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Cauby Peixoto e os tempos frenéticos da era do radio

Matéria publicada em 24 de maio de 2016, 09:00 horas

 


Cantor era o último sobrevivente de um Brasil que se foi; popular até morrer, mas tratado mais como um ídolo do passado, a quem todos devem respeito

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Cauby Peixoto, o cantor que enlouquecia suas fãs na década de 1950, morreu semana passada, aos 85 anos. Cauby era o último sobrevivente de um grupo de intérpretes da era do rádio. Quando a televisão no Brasil ainda era novidade e as pessoas assistiam a shows ao vivo nos estúdios das grandes emissoras de rádio. Foi uma época de grandes cantores como Silvio Caldas, Orlando Silva, Nelson Gonçalves e o próprio Cauby Peixoto. De todos eles, só Cauby viveu para presenciar as mudanças do rádio para a televisão, da TV para os vídeos na internet.

Nascido em Niterói, ali do outro lado da baia de Guanabara, Cauby começou a carreira no final da década de 1940, numa época de grandes vozes. Ele mesmo definiu uma vez o que era preciso para ser um astro da música popular naqueles tempos. Era preciso ter uma voz potente e ter personalidade para se destacar entre os outros artistas. A concorrência era poderosa. Os americanos tinham Frank Sinatra, Nat King Cole, Tony Bennett e Johnny Mathis. Cauby, com seu estilo de galã e por ser o mais jovem da “nossa” turma, me lembrava mais o Johnny Mathis. Ele se identificava com Nat King Cole, com quem se encontrou durante uma viagem aos Estados Unidos. E chegou a gravar vários sucessos de Cole, como “Blue Gardenia”.

O fato é que o Cauby da minha infância era bem diferente daquele que a geração atual conheceu. Os tempos eram outros. O principal meio de comunicação era o rádio e os cantores famosos se apresentavam ao vivo nos palcos da Rádio Nacional e da Rádio Mayrink Veiga. Todas as grandes emissoras tinham palcos com uma plateia, como um miniteatro, de onde eram transmitidos os programas ao vivo. Eram chamados de auditórios, daí o termo pejorativo “macacas de auditório”, para as fãs enlouquecidas que lotavam a plateia desses programas. Cauby era rasgado por elas ao sair de suas apresentações, todas querendo um pedaço da roupa do ídolo.

Naquela época, como hoje, os artistas brasileiros sonhavam em fazer sucesso nos Estados Unidos. Em 1955, Cauby adotou o nome “americano” de Ron Coby e embarcou para os Estados Unidos num Super Constellation da Varig. Um avião a hélice que reduzira o tempo de viagem Rio-Nova York de 72 horas para 20 horas. Nos EUA, ele gravou alguns discos com a orquestra de Paul Weston, mas não fez sucesso. Pelo menos, conheceu pessoalmente seu ídolo, Nat King Cole. Por causa do delírio das fãs, revistas americanas, como a Life, chamaram Cauby de “O Elvis Presley brasileiro”, mas a praia do cantor era outra. Ele até gravou um rock and roll, mas sua voz pedia canções românticas, jazz e samba canção. Até hoje, seu maior sucesso é a “Conceição”.

 

Todos queriam gravar com ele

 

Em 1960, o “Constellation” que levara Cauby a Nova York foi substituído pelo Boeing 707, a jato, que fazia a viagem em 12 horas. A televisão tomou o lugar do rádio e o Rock and Roll quase acabou com a música romântica. Não havia mais lugar para cantores à moda antiga e Cauby limitou sua carreira a apresentações em boates. Comprou uma com seus irmãos e ficou administrando o lugar até ser redescoberto pela televisão em 1980.

Os artistas da época queriam todos gravar músicas com ele. Comemorando seus 30 anos de carreira, Cauby lançou um LP pela Som Livre com músicas que Caetano Velloso, Chico Buarque, Tom Jobim e Roberto Carlos tinham composto especialmente para ele. Continuou popular até morrer, mas não fazia mais o sucesso dos anos de 1950. Era tratado mais como o sobrevivente de uma época perdida, um ídolo do passado a quem todos deviam respeito.

Pra mim, Cauby é parte das memórias da minha infância. Eu tinha sete, oito anos de idade e meu pai trabalhava na Radio Mayrink Veiga, que ficava ali perto da Praça Mauá. Às vezes, ele me levava nos estúdios para ver como se produzia os programas e eu circulava no meio daquele mundo de músicos e cantores, sem pertencer realmente a ele.

Daquela era perdida restaram alguns discos de vinil que ainda guardo. Entre eles, um dos primeiros do Cauby. Deve valer um bom dinheiro.

 

1955: Cauby saltando do Super Constellation (Foto: Divulgação)

1955: Cauby saltando do Super Constellation (Foto: Divulgação)

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br

 


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15 comentários

  1. Avatar

    Parabéns, limite-se a este tipo de assunto e outras amenidades.

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    Conheci Cauby; eu com tenros 19 e Cauby c 48 anos. Pessoa de um coração enorme e muito carinhoso, fazia de tudo p me agradar, inclusive me chamou p mora em seu apto sem eu gastar nada, queria pagar meus estudos, queria fazer tudo por mim, inclusive eu o chamava pelo carinhoso apelido de Bibi.Há q saudade………………..

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    E se toda vez que aparecesse o nome Temer, Aércio ou Renan aparecesse LULA ou DILMA.
    Será que estaria esse silêncio todo,rsrssrrsrrsrs.
    Coxinha = trouxinha

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    O cara poderia ao menos revisar o título da matéria: “rádio” (paroxítona terminada em ditongo crescente) requer acento agudo.
    Bom, tudo bem para um dia em que o novo ministro da Educação, Mendonça Filho, recebe no ministério um expoente da educação e da cultura brasileiras: Alexandre Frota.

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    Não, seu “Manel”, não. O voto para presidente foi pra Dilma. Temer foi pra vice (um vice empurrado, diga-se de passagem). Temer na cabeça da chapa tomaria poeira até do pastor Everaldo. Ademais, do outro lado havia a carinha de Aécio, da macabra dobradinha DEM-Tucanos.

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    ótima matéria Calife, parabéns !!! Eu com meus 39 anos sóu fã da bela música.

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    Tempos saudosos… E por falar em saudade, onde anda você, onde andam seus olhos que a gente não vê…

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    Isso que o Donald Trump do brejo escreveu está há dias nas colunas de fofocas do UOL e demais sites. Mas, então, não vai falar do glorioso governo Temer, do honestíssimo Jucá, não?

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    Boa matéria grande cantor, e sobre o JUCÁ não vai falar nada né ,ta esperando a GLOBO fazer a defesa pra você parti da mesma linha,srsrrs

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      Quem votou em Temer foi você. Lembra da carinha dele na urna quando você digitou 13?

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      Não, seu “Manel”, não. O voto para presidente foi pra Dilma. Temer foi pra vice (um vice empurrado, diga-se de passagem). Temer na cabeça da chapa tomaria poeira até do pastor Everaldo. Ademais, do outro lado havia a carinha de Aécio, da macabra dobradinha DEM-Tucanos.

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      Manel
      so pedi pra falar acho injusto se calarem agora ou e tão dificil assim. coxinha = trouxinha

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