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Depois das Olimpíadas, a falência do Rio de Janeiro

Matéria publicada em 2 de setembro de 2016, 08:15 horas

 


País mergulha na crise e as perspectivas são cada vez mais sombrias; nem a segurança melhorou na ex Cidade Maravilhosa

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Os Jogos Olímpicos de 2016 acabaram e com eles o povo, principalmente, o povo do Rio de Janeiro, teve a última chance de manifestar seu ufanismo. De ter orgulho de ser brasileiro e carioca. Agora o sonho acabou e depois do sonho vem a dura e cruel realidade. Que parece cada vez mais dura e sombria a cada dia que passa.

Domingo passado passei pela banca de jornal, lá perto de casa, e as manchetes eram assustadoras. Um jornal da capital previa a falência do Estado do Rio de Janeiro até o mês de dezembro. Segundos os especialistas ouvidos pela reportagem só há dinheiro para pagar os funcionários públicos até o mês de novembro. Parece que o Natal de 2016 vai ter de tudo, menos alegria e prosperidade.

Enquanto escrevo esta crônica a televisão exibe a última novela de sucesso: “O Julgamento da Dilma – a fase final”. Parece que a trama, que ia acabar esta semana, ainda vai continuar com apelações ao STF. Não importa, o estrago já está feito. As Olimpíadas serviram apenas para distrair o povo por alguns dias, como um chiclete que é gostoso no início, mas depois vira uma borracha intragável.

Os problemas continuam. Nem a segurança melhorou na ex Cidade Maravilhosa. Estatísticas publicadas esta semana mostram que a criminalidade aumentou, apesar da Olimpíada. Os assaltos e roubos na rua subiram 44%. Enquanto os senadores discutem se as “pedaladas da Dilma” foram crime de responsabilidade ou não a situação se agrava. E o Brasil de hoje me lembra bastante os Estados Unidos daqueles filmes sobre a Grande Depressão de 1930.

Tragédia

No início da semana um executivo desempregado atirou os filhos pela janela do décimo oitavo andar de um condomínio na Barra da Tijuca. Matou a mulher a facadas e depois se suicidou. Em uma carta, encontrada na cena da tragédia, ele se queixava de não ter mais como manter a família. Vi a reportagem na televisão, em um intervalo da novela da Dilma, e claro que me lembrei do pesadelo americano. Quando a crise americana chegou ao auge, na década de 30, os empresários falidos se atiravam das janelas dos prédios de Nova Iorque. E os trabalhadores desempregados faziam fila para tomar sopa nas instituições de caridade. Estamos a um passo de um cenário semelhante.

No nosso caso não foi a bolsa de valores que quebrou. A crise brasileira é resultado de uma década de gastos descontrolados e de governos incompetentes. Aquela marolinha, que o barbudo ex-presidente garantiu que nem ia chegar ao Brasil, virou um vagalhão que afogou a economia nacional. E o nosso país, supostamente imune a crise, afunda como o Titanic enquanto a tripulação discute quem é que vai ficar na ponte de comando. Será que faz alguma diferença? Eu acho que não.

Temos 12 milhões de desempregados e o número vai aumentar mais ainda se as previsões do jornal carioca se concretizarem. Fala-se na privatização da companhia de água do estado. Já vimos esse filme antes e ele não tem final feliz. Com a privatização a qualidade dos serviços vai cair. E centenas de funcionários vão perder seus empregos. Diante deste cenário catastrófico não é de admirar que o povo não esteja nem um pouco entusiasmado com as eleições de outubro.

Em países sérios, como os Estados Unidos e aqui perto no Chile, a democracia é um direito que o cidadão exerce se quiser. Se não estiver motivado não é obrigado a votar. No Brasil o povo é conduzido às urnas como gado. E como vota obrigado vota em qualquer um. É como naquela canção do José Ramalho que diz “Vida de gado, povo marcado, povo feliz”.

Marcado pode ser, mas está muito longe de ser feliz.

 

Ex Cidade Maravilhosa: Estatísticas publicadas esta semana mostram que a criminalidade aumentou

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Desastre: O povo, como sempre, pagará a conta

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JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br


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20 comentários

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    O complexo de vira-latas brasileiro é triste, pois leva a pessoa passar a vida frustrada, rosnando para La Paz e mugindo para Miami; incapaz intelectual e financeiramente de sair do país que despreza e também sem coragem para tal, vai morrer por aqui mesmo, monoglota e defecando no prato em que come.

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    O voto é relativamente obrigatório, pois com 3 reais se justifica ausência. O Chile está mergulhado na política “bananeira” de esquerda. O caso do suposto homicídio seguido de suicídio ainda não foi elucidado…

    Qualquer coisa serve para justificar o complexo de vira-latas do nobre colunista, que vive mergulhado na nostalgia de um tempo que já foi superado… Se tem uma coisa que sobra no brasileiro comum, essa é o poder de resiliência. O pobre come farelo, mas não se mata por não poder mais comer caviar…

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    Ótimo texto. Verdades q alguns iludidos tem dificuldade em aceitar.

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    O brasileiro é o povo mais bobo do mundo.

    Nem os Africanos e de outros países paupérrimos são tão bobos quanto os daqui, já que por lá eles não têm informações e meios de se informarem – muitos nem leitura têm, bem ao contrário dos daqui.

    Aqui apesar de não terem leitura recebem informações até pelo whatssApp.

    Pobre povo brasileiro. Tudo a ver com os primeiros índios que entregaram o Brasil em 1500 para os portugueses a troco de espelhinhos. Espelhinhos bem parecidos com os celulares hoje.

    Naquele tempo ficaram maravilhados com o próprio rosto e DEIXARAM SAQUEAREM ESTE PAÍS.
    Hoje continuam olhando no espelhinho maravilhados com o rosto de pessoas distantes e DEIXAM SAQUEAREM ESTE PAÍS.

    Gente, não podemos mudar o povo antes de mudar a si mesmo.

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      Que autoestima a sua, hein? Tenta curar esse complexo de vira lata…

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      Cara Marcela,
      Eu entendo complexo de vira-latas, que tanto falam, como aqueles que se deixam colocar uma coleira no pescoço e fazem tudo o que mandam.

      Nesta eleição estou observando muitos eleitores dizendo que já estão fechados com determinados candidatos, inclusive com alguns dos atuais 21 vereadores de VR.

      Eles estão com coleiras no pescoço ou não? Podemos dizer que eles têm personalidades próprias?

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      Lembre-se que o Brasil de hoje é feito de quem recebe o que vem de fora de braços abertos, de quem se olha no espelhinho, de quem se enriquece saqueando e de quem trabalha duro para não morrer de fome. Muitas vezes vê-se todos esses enredos protagonizados pela mesma pessoa, ainda que em circunstâncias diferentes… Nada mudou, esse é o jeito brasileiro de ser…

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      Concordo. Brasileiro é um povinho bem bobinho mesmo. Com raras exceções…

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      Sou pobre de dinheiro e estou firme e forte.

      VAI VENDO, você é que pensa que o povo é bobo, todo mundo sabe que você é o tal de ETA POVINHO que até o ano passado ficava aqui chamando os moradores de Volta Redonda de bandidos e corruptos, porque mudou este ano? o povo não é bobo você e os políticos que são o que você nos chamava ano passado, aproveitando como esta ZOINHO que você faz campanha descarada aqui?

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    O QUE VOCES TEM CONTRA NOS OS VIRA-LATAS?

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    Hoje não tem nenhum comentário decente nesta coluna, que pena. A primeira coisa que os cariocas e brasileiros em geral têm que fazer é calçar as sandálias da humildade e ver que estão mal pelo próprio erro deles e não por culpa de conspirações externas. Vivi no Rio até os 27 e fui embora do brasil (com letra minúscula mesmo) no ano passado, e percebo que o ego inchado é a maior falha que existe por aí.

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    É cômico ver esses aborígenes com Complexo de Vira-latas, “informando-se” basicamente pelo Jornal Nacional e esperneando contra governo, olimpíada, político, partido, blitz de PM/GM, apreensão de mídia pirata etc.

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    O carioca na hora de votar é de uma burrice doentia, elegendo figuras da extrema esquerda que só querem mesmo é mais estado controlador, defensores de bandidos e países com ditaduras . depois da destruição da economia pelos pt e suas linhas auxiliares é hora de juntar os cacos, que venha as reformas, inclusive privatizar, de preferencia tudo.

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    Ótimo texto.

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    Quem está falido é o ESTADO do Rio, do qual o Donald Trump do Brejo parece não perceber que faz parte, ao fazer uma confusão entre carioca e fluminense (papa-goiaba). Vai se tratar desse Complexo de Vira-Latas. Por favor, volte a falar de discos voadores.

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    O Município do Rio não tem nada a ver com a falência do Estado do Rio. A cidade até ajuda muito o governo estadual. Muitos dos problemas citados continuariam mesmo sem Olimpíadas aqui. Outro engano é achar que existe diferença para o povão, entre o partido do Lula e o do FHC, da dupla Temer e Sarney, que etá sempre fazendo parte dos governos, desde 1985. Com o mensalão apenas descobrimos que o PT é igual aos outros. Mas muita gente já esqueceu que com o PSDB o desemprego era muito maior e com o PMDB e até antes, nos últimos anos do regime militar, a inflação era exorbitante. Agora, com o 3º. governo do PMDB sem votos, vai ser a vez dos direitos trabalhistas serem reduzidos drasticamente. Detalhe: a elite vive sonhando em ser maioria nas eleições com o fim da obrigatoriedade de votar, como se o “voto de cabresto” das comunidades mais humildes fosse acabar. Coloca a eleição de presidente em separado.

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      Quando o brasileiro vai deixar de ser burro e submisso?

      Carioca, com tudo que esta acontecendo no país, o mais decepcionante é concluir que com todo modernismo, tecnologia, redes sociais, celular, computador, etc, as pessoas não evoluirão e continuam se colocando cabresto, se submetendo a tipos por exemplo Magno Malta, como se não pudessem tomar suas próprias decisões. Sinceramente é lamentável.

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      Concordo contigo, Quando o brasileiro…!

      Estou trabalhando nesta eleição e ouço muitos eleitores ainda com coleiras nos pescoços. Muitos e muitos dizem: Estou fechado com o candidato tal, sou fiel a minha promessa de votar no candidato tal, etc.

      Outro dia ouvi de uma eleitora que disse votar no vereador tal porque o tal vereador conseguiu uma cirurgia para uma amiga dela que nem precisava tanto e ainda confessou o mês que foi realizado. Logo retruquei: então foi por isso que a minha cunhada teve a mesma cirurgia adiada.

      Você acha justo furar fila de espera através de seu vereador?

      Nem vou escrever a reação da eleitora bobona de coleira no pescoço.

      É isso aí gente! O problema das filas de atendimento podem estar com os próprios eleitores injustos com a coletividade.

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      Ótimo comentário.

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