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Asteroide se aproxima da Terra nesta sexta-feira

Matéria publicada em 31 de agosto de 2017, 10:38 horas

 


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Um grande asteroide vai passar pela Terra amanhã. É o Florence, uma montanha de rocha flutuante com 4,4 quilômetros de diâmetro. Mas não se preocupem, nosso visitante celeste vai cruzar o céu a uma distância segura de sete milhões de quilômetros, o que é, mais ou menos, 18 vezes a distância que nos separa da Lua. Se o leitor tiver uma luneta poderá avistar o Florence cruzando o céu nas constelações do Peixe Austral, Capricórnio, Aquário e Delfim. Desde que a agência espacial americana Nasa começou a monitorar esses objetos, o Florence é o maior que já se aproximou do nosso planeta.

Em termos terrestres, sete milhões de quilômetros parece uma distância muito grande. Mas no mundo estrelado do espaço é pouco, levando-se em conta que asteroides podem se mover com uma velocidade de milhares de quilômetros por hora. A famosa Cratera do Meteoro no Arizona tem 1,2 quilômetros de diâmetro e foi provocada por uma rocha de 50 metros de diâmetro que atingiu a Terra viajando com uma velocidade de 12 quilômetros por segundo. O impacto aconteceu durante o período Pleistoceno, há 50 mil anos.

Florence, nosso visitante atual, foi descoberto em 1981 pelo astrônomo australiano Schelte Bus. Que o batizou em homenagem a pioneira da enfermagem, Florence Nightingale.  Florence nunca esteve tão perto de nós e só vai fazer outra passagem semelhante daqui 500 anos. Para os astrônomos é uma oportunidade imperdível para determinar a forma e mapear sua superfície usando sinais de radar.

Florence pertence a categoria de asteroides chamados NEOs, das iniciais em inglês de Objeto Próximo da Terra. Acredita-se que foi o impacto de um objeto assim que provocou a extinção dos dinossauros há 75 milhões de anos. A teoria é substanciada por uma camada de irídio, metal encontrado em asteroides, que data daquela época. E por uma cratera submersa em Chicxulub, no México.

Atualmente várias organizações como a Agência Espacial Nasa fazem o monitoramento do céu para detectar a passagem desses objetos e determinar suas órbitas. É uma medida de segurança para o caso de um desses asteroides entrar em curso de colisão com o nosso planeta no futuro. O governo do presidente Barack Obama tinha um plano para capturar pequenos asteroides usando um rebocador espacial iônico. Mas o projeto foi cancelado pelo governo Trump.

Outros projetos incluem o uso de raios laser para desviar asteroides perigosos, mas esse tipo de tecnologia ainda está na infância. No filme “Armagedon” do diretor Michael Bay, Bruce Willis interpreta o chefe de uma equipe encarregada de desviar um asteroide assassino. A ideia não é pura ficção do cinema, já que a Nasa conseguiu pousar uma sonda, a Near, na superfície do enorme asteroide Eros, de 16 quilômetros de largura, no ano de 2001.

Os asteroides são restos da formação do sistema solar. Peças de um planeta que nunca se formou. Um grande número deles orbita o Sol no chamado “Cinturão de asteroides” que fica entre os planetas Marte e Júpiter. Outros, como Eros e Florence, tem órbitas alongadas, muito elípticas, que os leva a se aproximar do Sol, cruzando as órbitas de planetas como a Terra e Marte.

As crateras existentes na superfície da Lua foram abertas pelo impacto de asteroides há centenas de milhões de anos. Como não há chuva, vento ou erosão na superfície lunar elas foram preservadas. Na Terra uma cratera é soterrada em pouco tempo. A cratera de Colônia, em São Paulo, foi criada por um asteroide de 200 metros que caiu no Brasil há 20 milhões de anos. Ela tem 3,6 quilômetros de largura, mas está toda soterrada por sedimentos.

Visita: Florence vai passar além da Lua

Visita: Florence vai passar além da Lua

 

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br


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2 comentários

  1. Avatar

    Obrigado Calife por mais uma vez jogar luz em um assunto que gera tanta confusão. Tem veículo de comunicação por aí que deu a notícia de forma tão sensacionalista que parecia que havia risco deste asteróide cair na Terra. Seja falando sobre ciência, política ou entretenimento, seus textos são simples, diretos e divertidos, sem os floreios obscuros e vieses ideológicos de muitos intelectualóides que escrevem por aí.

  2. Avatar

    Bem que poderia cair no Brasil, não no Congresso Nacional, mas em cima da casa dos eleitores de corruptos do PMBD, do PT, do PSDB e de todos os partidos ALIADOS a eles.

    Se cair lá em Brasília e matar todos eles não adianta porque na próxima eleição em 2018 os eleitores de corruptos reelegerão outros para o lugar.

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