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Buraco negro: Além da eternidade

Matéria publicada em 17 de julho de 2020, 17:01 horas

 


Astrônomos do Havaí descobrem buraco negro gigante no centro de um quasar

A equipe do telescópio Keck, que fica no alto do vulcão Mauna Kea, no Havaí, descobriu um buraco negro gigantesco no centro de um quasar distante. Os quasares são galáxias com núcleos ativos que ficam nos limites do universo observável. Como a maioria dos quasares o fenômeno recebeu inicialmente um número de registro, no caso J 1007+2115. Mas como ele contem o maior buraco negro já descoberto as crianças do Centro de Astronomia Imoloa, em Hilo, resolveram batiza-lo com um nome bem havaiano: Poniuaéna, que significa “a fonte giratória da criação cercada de brilho”.

O Poniuaéna fica a 13 bilhões de anos luz. Isso é o tempo que sua luz levou para alcançar os espelhos do telescópio Keck aqui na Terra. Estamos vendo o quasar como ele existiu 700 milhões de anos depois do Big Bang, ou seja, a explosão que produziu o Universo atual. Esse tempo é insuficiente para que ele tivesse se formado por meios convencionais. Os astrônomos acham que o Poniuaéna é o resultado da colisão e fusão de vários buracos negros menores que existiam em sua galáxia. Ele ficou com a massa de 1,5 bilhões de sóis. Por comparação, o Sagitário A, o buraco negro existente em nossa galáxia, a Via Lactéa, tem apenas a massa de 4 milhões de sóis.

Nos buracos negros comuns, formados pela implosão de estrelas, a gravidade desintegra qualquer coisa que caia dentro deles. É a chamada espaguetificação. A maré gravitacional estica qualquer objeto que se aproxime até transforma-lo num fio de matéria semelhante a um macarrão. E depois tudo é desintegrado em partículas atômicas e absorvido pela singularidade, o u seja, o que sobrou da estrela original, e que ficou comprimido num ponto de densidade infinita.

Já no caso de buracos negros gigantes, como o Poniuaéna, isso não acontece. Neles a maré gravitacional é muito suave e tudo que é atraído passa intacto pela fronteira entre o interior do buraco negro e o universo. Essa fronteira é chamada de horizonte de eventos pelos astrofísicos. Se um astronauta entrasse dentro do Poniuaéna ele ficaria vivo e poderia ver o que acontece lá dentro. Como aconteceu com o personagem do Mathew McConaugh no filme “Interestelar” do cineasta Christopher Nolan.

Se olhasse para trás, para além do horizonte de eventos, o astronauta veria toda a história do universo se passar num segundo, porque dentro do horizonte de eventos o tempo para e toda a eternidade lá fora se reduz a um instante. E depois o astronauta entraria num lugar situado além da eternidade, seja lá o que isto significa. Quando o filme “2001: Uma odisseia no espaço” foi exibido nos cinemas, há mais de cinquenta anos, alguns críticos fizeram piada porque o astronauta do filme viaja para “Júpiter e além do infinito”. O que deu origem ao grito de guerra do boneco Buzz Lightyear do desenho animado “Toy Story”: Ao infinito e além! Afinal, como pode existir algum lugar além do infinito ou além da eternidade?

Tentando resolver esse paradoxo os físicos tem proposto várias possibilidades. Em 1935, antes da Segunda Guerra Mundial, os cientistas Albert Einstein e Nathan Rosen sugeriram que os buracos negros poderiam conter passagens para outras regiões do espaço e do tempo. As chamadas “pontes de Einstein-Rosen”. Que os astrônomos modernos chamam de buracos de minhoca ou wormholes.

Para o russo Igor Novikov tudo que entra num buraco negro sai em outra região do espaço através de um chamado “buraco branco”. Em 2013 o cientista uruguaio Rodolfo Gambierre, de Montevidéu usou a teoria quântica para deduzir que a gravidade aumenta em direção ao núcleo do buraco negro, mas se reduz assim que entramos em outra região do universo.  E em 2014 o físico Stephen Hawking sugeriu que tudo aquilo que cai no buraco negro pode sair algum tempo depois através de flutuações quânticas. Mas por enquanto não dá para testar essas teorias porque os buracos negros se encontram totalmente fora do nosso alcance.

 

Poniuaéna: O buraco negro gigante

 

 


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6 comentários

  1. Avatar

    A terra não gira entorno do Sol. A terra gira em frente ao Sol e entorno de si mesma num baricentro. Se a terra girasse entorno do Sol algumas constelações desapareceram durante o ano, e isso não acontece.

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    Como a luz precisa viajar por distâncias imensas, ela só chega depois que o evento ocorreu. Quanto mais longe algo acontece, mais tempo a luz demora para chegar a nossos olhos. Ou seja, quando olhamos para o céu, estamos olhando para o passado – segundos, minutos, anos, séculos e milênios atrás. O Universo é a mais incrível das máquinas do tempo.

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    Para mensurarmos o valor de 1 ano-luz em quilômetros, partimos do valor definido da velocidade da luz, que é de 300.000 Km/s ou 300.000.000 m/s. Sabendo que velocidade é fruto da razão do espaço pelo tempo, e fazendo a transformação de 1 ano em segundos, temos:

    1 ano = 365 dias.24h.3600s = 31.536.000s

    V = d
    t

    300.000.000 = d / 31.536.000 → d = 300.000.000 . 31.536.000

    d ≈ 9.460.080.000.000.000 m ≈ 9,461 .1015 m ≈ 9,461 .1012 Km

    Podemos concluir que 1 ano-luz é, aproximadamente, 10 trilhões de quilômetros!

    O Poniuaéna fica a 13 bilhões de anos luz. – Faça os cálculos – Quando vão descobrir, que tudo tem limites?

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    Se isso é assim como explica a matéria, então onde entra as chamadas teorias do criacionismo e do evolucionismo? Se uma diz que tudo o que existe foi criado por uma inteligência superior por um ser eterno que está além do tempo e da eternidade, e a outra teoria diz que tudo evoluiu de formas primitivas, então como é que se explica o que foi exarado na matéria acima? Qual das duas teorias é a mais plausível? Pensem…

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      Não vejo relação entre Criacionismo X Evolucionismo com a matéria acima….
      Matéria acima explana sobre a teoria do são os buracos negros, evolucionismo são fatos constatados pela ciência, criacionismo é um ato de fé.
      Para mim Deus criou o homem através do Evolucionismo e Buracos negros são eventos criados pelos políticos brasileiros.

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      Hum!, alguém disse, e apresentou uma foto(?), que a Nébula da Criação, tem 13 trilhões de kms de diâmetro. Teorias, (teorias atuais). Quem sabe, daqui a bilhões de anos “algumas” deixem de ser teorias. Tem teóricos, que já calcularam, até a idade da criação do Universo.

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