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Donald Trump, Os Simpsons e o Lex Luthor

Matéria publicada em 15 de novembro de 2016, 07:15 horas

 


Desenhos e quadrinhos se anteciparam aos acontecimentos atuais; eleição de Trump me lembra outra obra de ficção

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Se aprendemos alguma coisa, com as últimas eleições norte-americanas, é que os desenhos animados são mais confiáveis do que as pesquisas de intenção de voto. Até a véspera da eleição as pesquisas davam como certa a vitória da Hillary Clinton. Deu Donald Trump. Como tinha sido previsto, há mais de dez anos, no desenho animado Os Simpsons. Em “Bart to the future” os personagens viajam no tempo e encontram o apresentador do programa “O Aprendiz” na Casa Branca.

Reparem na inscrição no palanque da foto. Diz “América, você pode ser minha ex-esposa”. Na época em que o desenho passou na televisão Trump era apenas o apresentador de um reality show. Onde os participantes tinham que cumprir uma espécie de gincana para não serem demitidos. Se falhassem ouviam o bordão do Trump: “Você está despedido!”.

No Brasil teve uma versão apresentada pelo Roberto Justus. Que fez o possível para ser a versão brasileira do Trump. Era até casado com uma loira bem parecida com a Marla Mapes (uma das ex-mulheres do bilionário), a Ticiane Pinheiro. Não faz tanto tempo assim, foi em 2013. Em outro desenho dos Simpsons, Lisa Simpson se torna a primeira mulher presidente dos Estados Unidos. E descobre que seu antecessor, Donald Trump, deixou o país falido. Como o cassino dele em Atlantic City.

Ao contrário de alguns colegas jornalistas a eleição do Trump não me surpreendeu. Afinal, os norte-americanos já colocaram um cowboy de filme B (Ronald Reagan) na Casa Branca. Um bilionário fanfarrão e molestador de mulheres era apenas mais um pequeno passo ladeira abaixo. Além de outros problemas, como aquela confusão dos e-mails, a candidatura da Hillary Clinton enfrentou o machismo da sociedade americana. Onde as mulheres ainda enfrentam preconceitos apesar de todas as lutas.

É só olhar para a história do programa espacial. O primeiro astronauta americano, do sexo masculino, subiu ao espaço em 1961. Já a primeira mulher americana só entrou em órbita em 1982, vinte e um anos depois. E levou trinta anos para a Nasa confiar o comando de uma espaçonave a uma pessoa do sexo feminino. Até hoje nenhuma mulher pisou na Lua. O projeto Apollo foi um “clube do bolinha” onde só os homens podiam participar.

É só comparar com outras nações. Na Rússia só dois anos separaram o voo do primeiro homem (Yuri Gagárin) da primeira mulher (Valentina Tereskhova). Na Inglaterra o primeiro astronauta britânico foi a Helen Sharman. Mas a Inglaterra é outro nível. Eles têm rainhas e primeiras ministras.

Semelhança

A eleição do Donald Trump me lembra outra obra de ficção: A minissérie “Inimigos Públicos” da DC Comics. Onde o vilão Lex Luthor se candidata e consegue se eleger presidente dos Estados Unidos. Uma vez na Casa Branca Luthor passa a perseguir antigos desafetos. Tendo como alvo principal o Super-Homem. Que acaba tendo que se esconder na Batcaverna para escapar das perseguições do presidente Luthor.

“Inimigos Públicos” foi publicado em 2002, por aí, e já tem uma versão em desenho animado. É interessante rever, porque o Lex faz uma campanha populista bem semelhante a do Donald Trump. No final o vilão apronta tantas que acaba sofrendo um impeachment, que nem a Dilma aqui no Brasil.

Trump já anunciou que uma de suas primeiras medidas como presidente será construir a prometida muralha separando a América do Norte da América Latina. É outra ironia desta realidade que teima em imitar a ficção. Como disse um comentarista da internet, a eleição de Trump introduziu na política americana um personagem bem conhecido da nossa política latina: O caudilho populista.

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Previsões: Donald Trump e Lex Luthor na Casa Branca (Fotos: Divulgação)

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JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br


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7 comentários

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    Intelectual de Rede Social

    Excelente artigo. Jorge, você é um dos poucos profissionais da região que consegue ser inteligente, bem-humorado e extremamente atual. Uma pena que se limita a esse jornaleco.

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    Amigo, o México faz parte da América do Norte (geograficamente) e da América Latina (culturalmente), logo, não faz sentido sua sentença “separar a américa do norte da américa latina”, não sou professor, mas, conhecimento não faz mal a ninguém.

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    Essa de que “os Simpsons previram a eleição de Trump” é boato antigo, já desmentido há tempos também (ver site “e-farsas” e outros). Até alguns grandes sites jornalísticos morderam esse hoax, com fotomontagens bem boladas.
    Agora, o nosso Donald Trump do Brejo, que volta e meia pontua seus textos com o abominável clichê “No meu tempo” escreve aí que “o Trump quer construir “um muro para separar a América do Norte da América Latina”. Ora, até um aluno mediano do Ensino Básico/Médio sabe que o México é parte da América Latina e da América do Norte. É um alívio não ter estudado Geografia “no tempo” do autor do texto.

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      Não e hoax não , Band e Fox exibem episódio de ‘Os Simpsons’ que previu vitória de Donald Trump
      O canal FOX também programou a exibição do desenho para esta quarta-feira (9/11)

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      noticia publicada no OGLOBO

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      O que acontece é que, na época do no episódio “Bart to the future”, 2000, o assunto da época era o Trump ter dito que concorreria à Casa Branca. Os Simpsons apenas aproveitaram o assunto da época para usar num episódio!
      Nesse episódio, Lisa Simpson é eleita presidente dos Estados Unidos substituindo Donald Trump, que tivera mau governo. Isso em 2030, não em 2015/2016.
      Aliás, ano passado, quando Trump anunciou novamente sua candidatura, vários vídeos curtos dos Simpsons foram produzidos e lançados no Youtube, algumas semanas depois.
      Por isso, considero forçada de barra essa “previsão”, enfim…

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    Assim vc vai ficar como Arnaldo Jabor , levando porrada da esquerda e da direita,não estou preocupado com questão de gênero , se meu governante é presidenta, quero um governo eficiente e não corrupto. Hilary é como a nossa Maria do ossário defensora de bandidos estupradores, leia a coluna do Aurélio Paiva, esta sim reflete a realidade.

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