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Conferência Eco-92 completa 25 anos

Matéria publicada em 7 de julho de 2017, 07:00 horas

 


Encontro foi o divisor de águas na defesa do meio ambiente; Terra já sobreviveu a coisas piores do que a atual infestação humana

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O tempo é implacável. Outro dia a televisão me lembrou do 25º aniversário da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro, em 1992. Encontro que cobri a serviço de um jornal do Rio de Janeiro. Foi uma daquelas ocasiões memoráveis na carreira de qualquer jornalista. Nada menos do que 178 países enviaram representantes para o encontro do Rio, e muitos chefes de estado vieram pessoalmente ao Rio Centro. Não foi a primeira conferência sobre o clima e o meio ambiente, mas foi um evento inédito pela adesão maciça e pela mudança de comportamento que produziu.

Ainda guardo o crachá da ONU que ganhei, como jornalista credenciado no evento. Está novinho e parece que a conferência foi há um ano. Mas o mundo mudou muito desde aquele junho de 1992. Antes da Rio 92 a preservação do meio ambiente era um assunto restrito a grupos de ecologistas e cientistas ligados ao assunto. A reunião no Rio de Janeiro mudou isso e criou uma agenda, a Agenda 21, pela qual os países se comprometiam a seguir um novo padrão de desenvolvimento sustentável. É claro que houve resistências e recuos, mas o consenso mundial sobre a necessidade de conter coisas como o efeito estufa e limitar a degradação do meio ambiente se manteve.

A cúpula do clima, ou ciméria, como também foi chamada, aconteceu no Rio Centro, ali na zona oeste do Rio de Janeiro, entre os dias 3 e 14 de junho. Mas, um ano antes já se falava no assunto nas redações dos jornais da cidade. Era a “mãe de todas as pautas” como diria o falecido Saddan Hussein (que nunca deu a mínima para a ecologia). O jornal onde eu era “repórter de ciência” criou uma editoria de meio ambiente só para tratar do assunto. E fez várias matérias sobre os problemas ecológicos brasileiros antecipando o que seria tratado no encontro mundial.

Nossa redação ficava na Avenida Brasil, onde funciona hoje um instituto de traumatologia. E com a conferência acontecendo do outro lado da cidade, no Rio Centro, perdíamos quase uma hora para ir até lá de carro, enfrentando os engarrafamentos que já eram frequentes na “cidade maravilhosa”. Mas pelo menos não tinha tiroteios naquela época. O tempo colaborou e o sol brilhou durante todos os dias do encontro. No Aterro do Flamengo teve uma reunião paralela, das Organizações Não Governamentais que montaram barracas, fizeram propaganda de suas ações e se comprometeram a fiscalizar os governos para que cumprissem a Agenda 21 e outros acordos assinados naquelas duas semanas.

Não me lembro de ter feito matérias nesse encontro paralelo. Já tinha coisa demais para cobrir no Rio Centro. Procurei me concentrar nos cientistas e seus prognósticos bem pessimistas sobre o que estava acontecendo no mundo. Parecia ficção científica, mas tudo o que eles disseram naquelas entrevistas, há 25 anos, entrou para a realidade do nosso dia a dia. O degelo do oceano ártico, o aumento na frequência e na violência das tempestades, as secas e inundações frequentes.

Nem todo mundo acreditou, claro. Para o governo norte-americano o aquecimento global era só uma teoria não comprovada. Durante o governo George W. Bush os cientistas do governo eram proibidos de pesquisar o assunto. Mas Bush mudou de opinião depois que o furacão Katrina devastou a cidade de Nova Orleans. Aqui no Brasil os tornados, que eram coisa de filme americano, deram o “ar de sua graça” e passaram a devastar as cidades do sul. E, é claro, teve a mega tormenta de 2011 que matou mais de mil pessoas na região serrana.

Há 25 anos já se falava em “salvar o planeta”, o que é um equívoco. A Terra já sobreviveu a coisas piores do que a atual infestação humana. A questão é salvar a nossa espécie, que pode entrar para o clube dos animais extintos se o meio ambiente entrar em colapso total.

Memorável: Reunião da ONU foi no Rio de Janeiro

Memorável: Reunião da ONU foi no Rio de Janeiro

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br


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3 comentários

  1. Avatar

    Só mesmo quando a relação de causalidade entre a degradação ambiental e os prejuízos causados pelas grandes catástrofes naturais se tornar evidente é que a humanidade tentará modificar seus hábitos.

  2. Avatar
    الفتح - الوغد

    1992. Pow, parece que foi ontem! Olimpíadas de Barcelona, caso Daniella Perez, construção do Conjunto Vila Rica, planejamento da Rodovia do Contorno…

  3. Avatar

    “Ciméria”? Eita… o correto é “cimeira”. Ciméria é outra coisa… tsc, tsc…

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