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Dois homens que ajudaram a criar o futuro

Matéria publicada em 24 de janeiro de 2017, 07:00 horas

 


O centenário de Arthur C. Clarke e a morte do último homem na Lua; memória de Clarke e Cernan serve de inspiração

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Os fãs do escritor Arthur C. Clarke estão se preparando para comemorar o centenário de seu nascimento, no final deste ano. Clarke foi um dos melhores escritores de ficção científica da história. Mas não se contentava em sonhar com o espaço. Foi ele quem inventou os satélites de comunicação, sem os quais não teríamos hoje a televisão via satélite nem esse monte de antenas parabólicas no teto das casas. No dia 16 de março morreu Eugene Cernan, o astronauta americano que foi o último homem a passear na superfície da Lua, em 1972.

Um ano antes de sua morte Cernan foi homenageado com um documentário sobre sua carreira como astronauta. Ele fez parte de um grupo de pilotos de elite que realizou os sonhos da geração do Clarke. O escritor sonhou com viagens ao espaço durante toda a sua vida. E viveu o suficiente para ver a turma do Cernan transformar o sonho em realidade.

Clarke nasceu em Minehead, na Inglaterra, em dezembro de 1917. Quando criança era apaixonado por dinossauros, mas passou a sonhar com o futuro depois de ver uma capa colorida de uma revista de ficção científica. Que mostrava turistas espaciais desembarcando em uma praia de outro planeta. Estudou Física, Eletrônica e Matemática e aos vinte anos de idade ingressou na Força Aérea Britânica. A Segunda Guerra Mundial estava começando e Clarke tomou parte no desenvolvimento de uma nova arma de defesa. O radar. Enquanto os caças Spitfire da Royal Air Force duelavam com os bombardeiros nazistas nos céus de Londres, Clarke ficava nos bastidores, apesar de sua patente de tenente aviador. Para o esforço de guerra era mais importante que ele desenvolvesse o radar, capaz de alertar o comando britânico sobre a posição dos aviões inimigos.

Clarke também trabalhou na criação do GCA, um sistema que usa o radar para orientar o pouso dos aviões em dias de neblina. O GCA foi pouco usado na guerra, mas foi vital, anos depois, para a ponte aérea de Berlim. Quando a capital alemã sofreu o bloqueio soviético e foi abastecida com aviões de carga.

Foi em 1945, no final da guerra, que Clarke teve a ideia dos satélites de comunicação. Ele percebeu que uma espaçonave, em órbita geoestacionária, poderia refletir sinais de televisão e rádio para o mundo inteiro. Em 1945 os transmissores de rádio usavam válvulas a vácuo e eram enormes. Por isso Clarke sugeriu que os retransmissores espaciais teriam que ser grandes estações tripuladas. Mas a eletrônica criou o transistor e o circuito integrado. E o primeiro satélite de comunicações, o Telstar, lançado em 1962 era uma bola de oitenta centímetros de diâmetro.

Quando Telstar entrou em órbita Eugene Cernan já estava treinando para ir a Lua. Engenheiro e piloto ele fazia parte da segunda turma de astronautas da Nasa. Em 1966 ele foi ao espaço pela primeira vez, como piloto da nave Gemini 9. Que testou em órbita da Terra as manobras necessárias para a viagem a Lua. Na época Clarke escrevia o roteiro do filme “2001: Uma odisseia no espaço” e participava da divulgação do filme. O escritor gravou uma entrevista dentro de um modelo do módulo lunar, na fábrica Grumann. O mesmo tipo de módulo que Cernan usaria para sobrevoar a Lua na missão Apollo 10, em 1969.

A Apollo 10 não teve permissão para pousar, foi só um teste para a primeira alunissagem, feita pelos homens da Apollo 11. Cernan só andou na Lua em 1972, como comandante da última missão Apollo, a Apollo 17. Suas pegadas estão lá até hoje, assim como o trem de pouso do módulo lunar.

Hoje, a memória de Clarke e Cernan serve de inspiração para uma nova geração de arquitetos do futuro. Gente como o empresário Elon Musk, que construiu um foguete que pousa suavemente ao final de cada missão. E para os astronautas que treinam para a futura viagem a Marte.

 

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br


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