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Capa / Ciência – Por Jorge Calife / Donald Trump e o primeiro homem em Marte

Donald Trump e o primeiro homem em Marte

Matéria publicada em 11 de maio de 2017, 15:34 horas

 


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No dia 24 de abril passado o presidente norte-americano Donald Trump telefonou para os astronautas a bordo da Estação Espacial Internacional. Trump queria dar os parabéns à astronauta Peggy Whitson, que bateu o recorde americano de permanência no espaço. Com sua loquacidade habitual o presidente perguntou à astronauta quando ela imagina que ocorrerá a primeira missão tripulada ao planeta Marte. Whitson respondeu que “levando em conta o orçamento aprovado pelo presidente, o desembarque americano em Marte só deve acontecer na década de 2030”.

Trump achou muito tempo e prometeu acelerar o projeto para que a conquista de Marte aconteça “no final de seu segundo mandato, em 2024”. Um segundo mandato de Trump ainda é pura ficção, como uma viagem tripulada ao planeta Marte. Mas, o primeiro mandato do bilionário e ex-apresentador de TV, também era ficção até o ano passado. E hoje em dia a ficção tem o mau costume de virar realidade. A data de 2024 também coincide com os planos de outro bilionário americano, Ellon Musk, diretor da empresa aeroespacial Space X, fabricante dos foguetes Falcon.

Infelizmente, a maioria dos especialistas em astronáutica acha que não daria tempo de desenvolver a tecnologia necessária em apenas sete anos. O presidente John Kennedy propôs uma missão a Lua em 1961 e a Nasa conseguiu desenvolver o projeto Apollo e colocar homens na Lua em apenas oito anos. Mas o orçamento do programa espacial americano era muito maior naquela época. Sem falar que a Lua se encontra a apenas três dias de viagem da Terra enquanto uma viagem a Marte leva seis meses. Não dá para ir a Marte em uma pequena cápsula como a Apollo.

Pelo cronograma atual da Nasa, os americanos devem testar seu foguete gigante SLS e a cápsula espacial Orion até o ano de 2020. Na década de 2020 será construída uma estação espacial em órbita da Lua, o Deep Space Gateway (Portal para o Espaço Profundo). Se tudo correr bem, no final da próxima década, aí por volta de 2028 ou 2029, será montado e testado o Deep Space Transport (Transporte de Espaço Profundo) que será testado durante um ano no espaço ao redor da Lua. Se passar pelos testes esta nave levará os seres humanos ao planeta Marte depois de 2030.

O Deep Space Transport é uma nave grande, com alojamentos e instalações para manter os astronautas vivos e saudáveis durante viagens de mais de seis meses pelo espaço. No mês passado Trump assinou um requerimento ordenando que a Nasa contrate empresas não governamentais de engenharia e assistência técnica para estudar a viabilidade de uma missão tripulada a Marte em 2033. É a versão moderna da Iniciativa de Exploração Espacial proposta em 1989 pelo presidente George Bush.

Bush queria enviar americanos ao planeta Marte em 2015. A Nasa fez um estudo, chamado de “O relatório de 90 dias” que concluiu que o projeto era viável, mas custaria 400 bilhões de dólares. Bush desistiu da ideia, mas cientistas e empresas independentes concluíram que era possível ir a Marte por uma fração desse orçamento, usando tecnologias mais avançadas. O projeto da Nasa exigia enormes espaçonaves para levar o combustível necessário para uma viagem de ida e volta a Marte. O engenheiro espacial Robert Zubrin propôs, em 1993, que a viagem fosse feita com uma nave pequena que levaria combustível só para ir até Marte.

Para voltar a Terra os astronautas reabasteceriam a nave com combustível fabricado em Marte. Usando os gases da atmosfera do planeta.

A ideia foi adotada pela Nasa e os planos atuais incluem uma nave robô, com uma pequena usina química, que desce em Marte antes dos astronautas e começa a fabricar combustível. Mas todos esses planos ainda vão levar mais de uma década para serem elaborados.

Futuro: Nave para Marte será testada em 2028

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JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br


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Um comentário

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    Muito interessante o artigo. Li os livros “The Case for Mars” e “Mars Direct”, do Robert Zubrin, e são imperdíveis para quem se interessa pelo assunto. Seus argumentos são muito convincentes: “viver da terra” e “ir leve e rápido”, ou seja, não precisamos de uma gigantesca nave e uma base orbital em torno da Lua para viajar a Marte, basta ir direto em uma nave pequena, mas rápida, e usar os recursos do planeta para produzir o combustível do retorno, cortando quase pela metade o peso, diminuindo assim os custos e os riscos. Como os antigos exploradores, que se viravam com o que encontravam de caça, pesca, frutas, etc, nas terras exploradas, e não levavam uma imensidão de mantimentos com eles – salvas as devidas proporções, lógico.
    Segundo ele, o hardware básico já foi desenvolvido e uma missão deste tipo poderia ser desenvolvida em menos de uma década – dois mandatos presidenciais – e dentro do orçamento atual da NASA. Para isso, ele critica a falta de foco e a administração da NASA, que ao invés de concentrar recursos no desenvolvimento das tecnologias necessárias a esta missão, perde tempo e dinheiro em várias tecnologias exóticas alternativas, como alguém que quer construir uma casa, mas quer antes testar 100 tipos diferentes de telhados, pisos, paredes, janelas, etc. Estou torcendo para que essa missão vire realidade, pois parece que ela está sempre a 20 anos no futuro…

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