Diário do Rock: Paul

Por Agatha Amorim
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Paul McCartney chegou ao Brasil mais uma vez para uma série de shows. Dos maiores artistas do mundo ainda em atividade surpreendeu novamente com uma atitude já adotada em alguns países: um show surpresa num local pequeno, com capacidade para 400 pessoas, antes de encarar os estádios que estarão lotados como sempre para ver o lendário beatle em ação.

Esbanjando saúde aos 81 anos, Macca está muito bem, diga-se. Nessa altura do campeonato o cara sair em turnês, fazendo shows em pé, com fôlego para mais de horas é de tirar o chapéu e contemplar. Desta vez o local escolhido para este show surpresa foi na cidade de Brasília, no Clube do Choro, que agora entra pra história como se fosse a filial do Cavern Club, de Liverpool.

Os ingressos foram oferecidos por e-mail no valor de R$ 200,00 para pessoas que já haviam adquirido pro show no Mané Garrincha, estas levaram um susto e garantiram o quanto antes. Com o boato correndo na capital federal muitos fãs foram pra porta do Clube do Choro sem ingresso, e até mesmo sem acreditar que haveria tal show. Fato é que não só era verdade, como alguns sortudos acabaram conseguindo entrar.

Quando o perfil do Paul soltou o vídeo da música de abertura, o clássico “A Hard Day’s Night”, muitas pessoas estranharam e os comentários eram do tipo “como pode ser em 2023 se não tem ninguém com o celular filmando ali na plateia?!”. Pois é, a produção exigiu que os celulares de todos fossem guardados em sacos plásticos lacrados e só abertos ao fim do show. Quem descumprisse seria retirado do recinto.

Com isso o que se viu foi uma plateia eufórica, aos pulos, dançando, como deve ser. A essência e valor de um show desses em locais pequenos nunca pode morrer. Os Beatles nasceram desse tipo de local. Tocando noite após noite em Hamburgo ou em Liverpool, ganharam a casca de se apresentar ao vivo, com vigor. Dali ganharam o mundo. Modificaram o mundo, o conceito de música pop, o rock, tudo.

Mesmo que você toque o mesmo repertório num clube pequeno e num estádio, o show acaba acontecendo de maneira diferente. Com o tempo passei a preferir assistir um show de um artista/banda num local como o Circo Voador do que vê-lo num estádio ou festival. Algumas bandas acabam sendo afetadas por essa demanda de shows apenas em estádios e isso reflete – por vezes – negativamente na dinâmica no show.

Caso do Foo Fighters. Como se tornaram uma banda gigante, só tocando em arenas, as músicas vão ficando mais extensas para que o público cante o refrão sozinho; ou dá-se um clima antes da música começar, pausas, solos, etc. Fato que leva a algumas músicas de três minutos e poucos virar música de 10 minutos… Coisa que parece não acontecer com o Pearl Jam, por exemplo. Eles tentam manter um show sem muitas firulas, noto.

Outro fator preponderante que tem me afastado de arenas, shows internacionais e festivais é o valor do ingresso. Estes se tornaram estratosféricos. R$ 700 não pode ser um preço normal pra você assistir a um show na realidade do Brasil. O fato é que o valor justo é o da chamada meia-entrada, esse é o valor que seria “real”. A inteira, você está pagando simplesmente o “dobro”.

Por sorte eu já vi todos os artistas gringos que gostaria de ver quando os preços ainda não estavam nessa prateleira. Vi o Paul em 2010, no Morumbi e guardarei para sempre aquelas três horas de show. É um ser humano de “outro planeta”. Era o beatle mais workaholic. Se não fosse pelo Paul os Beatles não teriam durando uma década, teriam acabado bem antes. Ele motivava os demais. Quem assistiu às oito horas do incrível documentário “Get Back” pode atestar isso. Ele nunca quis que acabasse.

Depois dos Beatles McCartney continuou fazendo músicas inacreditáveis de boas fosse com os Wings ou em carreira solo. É o maior artista em atividade na minha opinião. Que tenha muitos anos pela frente ainda, para nossa sorte. Viva o Paul!

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