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Asimov só no nome

Matéria publicada em 13 de outubro de 2021, 16:02 horas

 


Série da Apple TV ignora o elemento básico da série Fundação


No início do ano os fãs da ficção científica estavam empolgados com a adaptação de dois clássicos do gênero para as telas. A Apple tv anunciava uma série baseada nos livros Fundação e Império do Isaac Asimov. Enquanto o diretor Giles Villeneuve prometia uma nova adaptação para o cinema dos livros da série Duna do escritor Frank Herbert. “Duna” já esta sendo exibido nos cinemas da América do Norte e deixou muita gente desapontada. O filme de Villeneuve mostra apenas um trecho do primeiro livro da série. Quem quiser saber como a história acaba vai ter que ler o livro ou esperar o próximo filme. Que só deve estar disponível daqui a alguns anos.
A série Fundação esta sendo exibida pelo canal Apple tv e também foi uma frustração. Como aconteceu com outro clássico de Asimov, o “EU, robô” os roteiristas aproveitaram o nome do livro e alguns personagens. E criaram uma história bem diferente do que esta nos livros. A música e o visual da série são lindos, mas a essência da obra de Asimov foi perdida ao ser adaptada por gente que não leu os livros com atenção.
Isaac Asimov é um autor extremamente difícil de adaptar para o cinema ou a tv. Enquanto Arthur Clarke, o autor de “2001”, é cinematográfico, descrevendo tudo nos mínimos detalhes, Asimov é mais teatral. Seus livros são como atos de uma peça, com a trama se desenvolvendo a partir de personagens dialogando dentro de uma sala. O que é ótimo para o palco mas péssimo para o cinema. Enquanto o cinema e as séries de tv priorizam a ação, Asimov é um escritor de ideias e seus personagens estão lá como porta-vozes das ideias do autor.
Asimov concebeu a série “Fundação e Império” na década de 1940, depois de ler o clássico “Ascenção e Queda do Império Romano” do historiador Edward Gibbon. A partir daí ele imaginou um império galáctico do futuro, que perdurou por 10 mil anos e colonizou milhares de planetas da nossa galáxia. Mas um dia um cientista, o matemático Hari Seldon, informa ao imperador que seu império esta prestes a desmoronar. Seldon é capaz de prever o futuro da civilização a partir de psico-história, um novo tipo de disciplina que prevê a evolução das civilizações a partir de modelos matemáticos.
Ao criar a sua fictícia psico-história, Asimov se baseou nas leis da termodinâmica. Elas dizem que é impossível prever o movimento de uma partícula, como a molécula de um gás, mas um imenso conjunto de partículas tem seu comportamento previsível. Quando a população do império galáctico chega a trilhões de indivíduos, seu comportamento se torna previsível. Parece que os roteiristas da série de tv não entenderam isso muito bem. Lá pelo terceiro episódio os personagens estão tentando usar a psico-história para prever o comportamento deste ou daquele personagem, o que é totalmente incorreto.
A série de tv criou uma dinastia de imperadores clones que nunca existiram nos livros. E chocou os fãs do Asimov com cenas de violência, como enforcamentos e assassinatos, que não existem na obra do autor. E Também inventaram uma inteligência artificial alienígena que, pra variar, mata qualquer um que se aproxime dela. O que é outra corrupção das ideias do autor. Asimov sempre se opôs a ideia de robôs ou extraterrestres malignos. Na verdade não existem extraterrestres nos livros da série Fundação nem na série dos robôs.
E o resultado é outro espetáculo visual imponente e vazio, que esta mais perto da série Star Wars do que dos clássicos da ficção literária.

Fundação: Visual bonito, mas sem conteúdo


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Um comentário

  1. O Ministro tá no mundo da lua, o último a saber…

    MInistro da Ciência, Tecnologia e Inovações, Marcos Pontes, disse na 6ª feira (9.out.2021) que foi pego de surpresa com o corte de 90% em recursos que seriam destinados à pasta via abertura de crédito suplementar. A pedido do ministro Paulo Guedes (Economia), o total de R$ 690 milhões previstos foi dividido com outros ministérios. Pontes afirmou que ficou “muito chateado” com a mudança, e que pensou em deixar o cargo. “Temos dias bons e dias ruins”, declarou, ao explicar que recuou da ideia. .

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