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Donald Trump, John Kennedy e a corrida para a Lua

Matéria publicada em 19 de julho de 2019, 09:55 horas

 


Projetos lunares sempre contam com a reeleição do presidente

O presidente americano, Donald Trump, quer colocar americanos na Lua em 2024. Porque 2024? Pois Trump espera ser reeleito em 2020 e assim ficar no poder até 2024. Historicamente os programas espaciais da NASA mudam a cada novo presidente, e o único meio de garantir que as metas atuais se mantenham é conseguir uma reeleição. Esse foi o mesmo conceito por trás do famoso discurso do presidente John Kennedy em 1961, estabelecendo como meta a colocação de um homem na Lua antes do final da década de 1960. Como Trump, Kennedy contava com a reeleição e não podia imaginar que uma bala de rifle iria encerrar a sua carreira política dois anos depois.

Sem o atentado em Dallas, Kennedy realmente poderia ter se mantido na presidência até 1968. E se não acontecesse o incêndio da nave Apollo 1, que matou três astronautas em janeiro de 1967, os astronautas da NASA teriam desembarcado na Lua em 1968. Bem dentro do segundo mandato sonhado por Kennedy.

Trump quer ser o novo Kennedy, mas as condições são diferentes. Em 1961 os americanos estavam apavorados com os avanços da União Soviética no espaço sideral. Os russos tinham lançado com sucesso o primeiro satélite artificial, a primeira sonda lunar, o primeiro homem e a primeira mulher no espaço. Lyndon Johnson, que era o vice do Kennedy, temia que os russos bombardeassem os Estados Unidos do espaço, como um bando de delinquentes jogando pedras nos carros do alto de um viaduto.

Kennedy e o modulo de pouso lunar
(Foto: JFK and Lunar Lander Module1961)

Diante desse clima de histeria, o Congresso americano deu um cheque em branco para a NASA realizar o plano de Kennedy. Pelos valores da época o projeto Apollo custou aos cofres americanos a soma de 25 bilhões de dólares. Hoje, com os valores inflacionados, não sairia por menos de 153 bilhões. Com esse dinheiro, a NASA construiu o Porto Lunar da Ilha Merrit, em Cabo Canaveral, com o gigantesco edifício de Montagem Vertical VAB onde dois foguetes lunares Saturno 5 podiam ser montados simultaneamente.

O foguete gigante foi criado e testado num espaço de apenas seis anos. Hoje o orçamento da NASA não chega a um décimo do que era em 1960, esse é o maior obstáculo aos planos do Trump. Num discurso recente, o vice-presidente americano estimou que o novo programa lunar, o Artemis, vai custar 30 bilhões de dólares. E conseguir um pouso lunar com menos de um quarto do dinheiro que foi gasto em 1969 vai ser uma tarefa extremamente difícil.

O dinheiro reduzido e o prazo de apenas seis anos aumentam a chance de um desastre igual ao da Apollo 1. E uma nova tragédia espacial colocaria por terra os planos espaciais do novo presidente. Hoje não existe a ameaça soviética. O único rival americano no espaço é a China, mas os chineses tem um programa modesto de exploração da Lua com robôs. Não existe o medo de um inimigo atacar os Estados Unidos do espaço, como havia em 1961.

Foguete do Trump ainda não saiu do chão
(Foto:SLSpadSL)

É verdade que desta vez a NASA não vai começar do zero. Assim como o Saturno 5 era a peça chave do projeto Apollo, o programa Artemis depende do desenvolvimento de outro foguete gigante, o SLS. Que esta sendo construído desde 2010. O programa já está atrasado. O SLS deveria ter feito o seu primeiro voo de teste no ano passado. Agora, se tudo correr bem, ele vai ao espaço pela primeira vez em 2020. Antes de poder levar astronautas para a Lua o SLS precisa ser testado sem tripulantes. Para garantir que é seguro.

Além do SLS, a NASA precisa construir um novo modulo lunar e uma estação espacial. O Artemis é mais complicado do que o Apollo e envolve uma estação em orbita lunar onde os astronautas farão a baldeação da nave Orion para o modulo de descida, aprontar tudo isso em apenas seis anos é um desafio maior do que o enfrentado por Kennedy em 1961.

Que o diga o bilionário Elon Musk, cuja cápsula espacial explodiu num teste no inicio do ano.


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4 comentários

  1. Avatar

    Ir à Lua para quê, afinal? O homem NUNCA foi à Lua, é a mentira mais bem engendrada do mundo. Os EUA perdendo feio na Corrida Espacial para a URSS e resolveu dar uma “virada de mesa” aos 45 do segundo tempo… Não existe hoje tecnologia para levar o homem à Lua e muito menos para trazê-lo de volta, o que dirá nos anos 60?…

    Vejam a sonda espacial chinesa transmitindo imagens de computação gráfica do tipo que se vê em vídeo games, eu acredito cada vez menos nessa esparrela, principalmente por só haver militares envolvidos nesses programas, ou seja, propagar mentiras e esconder verdades quando as circunstâncias o exigem…

  2. Avatar
    Filósofo de esquina

    O ser humano está precisando fazer uma viagem para dentro de si e não para lua! Muita gente egocêntrica, vazia, má precisando se auto descobrir. O problema é que essa viagem é mais perigosa que para lua, as coisas desvendadas podem ser até mais impactantes que fincar uma bandeira em outros solos.

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    Novo Kennedy? Ele que não tome cuidado que pode terminar é como ele. Peão passando o cerol nele.

  4. Avatar

    Muito bom ponto. A exploração tripulada do espaço esteve realmente pautada pela política nas últimas décadas, e isso foi um atraso para a astronáutica. Por essas e outras, ainda acho que voltaremos a Lua e finalmente chegaremos a Marte pela iniciativa privada. Discordo de que não se poderia realizar estas missões hoje a um custo menor, pois naquela época as tecnologias necessárias tiveram que ser criadas do zero, e hoje em dia elas já estão disponíveis. Não precisamos de naves gigantescas, nem estações espaciais de dezenas de bilhões de dólares para chegar lá. Basta a política não atrapalhar a iniciativa privada, como ela atrapalha hoje a NASA.

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