sábado, 16 de novembro de 2019

TEMPO REAL

 

Capa / Ciência – Por Jorge Calife / Cometa vindo do espaço interestelar mobiliza astrônomos

Cometa vindo do espaço interestelar mobiliza astrônomos

Matéria publicada em 17 de outubro de 2019, 06:00 horas

 


Astro foi detectado por um astrônomo amador da Crimeia e recebeu seu nome

Nosso sistema solar acaba de receber um segundo visitante do espaço interestelar. É o cometa 21 Borisov que foi descoberto pelo astrônomo amador Gennady Borisov, da Crimeia. Ele estava observando o céu perto do horizonte, com seu pequeno telescópio, quando notou um objeto nebuloso e avisou a União Astronômica Internacional. A descoberta só poderia ter sido feita por um amador porque os grandes telescópios, dos astrônomos profissionais, não conseguem mirar em objetos perto do horizonte.
Cálculos da trajetória mostram que o Borisov se move em uma trajetória hiperbólica, típica de objetos vindos das profundezas do espaço interestelar. Os cometas do nosso próprio sistema solar, que vem da chamada nuvem de Oort, movem-se em trajetórias elípticas. Quando a novidade foi anunciada ao mundo, astrônomos de vários países começaram a estudar o visitante. E já conseguiram até descobrir de onde foi que ele veio. A trajetória do Borisov mostra que ele veio do sistema estelar Kruger 60, uma estrela anã vermelha que fica a 13,5 anos-luz da Terra.
A primeira passagem de um objeto interestelar pelo nosso sistema de planetas foi detectada em 2017. Quando um estranho objeto em forma de charuto, o Oumuamua, cruzou o sistema solar. Até hoje não se sabe se Oumuamua era um asteroide, um cometa extinto ou alguma outra coisa. No caso do cometa Borisov, os astrônomos se beneficiaram de um trabalho de detecção bem rápido, que vai permitir que o visitante seja observado e estudado durante um ano inteiro. Além disso, o Borisov é bem maior do que o Oumuamua e as primeiras medições mostram que seu núcleo, ou seja, a parte sólida dentro da nuvem de gás e poeira, tem dois quilômetros de largura.

Imagem: O Borisov fotografado pelo observatório Gemini

Desde que foi avistado no dia 30 de agosto o cometa já foi fotografado e estudado por vários observatórios importantes. Como o telescópio Germini, no Havaí, e o William Herschell, em La Palma, nas Ilhas Canárias. Um dos primeiros estudos foi publicado na famosa revista científica Nature. Ele mostra que o Borisov se move com uma velocidade de três quilômetros por segundo e vai passar a uma distância de trezentos milhões de quilômetros do Sol. O que é o dobro da distância Terra Sol. A Agência Espacial Esa está planejando uma sonda capaz de interceptar esse tipo de cometa, a Comet Interceptor, que deve ser lançada na próxima década.
As primeiras fotos do Borisov mostram que ele é igual aos cometas do nosso sistema solar. Tem um núcleo de gelo e poeira que emite gases formando uma cauda.
Oumuamua foi muito mais interessante. Ele mostrou uma aceleração não gravitacional, sugerindo que poderia ter algum sistema de propulsão. O que levou os astrônomos Avi Loeb e Shamuel Bialy, da Universidade de Harvard, a sugerirem que Oumuamua poderia ser uma espaçonave extraterrestre impulsionada por uma vela fotônica. Planos foram feitos para enviar uma sonda atrás do estranho objeto. O que exigiria um foguete potente como o Falcon Heavy da Space X. O problema é que se o lançamento for feito em 2021 a sonda só vai alcançar o Oumuamua em 2045.
Os astrônomos acreditam que esses visitantes interestelares devem ser muito comuns. Mas até recentemente eles passavam por aqui sem serem detectados, por falta de instrumentos suficientemente sensíveis para localizá-los. Agora, com toda uma rede de telescópios sofisticados, nas mãos de profissionais e amadores, outros visitantes do espaço profundo devem ser anunciados, na média de um por ano.

 

Jorge Luiz Calife

 

 


Comente com Facebook
(O Diário do Vale não se responsabiliza pelos comentários postados via Facebook)
Untitled Document