criado em 1929 para promover os produtos da indústria cinematográfica norte-americana. O erro na entrega do Oscar deste ano foi provocado pela mania dos celulares e selfies, típica da nossa época.

Ficamos sabendo que o encarregado de distribuir os envelopes com a premiação estava preocupado em tirar fotos das celebridades e selfies com os atores. E com um olho no celular e outro no trabalho acabou entregando o envelope errado para o ator Warren Beaty. Foi mais um desastre provocado pelo poder hipnótico que o celular exerce sobre algumas pessoas.

Não tem problema. O belo “La La Land” saiu da desastrada cerimônia com seis estatuetas. Incluindo a de Melhor Atriz para a Emma Stone, Melhor Diretor, Melhor Fotografia, Melhor Música e Melhor Desenho de Produção.

A Academia de Ciências e Artes Cinematográficas de Hollywood é conhecida por sua preferência por determinados gêneros de filme. Como, por exemplo, dramas românticos, melodramas familiares, épicos históricos e dramas biográficos. Musicais como “La La Land” tem menos chances de serem escolhidos. E filmes de ficção científica são simplesmente ignorados.

O que levou a academia a ignorar filmes que viraram clássicos e esnobar diretores célebres. Em 1968, por exemplo, o filme “2001: Uma odisseia no espaço”, do cineasta Stanley Kubrick, deslumbrou as plateias do mundo inteiro. Na cerimônia do Oscar ele só ganhou uma estatueta de Melhores Efeitos Visuais. O melhor filme de 1968, para a Academia de Hollywood, foi um musical chamado “Oliver”. Resultado, 40 anos depois ninguém se lembra mais de um filme chamado “Oliver”. Já o “2001” do Kubrick está nas listas dos 100 melhores filmes de todos os tempos e continua sendo editado em DVD e Blu-ray.

Essa preferência da academia por certos gêneros de filmes levou a criação do termo “isca para o Oscar”. São aqueles dramas familiares, tipo “Moonlight” que parecem produzidos especialmente para ganhar a estatueta dourada.

Tem muita gente famosa que odeia o Oscar e vários atores importantes já recusaram a estatueta. O mais conhecido foi o ator George C. Scott que ganhou o prêmio em 1970 por sua interpretação do general Patton no filme “Patton, rebelde ou herói?”. Scott classificou a cerimônia como “um desfile de carne” e disse que se recusava a participar dela. Outro caso famoso foi do Marlon Brando, que recusou o prêmio de melhor ator pelo “Poderoso Chefão” acusando Hollywood de discriminar os índios norte-americanos. No dia da cerimônia ele mandou um índio em seu lugar para ler um manifesto.

É por isso que a premiação do Oscar é mais um evento promocional, um grande show de TV do que uma garantia de qualidade ou de imortalidade para os filmes premiados. William Friedkin, diretor americano que ganhou um Oscar, descreveu o prêmio como “o maior esquema de promoção que a indústria cinematográfica já criou para ela mesma”. A transmissão da cerimônia pela televisão começou em 1953 e é vista em 200 países. Para atores, atrizes e produtores é uma oportunidade ímpar de serem vistos por milhões de pessoas e de passarem mensagens defendendo suas causas.

Pessoalmente torci pelo “La La Land”, por seu apelo nostálgico, sua defesa do jazz como gênero musical e a beleza dos cenários e da fotografia. E acho que vai ser apreciado e lembrado por muito mais tempo do que o vencedor “Moonlight”.

‘La La Land’: Melhor filme por um minuto e alguns segundos

‘La La Land’: Melhor filme por um minuto e alguns segundos

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br


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Um comentário

  1. Avatar

    Os Srs jurados do Oscar tem um especial preconceito contra os filmes de ficção científica.

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