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Da internet para as ruas, o novo vocabulário

Matéria publicada em 8 de novembro de 2019, 06:00 horas

 


Quem nunca leu na internet, no Facebook, no Instagram e até no WattsApp a famosa expressão “TBT”? Ela é uma abreviação em inglês de “throwback thursday”. “Throwback” quer dizer regresso, e “thursday” tem o significado de quinta-feira. Portanto, “TBT” significa quinta-feira do regresso ou, em tradução livre, quinta-feira da nostalgia.
Nas redes sociais, vem normalmente acompanhada de hashtag. Fotos antigas, lembranças em geral, memórias de toda ordem costumam vir precedidas da expressão #TBT. Reza a lenda que tudo teve início em um blog norte-americano especializado em calçados, mais especificamente em tênis, o “Nice Kicks”, que costumava publicar fotos de tênis antigos sempre às quintas-feiras, em uma sessão específica de uma página chamada “Throwback Thursday”.
Isso aconteceu em 2006, mas as hashtags só começaram a fazer parte da expressão a partir de 2011. Depois, essa lembrança deixou de ser publicada somente às quintas-feiras e tomou conta de todos os dias da semana; afinal, o brasileiro gosta de mostrar presença sempre que pode e não em apenas um dia da semana.
Outra expressão que se pulverizou nas redes sociais foi RIP (ou R.I.P), que quer dizer “requiescat in pace”, expressão em latim que significa “descanse em paz”. Em português, RIP tornou-se um termo usado para expressar morte, e, geralmente, é escrito em lápides, nos países de língua inglesa. Essa sigla acabou por se tornar ainda mais conhecida quando uma pessoa famosa morre, quando, então, é exaustivamente usada, sobretudo nas redes sociais, como uma espécie de adeus ou saudade.
TBT e RIP são apenas duas expressões ditas diariamente no universo virtual, mas existem dezenas de outras que fazem parte do vocabulário daqueles que vivem teclando no ciberespaço, mesmo porque a internet é um espaço infinito e cheio de criatividade: há coisas realmente sérias e também zoações sem limites e inomináveis fakes news. Os neologismos que circulam pelas redes sociais geram graça, mas também causam muita dor de cabeça, principalmente nos famosos de plantão.
Encontramos no dia a dia expressões como SQN, muito usada em frases recheadas de ironia, como “só que não”. Existe ainda a indefectível “miga” ou “migo”, uma espécie de corruptela de “amiga” ou “amigo”. Temos o VLWS (ou FLWS), que quer dizer “Valeu”; ou o “Falou”, dito por quem agradece e se despede. E ainda o MDS, nada mais que “Meu Deus!”.
Temos ainda o “Poser”, gíria usada para adjetivar a pessoa que gosta de se exibir, chamar atenção para si ou que mostra ser alguém que de fato não é. “Crush” é usada para mencionar aquela pessoa por quem se está interessado. Pode ser algo real ou mesmo uma ficção, ou seja, uma pessoa que nunca ficará frente a frente com o interessado. É como ter uma queda por alguém e nada mais.
“Bae” é uma gíria abreviada de “before anyone else”, cuja tradução livre é “antes de mais ninguém”. “Throwing shade” é algo bem venenoso, mais exatamente como falar mal de outras pessoas. Uma espécie de fofoca ou deboche.
O que dizer de “Yas”, que é oriunda de “Yes”, o sim em inglês? Na internet, “Yas” ganha um sentido engraçado e até eufórico. “Squad”, gíria que foi criada pela cantora Taylor Swift, pode ser traduzida como “um grupo de amigas”. “Shippar”, essa então já foi até tema de série de TV, famosa ao extremo, e surgiu da expressão “to ship”. Essa gíria é dita geralmente quando se torce para alguém ficar junto, formando, assim, um casal. “Stalkear”, em inglês, quer dizer perseguidor. É como se alguém estivesse espionando o que a outra faz, assim como olhar as fotos postadas ou mesmo checar as curtidas que a pessoa deu nas fotos. O que dizer de MNTC, nada mais nada menos que “mulher não tem coração”? E BFF, em inglês, “best friend forever”, seria, então, “melhor amigo para sempre”.

Memes: Internet é um espaço infinito e cheio de criatividade (Foto: Reprodução)

A lista é grande

Já em português as gírias também ganham corpo, como: “Ranço” a velha implicância com alguém, o desprezo ou até mesmo raiva. “Falsiane” é um nome estranho que patenteia as pessoas falsas nas redes sociais. E 10/10 é elogio à pessoa muito bonita, ou seja, uma nota 10 em dobro. “Lacrar”, quem não conhece essa gíria famosa dentro e fora da internet? É muito popular, sobretudo, entre as pessoas que fazem parte da comunidade LGBTQ+; ela quer dizer que a pessoa foi muito bem em alguma coisa. É um elogio levantando a moral e ao mesmo tempo aplaudindo quem “lacrou”.
A lista ainda tem “divar”, palavra que deriva de “diva”, pessoa bela e poderosa, mesmo que de forma ficcional. Quando alguém diz “divou”, quer dizer que agiu de modo sensacional. Dar “PT”, (nada a ver com política), é uma gíria que descreve aquele amigo que bebeu demais ou passou mal. Deu “perda total” e já não tem mais condição de nada.
Fechando as gírias brasileiras, “flopar” significa falhar em uma determinada coisa, ou seja, não fazer o que pretendia. “Mitou” deriva da palavra “mito”, e descreve alguém que fez algo surpreendente. Por fim, o velho “trollar”. Essa gíria, que significa enganar, “tirar sarro” de alguém, caiu em uma pegadinha: no passado, tinha a ver com tripudiar de alguém, porém, para muitos, virou bullying. É originária da palavra “troll”, que descreve alguém que engana outra pessoa para poder humilhá-la.
A internet nasceu e mantém sua linguagem muito própria, o que acabou por modificar o jeito de falar de muitas pessoas, sobretudo, dos jovens. O velho e primordial “Aurélio” que, para muitos, é o pai dos dicionários, já começa a se preparar para relacionar essas novas palavras e seus significados – muitas vezes bizarros, é verdade -, mas que já estão pelas ruas sendo ditas e consumidas no dia a dia.

 


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