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Cores da conscientização

Matéria publicada em 9 de novembro de 2018, 07:31 horas

 


Já não é de hoje que o nosso calendário é marcado por inúmeras cores, de janeiro a dezembro, onde os meses são coloridos por tonalidades, buscando, dessa forma, chamar atenção e, com isso, ajudar na conscientização para a importância de cuidarmos da saúde, objetivando, a todo custo, uma melhor qualidade de vida.
Mesmo não existindo um calendário oficial com as cores para cada mês do ano, o número de campanhas divulgadas pelo mundo afora tem crescido de maneira vertiginosa; e felizmente a soma de pessoas que se engajam nessas lutas com ações efetivas contra inúmeras doenças só tem aumentado.
Janeiro é o mês dedicado ao branco, chamando atenção sobre a saúde mental. Fevereiro é o mês do laranja e do roxo; ele sinaliza para o combate ao lúpus, do mal de Alzheimer e da fibromialgia. Março é o mês do azul-marinho, criado como um alerta para a prevenção ao câncer colorretal. Abril é todo azul, em que o debate está focado no autismo. Maio é o mês do amarelo e do vermelho; ele é destinado à prevenção de acidentes de trânsito e ainda a chamar nossa atenção sobre a hepatite. Junho é vermelho, e alerta para a doação de sangue; e ainda é laranja, buscando a conscientização sobre a anemia e a leucemia. O mês de julho é amarelo e seu foco é o câncer ósseo e as hepatites virais. Agosto é dourado, e foi pensado para a amamentação, pois é dedicado ao aleitamento materno, algo fundamental para a saúde das crianças recém-nascidas. Setembro é vermelho, verde e amarelo, e o coração, o câncer de intestino e a doação de órgãos é o objetivo. E ainda para a prevenção do suicídio. Outubro se pinta de rosa; é totalmente dedicado à mulher e à conscientização sobre o câncer de mama. Novembro, o mês em que estamos, é dedicado a prevenir e combater o câncer de próstata. Trata-se de uma das campanhas mais fortes do ano, porque busca quebrar os velhos tabus dos exames que são de suma importância para prevenir a doença: o toque retal. Por fim, dezembro, e mais uma vez o laranja e o vermelho servem para que as pessoas se conscientizem sobre a importância de combater o câncer de pele e a necessidade de se prevenir contra a AIDS. Existem ainda outras doenças que se inserem neste calendário do bem, sempre com cores que buscam chamar a atenção da população para o cuidado e a prevenção.
Todas essas campanhas, que vão de janeiro a dezembro de cada ano, servem para alertar tanto para a prevenção das doenças como para torná-las mais conhecidas, possibilitando o debate, e a partir daí a possibilidade da conscientização e da educação em torno de cada uma delas, gerando a troca de experiências entre as pessoas. São ações como essas, que circulam através das mídias pelos quatro cantos do país, que fazem a informação chegar a locais onde a doença é pouco conhecida e o seu tratamento ainda é precário ou até inexistente. Fazem, inclusive, com que o governo, apesar de sua inércia, promova de maneira “eficaz” ações de combate, alertando a população e evitando, muitas vezes, uma epidemia.
Todas as campanhas vêm precedidas de um laço, que tem o poder simbólico de abraçar e, de estimular carinhosamente cada um de nós a entrar nessa luta. O laço fica visível na roupa ou em algum lugar de destaque, buscando chamar atenção e lembrar que naquele mês se deve pensar em uma determinada prevenção. O uso de laços surgiu a partir do laço vermelho, símbolo do ativismo pela prevenção da AIDS, iniciada em 1990. Logo a seguir, a fundação norte-americana Susan G. Komen, conhecida pelo seu importante trabalho na prevenção do câncer de mama, adotou o laço cor-de-rosa, e a partir daí outros laços foram surgindo.
O novembro azul foi criado, no Brasil, pelo Instituto Lado a Lado pela Vida, com o principal objetivo de quebrar de uma vez por todas o preconceito masculino de não se submeter ao exame de toque retal. Um dos momentos de maior repercussão dessa campanha aconteceu em 2014, quando foram realizadas mais de duas mil ações em todo o país, com a iluminação de pontos turísticos, como o Cristo Redentor, o Monumento às Bandeiras, o Teatro Amazonas e o Congresso Nacional, e outros eventos em estádios, em autódromos e eventos de rua, com a presença de personalidades conhecidas dos brasileiros.
Esta é indiscutivelmente a cultura do amor, o marketing da vida, da luta em prol da saúde se fazendo presente. Tudo para que as pessoas possam viver mais e melhor, mesmo que o nosso governo acabe por ostentar muitas vezes o laço preto de janeiro a dezembro, diante da parca atenção que dá à saúde do nosso país.


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