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Coração que pensa

Matéria publicada em 23 de fevereiro de 2019, 08:24 horas

 


A coluna de hoje vai tratar de inteligência emocional

Por que a criança faz pirraça? Por que as meninas de dez anos choram quando são contrariadas? Por que o jovem que terminou seu pós-doutorado no estrangeiro perdeu a vaga de chefe de departamento para o senhor que tem apenas um curso superior? Por que tomamos atitudes impulsivas e nos arrependemos depois? Por que explodimos?
Inteligência emocional é fundamental para diversos contextos de nossas vidas. Estudos da CareerBuilder – líder mundial na área do capital humano – mostraram que 71% dos empregadores nos Estados Unidos consideram o QE (Inteligência Emocional) mais importante do que o QI. Empregadores escolhem, frequentemente três vezes mais, pessoas com inteligência emocional a pessoas com habilidades técnicas. Por isso, o controle das emoções, autoconsciência e a capacidade de se motivar são temas muito importantes que devem ser considerados. Será que nossas escolas ensinam inteligência emocional? Será que temos condições de preparar nossos filhos, alunos, funcionários ou mesmo amigos para um melhor controle das emoções? Será que temos inteligência emocional?
Não há emoções só boas ou só más, emoção é emoção, e ponto.
Não há boas ou más emoções, porque são definidas pelo contexto. Portanto, dizer que sentir medo é algo ruim é errado. Medo é bom em um contexto apropriado, no qual mobiliza, e em uma proporção adequada. É importante, portanto, que nossos preconceitos em relação às emoções sejam revisitados.
Alguém está num jardim zoológico, olha para uma jaula com um leão e se sente seguro. A certa altura, a porta da jaula abre e o leão sai. Obviamente, é aconselhável você sentir medo porque assim vai fugir depressa e graças a isso talvez se possa salvar. Se não tiver medo do leão, provavelmente estará mais disposto a fazer algo estúpido ou a não fazer nada ou a chegar a ele e acariciá-lo – assim talvez perca a mão.
Pergunte a si mesmo: onde, quando e quantas emoções quero sentir? Outra estratégia interessante é saber que tipo de emoção estamos sentindo, dar nome a elas é fundamental para podermos lidar de forma mais saudável e assertiva. Sair do “estou estressado” para “estou frustrado por não ter concluído a venda” é uma forma boa para dissipar tal emoção e aprender com a situação que a levou, e crescer.
Quando você fizer isso, tente definir e especificar uma maneira apropriada para a emoção que estiver sentindo. Estou sentindo tristeza, remorso, estou sentido desejo, estou sentindo orgulho, estou sentindo vergonha, estou sentindo entusiasmo. Independentemente do fato de aquilo ser algo positivo ou negativo, naquele momento você já está autoconsciente. Autoconsciência de emoções é fundamental porque, se alguém não souber definir suas emoções, não irá saber com o que está lidando. Deve evitar absolutamente declarações do tipo: “Estou irritado”. Em vez disso é melhor dizer: “Estou sentindo irritação”.
Não se identifique com emoções, observe-as. Dê um passo atrás e tente se observar e se ver naquela situação, certamente você terá um conselho para você mesmo. Seja seu coach, seja seu melhor amigo, seja seu mentor.

Se você disser: “Estou irritado”, vai programar a entrada das emoções ao nível da personalidade, ao nível da identidade. Na verdade, você estaria a dizer que eu = emoção. Isso não é verdade, porque você é seu criador: você a cria, você a produz, e, sendo assim – você está também sentindo-a. É melhor você dizer: “Estou sentindo medo” em vez de: “Estou com medo”, ou o que seria pior, “eu tenho medo”.
Só você é responsável pelo que esteja a sentir, mais ninguém. Você é o responsável, você está no controle. Será que podemos aprender com isso para ensinar os nossos filhos, amigos, colaboradores? Será?
O segundo elemento é claramente voltar a ter responsabilidade. Não diga, por exemplo, que o professor irritou você. Em vez disso é melhor dizer: “Minha interpretação do que o professor tem dito resultou em eu estar sentindo irritação”. Fazendo algo assim, você vai voltar a agir e não vai ser resultado das ações de outras pessoas. Devemos ser plenos em relação às nossas atitudes e a nossos sentimentos. Somos os únicos responsáveis por nossas emoções. Não é fácil, mas acreditar nisso é parte de nosso crescimento.

Os 5 componentes básicos da Inteligência Emocional
Há alguns componentes básicos da inteligência emocional (IE), os quais são importantes para nosso desenvolvimento. Precisamos desenvolver e aprimorar a capacidade de identificarmos os nossos próprios sentimentos e os dos outros, de nos motivarmos e de gerirmos bem as emoções dentro de nós e nos nossos relacionamentos. É importante adquirir a capacidade de perceber e exprimir a emoção, assimilá-la ao pensamento, compreender e raciocinar com ela e saber regulá-la em si próprio e nos outros. A única forma de atingirmos essa definição é entendendo e desenvolvendo em nós os cinco componentes básicos da IE:
– Autoconsciência: está ligada à compreensão profunda das próprias emoções, forças, fraquezas, necessidades e impulsos.
Dica: dê um passo atrás, você enxergará de outra forma, diante de uma situação de estresse, experimente parar uns minutos ou mesmo uns segundos, para poder analisar de uma maneira mais distanciada. Pense no longo prazo, exemplo: faça-se a pergunta, daqui a dez anos isso fará tanta diferença? Faz sentido essas emoções, nessa intensidade como estou sentindo agora?
– Autogestão: impulsos biológicos dirigem nossas emoções, não podemos eliminá-los, mas administrá-los. A autogestão nos liberta de sermos prisioneiros de nossos sentimentos.
Dica: Cuide de suas emoções, entenda o funcionamento delas em você e, o mais importante, respire, respire, respire. Respirar vem do latim. Quer dizer renovar a vida. Lembremos que a respiração tem o poder de acalmar nossas emoções e regular nossos batimentos cardíacos, a neurociência, a medicina chinesa e os monges vêm nos ensinando com bastante assertividade.
– Empatia: significa levar em conta ponderadamente os sentimentos do outro, junto com outros fatores, no processo de tomar decisões estratégicas e inteligentes.
Dica: Veja o mundo com o olhar do outro, esse exercício é rico e permite que nos acalmemos em momentos críticos. Se o outro errou, fica mais fácil pensar em limites do que em má fé, em limites que podem ser superados com nossa ajuda. Devemos criar e desenvolver a capacidade de olhar o mundo com o olhar do outro. Isso, certamente, fará bem a todos, principalmente a nós mesmos.
– Habilidade Social: é a cordialidade com um propósito: conduzir as pessoas na direção que você deseja.
Dica: saber e ter consciência que “nenhum homem é uma ilha”. Devemos caminhar juntos, pois juntos vamos mais longe, e sempre teremos companhia para celebrar nossas vitórias e, quando necessários, chorar nossas pitangas.
– Domínio de Propósito e Visão: Compreender e trabalhar para alcançar o propósito da sua vida.
Dica: Devemos saber qual o nosso propósito, isso é fundamental para termos paz, plenitude e saber que estamos no caminho. Devemos nos lembrar sempre que o caminho é mais importante do que a velocidade. Identificar o nosso porquê é fundamental para continuarmos na caminhada. Pessoas com senso de propósito são mais seguras, mais plenas, mais capazes de enfrentar os revezes da vida.
Devemos sim, seguir nosso coração, dar mais voz a ele, pois ele nasceu antes de nosso cérebro, mas isso é para outro sábado de conversa.

Boa leitura, TMJ!
Raphael Haussman. É professor, Coach, consultor e apaixonado por educação e desenvolvimento humano e, ainda, pai da Raphaela e do Theo.

Nosso dicionário:
Pós-doutorado – curso de especialização ou aperfeiçoamento, que se faz após a conclusão do doutorado; pós-doutoramento.
Inteligência emocional – é um conceito relacionado com a chamada “inteligência social”, presente na psicologia e criado pelo psicólogo estadunidense Daniel Goleman. Um indivíduo emocionalmente inteligente é aquele que consegue identificar as suas emoções com mais facilidade.
CareerBuilder – empresa que opera sites em 23 países fora os EUA, e tem presença em mais de 60 mercados. O seu site é um dos mais visitados sites de emprego nos Estados Unidos.
QE – Daniel Goleman, autor do livro Inteligência Emocional, propôs o conceito de Q.E., do inglês Quantitative easing, que significa quociente emocional. Esse quociente emocional tem relação direta com a inteligência emocional.
QI – quociente de inteligência.
Autoconsciência – característica lógica da consciência de ser, consciência que reflete sobre si própria, sobre sua condição e seus processos.
Medo – estado emocional que surge em resposta a consciência perante uma situação de eventual perigo.
Assertiva – adjetivo relativo a qualidade de algo que é afirmativo, positivo e certo, como um comportamento ou ação, por exemplo.
Coach – é o profissional que utiliza das ferramentas presentes na metodologia de desenvolvimento e maximização de performance humana, conhecida como coaching. O papel do coach é apoiar o cliente (coachee) durante o processo de coaching para que possa alcançar as metas determinadas por ele, desde o início do projeto.
Mentor – pessoa que serve a alguém de guia, de sábio e experiente conselheiro, pessoa que inspira, estimula, cria ou orienta.
Responsabilidade – é o dever de arcar com as consequências do próprio comportamento ou do comportamento de outras pessoas.
IE – Inteligência emocional.
“Nenhum homem é uma ilha” – frase do poeta jacobita inglês, pregador e o maior representante dos poetas metafísicos do século XVI, John Donne.


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2 comentários

  1. Avatar

    Artigo muito bem elaborado, QI e QE precisam caminhar juntos.

  2. Avatar

    E isso que estou precisando neste exato momento, minha mente esteve confusa, essa leitura me ajudou muito.
    06:07hs

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