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Depois da muralha do Trump, a muralha do Crivella

Matéria publicada em 25 de novembro de 2016, 07:00 horas

 


Prefeito eleito quer cercar o Rio de Janeiro para combater a violência; muralha permitiria controlar melhor a entrada de armamentos na cidade

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Tem notícias hoje em dia que a gente lê e fica em dúvida se é para rir ou para chorar. No último fim de semana o Rio de Janeiro sofreu com os tiroteios de costume. Até um helicóptero da polícia despencou matando os quatro tripulantes. Na segunda-feira o prefeito eleito Marcelo Crivella teve um encontro com líderes evangélicos e judaicos na Catedral Mundial da Fé, em Del Castilho, na zona norte da cidade. E comentou que a solução para o problema da segurança na ex-cidade maravilha seria construir uma muralha como a que cercava a Jerusalém dos tempos bíblicos.

Segundo a revista Veja, Crivella acha que a muralha permitiria controlar melhor a entrada de armamentos na cidade. Ou seja, já temos o nosso Donald Trump. Enquanto o presidente eleito dos Estados Unidos quer construir um muro separando as terras do Tio Sam do México e da América Latina, o prefeito eleito do Rio que construir um muro em torno da metrópole carioca.

Ele só pode estar brincando. As muralhas de Jerusalém, nos tempos do rei David, cercavam a cidade velha, que tinha uma área de um quilômetro quadrado. Tente fazer isso em uma megalópole do século XXI, com milhões de habitantes e você terá uma obra das dimensões da Grande Muralha da China. Que não vai servir para coisa alguma.

As muralhas ofereciam uma proteção relativa nos tempos anteriores a invenção da pólvora e do transporte aéreo. Mesmo assim não eram garantia de segurança. Mesmo com suas muralhas a Jerusalém dos antigos hebreus foi capturada duas vezes e sitiada 44 vezes. Até o exército do rei da Babilônia, Nabucodonosor, derrubar tudo aí por volta do ano 587. E isso foi no tempo em que se lutava com espadas e lanças, não com explosivos.

No caso do Rio de Janeiro não seria possível murar as montanhas que envolvem a cidade, como o maciço da Tijuca. Nem sua vasta orla marítima por onde os criminosos poderiam entrar com suas armas. A muralha do Rio de Janeiro poderia ser uma proposta interessante para as empreiteiras que ganham rios de dinheiro com as obras na cidade. Mas acho que depois do escândalo que levou para Bangu 8 o ex-governador Sergio Cabral até as empreiteiras olhariam a ideia com cautela.

Custo

É como o fabuloso trem bala do governo Lula. Que ia ligar o Rio de Janeiro a São Paulo durante os jogos Olímpicos. E que acabou sendo esquecido devido ao alto custo e a crise econômica que atingiu o país. O problema da segurança no Rio de Janeiro passa por uma reforma na nossa justiça, com leis mais rígidas que garantam a punição dos criminosos. Por uma polícia bem paga e equipada. Que prenda o bandido e ele fique preso. Acabando com esses indultos e visitas a parentes que só servem para colocar o criminoso de novo nas suas áreas de atuação.

A criminalidade no Brasil aumentou com os governos de esquerda. Que sempre foram benevolentes com o crime e os criminosos. Começando pelo falecido Leonel Brizola, que proibiu a polícia de subir nos morros da cidade “para não intimidar os cidadãos de bem”. E como o estado não se fazia presente nos morros e áreas carentes elas foram tomadas pelos traficantes e depois pelas milícias. Com os tiroteios e guerras frequentes entre facções.

Durante os governos Lula/Dilma o projeto era transformar o Rio de Janeiro em um local para grandes eventos internacionais. Como a Copa do Mundo e as Olimpíadas.

Para permitir a realização da Copa e dos Jogos Olímpicos os morros foram ocupados e se criou as UPPs em um espetáculo para americano ver. Sem estrutura e sem condições acabamos com policiais alojados dentro de containers, morrendo como moscas diante da fuzilaria dos bandidos. O teleférico do morro do Alemão, símbolo deste “novo Rio”, está parado por falta de segurança e manutenção.

E agora temos as muralhas do prefeito bíblico. Tão inúteis quanto o teleférico.

 Jerusalém: Prefeito quer deixar o Rio de Janeiro assim

Jerusalém: Prefeito quer deixar o Rio de Janeiro assim

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br

 


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10 comentários

  1. Avatar

    Parei de ler no “segundo a revista veja”. Tal revista não é e nunca será fonte confiável. Melhorem.

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      É verdade.A tal de Carta Capital é que é uma confirmação fonte totalmente confiável.

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      A Veja é tão parcial quanto a Carta Capital ou qualquer outra publicação desse planeta! Todos servem aos interesses de algum grupo econômico. Resta a que lê o senso crítico para separar o joio do trigo. Cada um sabe qual a mais palatável para si!

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    A muralha é mera metáfora, lógico que ele não vai construir tal muralha, até porque seria de nenhuma valia, a não ser que se fechassem todas as ruas, avenidas, rodovias e ferrovias que adentram o perímetro da capital, o que é, convenhamos, impossível tanto sob aspectos práticos quanto sob aspectos legais… Se o Rio fosse uma cidade-estado independente, tipo Cingapura, Vaticano ou Mônaco, aí eu botava fé, mas ainda assim seria bizarro…

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    Se o Crivela fizer uma parceria com os pastores Edir Macedo, RR Soares, Valdemiro Santiago e Silas Malafaia, dá para construir esse muro e ainda vai sobrar muito dinheiro.

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      Cuidado com sua língua rapaz. No juízo final, Deus vai cobrar de você por cada palavrinha dita ou escrita à respeito dos outros. Cuide de sua vidinha e deixe os Pastores cuidar da deles pois cada um dará contra de si e de seus atos perante Deus.

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    Coxinha de cidade-operária

    Antes e depois de Brizola, que outros governos “de esquerda” o RJ teve, para ser tão violento essas décadas todas? O Trump do Brejo deveria limitar-se àquelas divagações ginasiais sobre o espaço sideral.

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      Antes de Brizola o Rio não era muito menos violento, mas as facções criminosas não tinham tanta força quanto adquiriram durante seus governos… Ocupações irregulares também foram marcas de sua administração, bem como a proibição de incursões policiais nessas comunidades que se adensavam. Brizola foi um homem bom, mas muito afeito a ideologias utópicas e anacrônicas…

      Aqui em VR mesmo temos muitos exemplos disso. Boa parte das “favelinhas” e núcleos de posse incrustados em bairros por toda a cidade surgiram nos anos 80, resquícios seu primeiro governo …

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    Brizola, Marcelo Alencar, Moreira Franco, Garotinho, Rosinha, Benedita,Cabral, Pezão. Com um time desses, o que esperar de bom para o estado do Rio ? E a população do nosso estado se diz uma das mais politizadas do país, e a capital é tida como o tambor de ressonância do Brasil. Ainda estamos muito longe do fundo do poço ?

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      Estamos não, já chegamos mas, continuamos a cavar, elegendo os políticos nos quais votamos neste estado. Não tenho vergonha de dizer que votei no atual governador e tenho imenso arrependimento disto…

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