domingo, 21 de julho de 2019

TEMPO REAL

 

Capa / Colunas / Chernobyl faz sucesso na HBO

Chernobyl faz sucesso na HBO

Matéria publicada em 18 de junho de 2019, 07:00 horas

 


Série mostra a catástrofe soviética e as tentativas para encobri-la

Chernobyl: O preço da mentira socialista

Enquanto a televisão aberta só exibe bobagens, a TV por assinatura tem séries como a Chernobyl, da HBO. A minissérie, em cincos episódios, reconstitui o pior desastre nuclear da história, o derretimento do reator número 4 da usina nuclear soviética, situada perto da cidade de Pripyat, na Ucrânia, e as tentativas do governo de ocultar o que tinha acontecido. Um procedimento que expôs populações inteiras a doses altíssimas de radiação. O governo só admitiu o que tinha acontecido depois que países vizinhos, como a Suécia, detectaram altas doses de radiação na atmosfera. Na Suécia os alarmes da usina nuclear de Forsmark dispararam. E os funcionários perceberam que não havia nada errado em Forsmark, a radiação estava vindo de Chernobyl, a mil quilômetros de distância. Foi só depois do alerta dado pelos suecos que o governo de Moscou admitiu o que tinha acontecido.

Qualquer pessoa que conheça a história do finado império soviético não se impressiona com isso, era norma do Partido Comunista esconder qualquer fracasso ou acidente. Na União Soviética não aconteciam acidentes aéreos. Só os aviões capitalistas caiam, as aeronaves soviéticas eram perfeitas e nunca se acidentavam. É claro que elas caiam, mas a imprensa não podia noticiar os acidentes e tudo era acobertado pelo governo.

Coisa parecida aconteceu também com o programa espacial soviético. Como comentei ontem, aqui mesmo no Caderno Lazer. Entre 1961 e 1969 os soviéticos tentaram mandar seus cosmonautas para a Lua, antes dos americanos do projeto Apollo. O gigantesco foguete soviético explodiu todas as vezes em que tentou sair do chão. E tudo foi escondido sob um manto de segredo que durou vinte anos. O fracassado programa lunar soviético só foi revelado em 1990, durante a Glassnost do Mikail Gorbachev.

O problema é que desastres aéreos e espaciais só afetam as pessoas diretamente envolvidas. No caso de um acidente nuclear é diferente, pois a poeira radioativa se espalha pela atmosfera e vai atingir populações a milhares de quilômetros de distância. A tentativa soviética de ocultar o que tinha acontecido na usina ucraniana foi criminosa. E a coisa só não foi pior porque alguns funcionários do governo ucraniano ligaram para as famílias das cidades vizinhas, alertando que não deixassem as crianças brincarem ao ar livre, nem tomassem leite ou comesses verduras das hortas e fazendas da região.

Até hoje não se sabe com certeza quantas pessoas morreram em consequência do desastre. Dados das Nações Unidas falam em quatro mil mortos. Já o grupo ecológico Greenpeace fala em 200 mil mortos. A verdade deve ficar em algum lugar entre esses extremos. A minissérie da HBO faz uma reconstituição tão minuciosa do acidente que foi elogiada pelos ucranianos, que foram os primeiros a sofrer as consequências do acidente. As roupas, os cortes de cabelo, os carros soviéticos, tudo foi recriado com perfeição. A maioria dos personagens é real, com poucas exceções. A cientista Ulana Khomyuk interpretada pela Emily Watson é uma mistura de vários cientistas envolvidos na catástrofe.

Hoje Prypiat é uma cidade fantasma, seus moradores levaram só algumas roupas quando fugiram de lá. Porque o governo disse na época que o problema era temporário e que eles poderiam voltar dentro de alguns dias. Com o sucesso da minissérie, vista no mundo inteiro, tem muita gente querendo ir até lá, conferir os cenários e as ruínas da tragédia. O que é muito perigoso. As ruínas de Chernobyl continuam perigosamente radioativas e não é saudável andar por lá. Muitos dos sobreviventes de Chernobyl morreram de canceres induzidos pela radiação.

Só quem não gostou da série da HBO foi o governo russo. Eles dizem que os culpados pelo desastre de Chernobyl são os americanos e vão fazer outra minissérie para mostrar a sua versão da história.

Uma coisa é certa. Os cinco episódios de Chernobyl são fortes candidatos ao Emmy, o Oscar da televisão.


Comente com Facebook
(O Diário do Vale não se responsabiliza pelos comentários postados via Facebook)

3 comentários

  1. Avatar

    Os adeptos da seita do PT e da seita do PSOL também não gostaram da série, pois para eles o regime soviético era o sistema político e econômico perfeito.

  2. Avatar

    Terminei de assistir ontem , muito boa a série.

  3. Avatar
    Pião Felizão CSN

    Poderiam fazer uma de Volta Redonda a Chernobyl do Rio de janeiro com a sua CSN.

Untitled Document