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Astrônomos descobrem um novo tipo de buraco negro

Matéria publicada em 14 de novembro de 2019, 10:17 horas

 


Ele não emite radiação e foi detectado pelo desvio Doppler; pesquisa vai aumentar nosso conhecimento sobre o espaço

Há muito tempo que os astrônomos suspeitam que existem milhões de buracos negros vagando pela nossa galáxia. Restos de estrelas mortas que devoram qualquer coisa que se aproxime deles. Sua gravidade é tão forte que nem a luz consegue escapar de sua atração fatal. Por isso eles são negros e invisíveis diante da escuridão do espaço infinito. Até agora os únicos buracos negros detectáveis são aqueles que se encontram associados a estrelas gigantes. À medida que devoram sua estrela companheira eles emitem radiação de raios X. O primeiro buraco negro a ter sua existência confirmada foi o Cisne X-1, que se encontra na constelação do Cisne.
Agora, uma equipe de cientistas conseguiu detectar o tipo mais oculto de buraco negro. Aquele que não emite radiação. Ou porque é um buraco solitário ou está muito distante de seu par estelar para atrair matéria dele. Todd Thompson, do departamento de astronomia da universidade de Ohio, contou ao site Space.com que sua equipe estudou a estrela binária conhecida como 2MASS JO52115658+4359220. A maioria das estrelas não tem nomes e são conhecidas por suas coordenadas celestes. Os astrônomos já sabiam que essa estrela tem um companheiro oculto, que não emite radiação.
Para identificar esse objeto invisível a equipe da universidade de Ohio teve que desenvolver um novo método. Que não depende de raios X ou outro tipo de radiação sendo emitida. Primeiro eles usaram a espectroscopia, que estuda as características das estrelas através da decomposição da luz que elas emitem.
Depois de observarem cerca de 100 mil estrelas, os astrônomos separaram aquelas que tinham um desvio Doppler mais significativo. O desvio Doppler é a mudança na cor da luz provocada por um objeto que se aproxima ou se afasta rapidamente de nós. Se o objeto estiver se afastando sua luz fica avermelhada. Ela sofre o que os astrônomos chamam de “desvio para o vermelho”. Já se o objeto se aproxima a sua luz é “desviada para o azul”.
As estrelas com desvios Doppler mais acentuados foram comparadas com os dados obtidos pelo projeto ASA-SN. O ASA-SN usa telescópios automáticos para pesquisar o céu em busca de supernovas, que são as explosões de estrelas gigantes.
Os dados do ASA-SN mostraram quais das estrelas pesquisadas tinham as maiores variações na sua luminosidade. E a mais significativa de todas era justamente a 2MASS JO52115658+4359220 que fica em uma das extremidades da nossa galáxia, a Via Láctea. A equipe descobriu que as variações de luz da estrela são provocadas por um objeto invisível que gira em uma órbita estável em torno dela. Determinando a massa do objeto a equipe calculou que ele deve ter em torno de 3,3 massas solares (ou seja, ele é 3,3 vezes mais pesado do que o nosso Sol). Uma estrela invisível, com essa massa, encontra-se no limite mínimo para a formação de um buraco negro.
Por enquanto é só uma suspeita já que o cálculo tem uma incerteza que vai de 2,6 a 6,1 massas solares. Mas o método poderá ser empregado para detectar outros buracos negros semelhantes, que não emitem raios X. Até agora todos os buracos negros conhecidos são muito maiores. É o caso dos buracos negros gigantes, que se formam no centro das galáxias como a Via Láctea e a famosa M-82. Eles possuem milhões de massas solares. Já os buracos negros emissores de raios X, como o Cisne X-1, possuem seis ou mais massas solares.
A pesquisa vai aumentar o nosso conhecimento sobre o espaço e a estrutura da Via Láctea. Permitindo localizar muitos buracos negros antes ocultos. Mas não serve para localizar os solitários, ou seja, os buracos negros que não estão associados com outras estrelas.

 

Jorge Luiz Calife

Oculto: O novo buraco negro não emite radiação (Foto: Divulgação)


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