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Do Flash Gordon ao Elon Musk

Matéria publicada em 25 de outubro de 2019, 14:52 horas

 


Herói dos quadrinhos já advertia sobre os perigos do espaço; personagem nasceu na década de 1930

Na terça-feira passada mencionei aqui nesta coluna o pioneiro espacial dos quadrinhos, Flash Gordon. Quando eu curtia as aventuras do herói, nos suplementos dominicais dos jornais da minha infância, era quase tudo ficção. Mas a ficção do Flash já está se tornando realidade. O bilionário americano Elon Musk já conseguiu construir um foguete que decola e pousa verticalmente, igual a nave do Flash Gordon. E, atualmente, desenvolve uma nave interplanetária capaz de levar 100 turistas para cruzeiros na Lua e no planeta Marte. Mas, a ideia envolve riscos consideráveis, como o Flash Gordon não cansou de advertir. Pena que as histórias dele nunca mais foram publicadas no Brasil.
Flash Gordon nasceu na década de 1930, muito antes do primeiro foguete realmente grande decolar para o espaço. O personagem foi criado para os jornais do grupo Hearst, que queriam um herói espacial que pudesse competir com o “Buck Rogers no século 25” do Chicago Tribune. A tarefa de criar o novo personagem ficou a cargo do talentoso Alex Raymond, que criou as bases para um novo gênero de aventura espacial.
Raymond se inspirou no livro “Quando os mundos colidem”, de Edwin Balmer e Phillip Wylie, que imagina a destruição do nosso planeta pelo choque com uma estrela errante. Flash Gordon é um atleta, jogador de polo, que se vê frente a frente com o apocalipse quando um planeta desconhecido se aproxima da Terra. Ele resolve procurar seu pai, um famoso astrônomo que vive em um observatório nas montanhas.
Durante a viagem o avião é atingido por uma chuva de meteoros. Flash salta de paraquedas junto com uma bela passageira: a repórter Dale Arden, que depois se tornaria sua noiva. Os dois descem no laboratório do cientista Hans Zarkov, que construiu uma nave espacial e pretende viajar até o novo planeta. Zarkov devia ser tão rico quanto o Elon Musk. Na ausência de uma tripulação, Zarkov aponta uma arma para Flash e Dale e obriga o casal a embarcar no foguete, que decola para o espaço.
No misterioso planeta Flash, Dale e Zarkov enfrentam o imperador Ming. Um tirano que pretende dominar o universo. Foi a partir daí que George Lucas inventou o Darth Vader e o império galáctico de “Guerra nas Estrelas” (Star Wars). A história em quadrinhos fez tanto sucesso que virou uma série de filmes em 1936. Depois as aventuras do herói continuaram a ser publicadas em jornais do mundo inteiro. Com a morte de Raymond, um desenhista de Nova Iorque, Dan Barry, assumiu o comando em 1951.

Estilo

Dan Barry desenhava de acordo com um estilo que ficou conhecido como “New York slick”. Que se caracterizava por um cuidado com as linhas e com a textura dos desenhos. Esse estilo dominou os quadrinhos até ser substituído, nos anos 60, pelo estilo Marvel, mais tosco, criado pelo Jack Kirby. Dan Barry resolveu modernizar as aventuras do herói, deixando de lado o velho imperador galáctico e incorporando elementos da ficção científica moderna. E Flash passou a trabalhar para uma agência espacial do futuro, envolvida em projetos de colonização de Marte, Vênus e das luas de Saturno.
Barry contava com a ajuda do escritor de ficção científica Harry Harrison, que fornecia as tramas enquanto Barry fazia os desenhos. Em 1961 os dois criaram uma aventura chamada “Tina”. É sobre uma moça sem sorte, que nasceu na colônia humana de Titã, a grande lua de Saturno. Com a morte de seus pais ela resolve voltar para a Terra. E embarca em um grande foguete chamado “Titanic 2”.
A nave colide com um fragmento do cinturão de asteroides provocando uma grande catástrofe no espaço. Felizmente o Flash Gordon aparece para salvar a moça. Atualmente o trabalho do Dan Barry está sendo republicado nos Estados Unidos em álbuns de capa dura. Elon Musk devia ler, principalmente a história da Tina e o Titanic 2.

Flash e Dale: Antecipando o futuro do turismo no espaço


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