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Chineses lançam seu super foguete

Matéria publicada em 17 de novembro de 2016, 07:10 horas

 


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O programa espacial da China deu outro salto em direção ao futuro na semana passada. Os chineses lançaram com sucesso seu super foguete Longa Marcha 5. Que é o segundo lançador espacial mais poderoso do mundo, superando o Ariane 5 europeu e o Proton da Rússia. O Longa Marcha 5 só perde para o Delta 4 Pesado dos americanos. O foguete decolou do centro espacial de Wenchang na ilha de Hainan e colocou em órbita o satélite Shijian 17, equipado com um sistema de propulsão iônica.

O Longa Marcha 5 levou 20 anos para ser desenvolvido. É uma parte essencial do projeto chinês de manter uma estação espacial independente, permanentemente tripulada. E enviar sondas espaciais para a Lua e os planetas. O foguete tem dez motores no primeiro estágio e usa combustível criogênico em uma mistura de hidrogênio e oxigênio líquidos. Ele é mais avançado que o Proton russo, que depende da venenosa hidrazina.

Foram os chineses que inventaram os foguetes, há mais de 500 anos, e estão decididos a assumir um papel de liderança no espaço. Enquanto isso o programa espacial norte-americano enfrenta as incertezas da eleição de um novo presidente. Ninguém sabe se Donald Trump vai manter o projeto da construção do super foguete SLS ou do envio de astronautas para Marte em 2030.

No dia 15 de setembro os chineses colocaram em órbita um novo laboratório espacial, o Tiangong 2. Que logo recebeu a visita de seus primeiros tripulantes, os taikonautas Jing Haipeng e Chen Dong, que vão ficar 33 dias no espaço. O objetivo da Tiangong 2 é testar equipamentos para a futura estação espacial modular, a Tianhe 1, que começará a ser montada em 2018. Ela será formada por vários módulos lançados pelo Longa Marcha 5 e deve ficar pronta em 2022, podendo abrigar astronautas da China e da Agência Espacial Europeia.

Em 2018 os chineses também planejam enviar um robô para colher pedras na superfície da Lua e voltar a Terra. Ao contrário do programa espacial americano, que sofre mudanças a cada troca de presidente, o programa chinês tem objetivos a longo prazo que não são revistos de quatro em quatro anos.

No início do ano os chineses colocaram em operação seu super radiotelescópio, o Fast, que vai participar da busca por civilizações extraterrestres. O Fast tem 500 metros de diâmetro e é bem maior que a antena de 305 metros do radiotelescópio de Arecibo, da Fundação Nacional de Ciências dos Estados Unidos, que foi a maior antena do mundo no século passado. O Fast só perde em tamanho para o Ratan da Rússia, que tem um projeto diferente, em forma de anel. O Fast e o Arecibo são antenas parabólicas.

Ele será capaz de captar sinais de rádio em uma área de 1300 anos-luz no espaço. Os radiotelescópios são usados para estudar os corpos celestes que emitem ondas de rádio, como os pulsares e os núcleos das galáxias ativas. O tamanho e a potência das antenas têm aumentado desde que os ingleses inauguraram o radiotelescópio de Jodrell Bank, em 1957. Jodrell Bank foi usado para rastrear as primeiras sondas espaciais Luna que a União Soviética enviou para a Lua. Mas logo foi superado em tamanho e em potência pelas antenas norte-americanas.

A China já colocou um robô operando na superfície da Lua, o Coelho de Jade. Que não sobreviveu ao frio da noite lunar. O próximo passo será enviar um robô mais avançado capaz de coletar rochas e trazê-las para a Terra. Como as sondas soviéticas Luna na década de 1970.

 

 Novo: O super foguete chinês antes do lançamento


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JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br


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